Mãe de adolescente que ficou paraplégica após pegar dengue pede ajuda na internet

Elizangela Maria Matias Corrêa, de 42 anos, é organizadora de uma vaquinha online para ajudar a filha a seguir com o tratamento após ficar paraplégica por pegar dengue

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Com oito mortes em Santa Catarina e um aumento de 654,8% nos casos prováveis da doença em 2024, a dengue continua assolando todo o Brasil. Até esta sexta-feira (16), segundo a Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), já são registrados 13.002 casos prováveis da doença.

Poly teve dengue e ficou paraplégicaMãe faz apelo e pede ajuda na internet – Foto: Reprodução/@poly_maatias/ND

O diagnóstico de dengue

No entanto, para além do que já conhecemos sobre a doença, a mineira Polyana Matias de Sousa, de 18 anos, que aos 15 anos ficou paraplégica ao contrair dengue, mostra outra face da infecção.

A história da jovem já foi contada no portal ND Mais. A doença foi descoberta pela adolescente em maio de 2019, quando Poly, como é chamada por amigos e familiares, apresentou sintomas comuns da dengue. No início, eram febre, dores de cabeça e no corpo.

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No entanto, cinco dias depois, Poly começou a ter confusão mental, crises convulsivas e vômitos, sendo internada com urgência.

A família mora em Divinópolis, em Minas Gerais, e deu seu relato para o site local “Itatiaia”.

“Os médicos achavam que era ‘xilique’, ter brigado com o namorado, eu falei ‘não’, ela está com dengue”, conta Elizangela, que relatou ter que insistir para que eles chamassem um neurologista. “Com a minha insistência, ele pegou e pediu a consulta com o neurologista. A Poly não estava nem me reconhecendo mais”, conta a enfermeira Elizangela Maria Matias Corrêa, de 42 anos, mãe da jovem.

A jovem chegou a ficar internada na UTI, mas hoje se recupera em casa.

Mãe pede ajuda na internet

Na internet, a mãe, que gerencia o perfil da filha, pede ajuda aos internautas para custear o tratamento de Poly.

Na imagem, Poly aparece ao lado da mãe após ter pego dengueAdolescente ficou paraplégica após pegar dengue – Foto: Reprodução/Itatiai + Arquivo Pessoal/ND

“A Poly teve dengue em 2019, hoje ela é acamada. Ela não enxerga ou respira sozinha. Ela perdeu toda a qualidade de vida por conta da dengue. O alerta que eu faço é: tome cuidado. A dengue é coisa séria”, explica.

A vaquinha destinada para o tratamento de Poly solicita R$ 250 mil para que ela possa fazer o tratamento com células-tronco, já que hoje ela perdeu completamente a mobilidade de suas pernas.

Clique aqui e participe da vaquinha.

Sinais e sintomas de alerta

Todo indivíduo que apresentar febre (39°C a 40°C) de início repentino e apresentar pelo menos duas das seguintes manifestações – dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhos – deve procurar imediatamente um serviço de saúde, a fim de obter tratamento oportuno.

No entanto, após o período febril deve-se ficar atento. Com o declínio da febre (entre 3° e o 7° dia do início da doença), sinais de alarme podem estar presentes e marcar o início da piora no indivíduo. Esses sinais indicam o extravasamento de plasma dos vasos sanguíneos e/ou hemorragias, sendo assim caracterizados:

  • dor abdominal (dor na barriga) intensa e contínua;
  • vômitos persistentes;
  • acúmulo de líquidos em cavidades corporais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico);
  • hipotensão postural e/ou lipotímia;
  • letargia e/ou irritabilidade;
  • aumento do tamanho do fígado (hepatomegalia) maior 2cm;
  • sangramento de mucosa; e
  • aumento progressivo do hematócrito.

Passada a fase crítica da dengue, o paciente entra na fase de recuperação. No entanto, a doença pode progredir para formas graves que estão associadas ao extravasamento grave de plasma, hemorragias severas ou comprometimento de grave de órgãos, que podem evoluir para o óbito do indivíduo.

Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença, porém indivíduos com condições preexistentes com as mulheres grávidas, lactentes, crianças (até 2 anos) e pessoas maiores de 65 anos têm maiores riscos de desenvolver complicações pela doença.

Tratamento

De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento é baseado principalmente na reposição de líquidos adequada. Por isso, conforme orientação médica, em casa deve-se realizar:

  • Repouso;
  • Ingestão de líquidos;
  • Não se automedicar e procurar imediatamente o serviço de urgência em caso de sangramentos ou surgimento de pelo menos um sinal de alarme.
  • Retorno para reavaliação clínica conforme orientação médica.

No entanto, apesar das medidas, ainda não existe tratamento específico para a doença.