Foi confirmada nesta sexta-feira (12) pela DIVE-SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina) que a morte de Bruno Oscar Graf, morador de Blumenau de 28 anos, foi ocasionada após uma reação da vacina AstraZeneca contra a Covid-19. Arlene Ferrari Graf, mãe do jovem, conversou com a reportagem do ND+ neste sábado (13).
Mãe do jovem morto após reação da vacina contra a Covid-19 recebeu a confirmação do Estado nesta semana – Foto: Moisés Stuker/NDTVArlene diz não ser contra a vacinação, mas não concorda com a obrigatoriedade da imunização. Depois da morte do filho, a mãe passou a se envolver na internet com o compartilhamento de informações relativas às reações que podem ocorrer.
“Eu não sou contra a vacina, tanto que eu sou vacinada com as duas doses, e o meu marido também. Porém depois do que ocorreu com o Bruno, eu peço que as pessoas fiquem atentas se elas optarem por vacinar, e se tiverem reações adversas procurem o médico com urgência”, conta.
SeguirDepois da confirmação da causa da morte, Arlene diz sentir um misto de satisfação pelo reconhecimento. “O que esperamos a partir disso é que se torne público, porque as pessoas têm o direito de saber que existem reações adversas graves deste imunizante. E devem também ter a liberdade de escolher se querem ou não se vacinar. Esta é a minha luta, o meu propósito”, opina.
Duas mortes confirmadas no Estado
Dois óbitos causados por reações adversas à vacina já foram registrado no Estado no período de janeiro a 30 de setembro após a aplicação de 8.790.520 doses de vacinas. Os dois casos foram registrados no Vale do Itajaí.
A outra morte relacionada à vacina foi em Timbó, de uma mulher de 27 anos. Assim como o blumenauense, a vítima teve STT (Síndrome de Trombose com Trombocitopenia) após aplicação da Astrazeneca. Ambos os casos foram notificados e investigados pelas equipes de imunização estadual, regional e municipal, com apoio do Ministério da Saúde.
O trabalho de investigação está sendo realizado em todos os 26 Estados e um distrito federal do Brasil. Um boletim com informações atualizadas deve ser divulgado pelo Ministério da Saúde nos próximos dias.
Dados da DIVE-SC
Segundo a DIVE-SC, os EAPV (Eventos Adversos Pós-Vacinação) contra a Covid-19 em Santa Catarina representaram 0,1% do total de doses aplicadas na população catarinense no período de 18 de janeiro a 30 de setembro de 2021. Do total de 8.790.520 doses aplicadas nesse período, foram notificados 10.251 casos suspeitos de EAPV em todo o Estado.
Os dados fazem parte do primeiro Boletim Epidemiológico de Monitoramento dos EAPV relacionados à vacina contra a Covid-19 divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina nesta quarta-feira (10).Ainda, de acordo com a DIVE-SC, os benefícios da vacinação superam os riscos de eventuais eventos adversos, que são considerados raros e em sua grande maioria, leves e com boa evolução.
Santa Catarina registrou 19.736 mortes por Covid-19 até a última quarta-feira (9), o que equivale a uma taxa de mortalidade de 275 óbitos por 100 mil habitantes. No mês de março, durante o pior momento da pandemia no Estado, quando a cobertura vacinal ainda era baixa, a média móvel chegou a 136 óbitos por Covid-19 no período de 7 dias.
Atualmente, com uma cobertura vacinal acima de 62% da população total, o Estado tem registrado uma média móvel de 7,6 óbitos por Covid-19 nos últimos 7 dias, uma redução de 36% em relação ao período de 7 dias anteriores.