Um dia depois de completar quatro meses da perda da mãe Eva de Lima da Costa, de 64 anos, Jucemar da Costa, de 36, sofreu o impacto de mais uma perda: a do irmão mais velho, João Carlos da Costa, de 40 anos. Os dois, moradores de Ponte Serrada, no Oeste de Santa Catarina, foram vítimas de complicações causadas pela Covid-19.
Mãe e filho morreram com um intervalo de 4 meses. – Foto: Arquivo Pessoal/DivulgaçãoEva morreu às 14h30 do dia 4 de março, após ficar intubada na emergência do HRSP (Hospital Regional São Paulo), em Xanxerê, enquanto aguardava um leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ao todo, foram 14 dias de espera por um leito que nunca chegou.
“Ela sempre cuidava de tudo e todos. Dava carinho amor e atenção para quem estivesse perto. Amava ficar com os netos e gostava de ser mimada, todos amavam muito ela”, lembra o filho mais novo.
SeguirJucemar recorda que a mãe defendia a família com unhas e dentes. Com saudades ele guarda com carinho na lembrança as delícias feitas por sua mãe. “Fazia o melhor revirado, o melhor nhoque e o mais fofo e gostoso bolo de massa de pão do planeta”.
Segundo o filho, a palavra amor é o que define a vida da mãe. “Ela tinha amor pra dar e vender. Foi um anjo que desceu pra fazer uma bela família, cuidar e mostrar o que era o amor e a vida. Depois de ensinar, retornou para o seu lugar de origem ao lado de Deus”.
Jucemar com a mãe Eva. – Foto: Arquivo Pessoal/DivulgaçãoA perda do irmão mais velho
No dia 05 de julho, às 16 horas, Jucemar sofreu o impacto da segunda perda da família. O irmão mais velho, João Carlos da Costa, carinhosamente conhecido como Faustão, também morreu vítima da Covid-19.
Faustão era caminhoneiro e, conforme conta Jucemar, ele e a família contraíram o vírus em uma viagem para a cidade de Arcos, em Minas Gerais. Devido a gravidade da doença, teve 80% do pulmão comprometido e foi internado no HRO (Hospital Regional do Oeste), em Chapecó.
Conforme Jucemar, o caminhoneiro chegou a se recuperar após cerca de 20 dias de intubação. Voltou para casa, fez exames do pulmão e todos demonstravam que o órgão havia se regenerado.
Jucemar acompanhou o irmão durante a internação em Chapecó. – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação“Mas a traqueia dele foi muito prejudicada pelos tubos do oxigênio e acabou dando um problema que trancou a traqueia dele. No hospital São Paulo, em Xanxerê, tiveram que fazer uma traqueostomia de emergência nele e no mesmo dia já foi pra UTI e morreu”, conta o irmão mais novo.
João Carlos deixou esposa e cinco filhos. Para o irmão, ele era o melhor do mundo. “Sempre dizia que amava a família e era amigo de todos.
Amava a profissão. A estrada era a vida dele, tanto que o barulho de motor era o som favorito, o cheiro de estrada o oxigênio e o óleo de motor era o sangue dele”.
Jucemar conta que o irmão foi velado com honras de caminhoneiro ao lado de uma BR ao som de roncos de motor. “Foi um homem honesto, íntegro, trabalhador e um excelente pai de família. Ajudava qualquer pessoa que precisasse sem pensar duas vezes. Um homem grande que foi um grande homem”, afirma.
O vazio deixado pelas duas perdas jamais será preenchido na família de Jucemar. “Para nos que ficamos ficam as boas lembranças e ensinamentos, além de toda a gratidão pelo que vivemos. Saudades, muitas saudades, que escorre pelos olhos”.