A cidade de Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí, contabilizou nesta terça-feira (16) o maior número de vítimas da Covid-19 e m único dia. Foram cinco mortes registradas em 24 horas. Entre elas, mãe e filho.
Florentina Bennert Schroeder, 77 anos, e Vanderlei Schroeder, 44 anos, perderam a vida num intervalo de oito horas. Ambos estavam intubados no pronto-socorro do Hospital Bom Jesus aguardando vaga na UTI.
Mãe e filho morreram vítimas da Covid-19 em Ituporanga – Foto: ReproduçãoDe acordo com o boletim da prefeitura de Ituporanga, Florentina deu entrada na unidade no dia 8 de março e estava internada em leito clínico na ala respiratória.
SeguirNo último domingo (14) o quadro de saúde da idosa piorou. Ela precisou de ventilação mecânica e aguardava transferência para UTI. A morte foi registrada às 7h45 desta terça (16).
Vanderlei, deu entrada no mesmo hospital na segunda-feira (15). Foi direto intubado e também esperava no pronto-socorro por uma vaga em leito de terapia intensiva. Morreu um dia depois, por volta das 16h.
Despedida
Em ambos os casos não houve velório. Mãe e filho foram enterrados no Cemitério Evangélico na localidade de Rio Batalha, em Ituporanga. Nas redes sociais, amigos e familiares publicaram mensagens pela partida de Florentina e Vanderlei, que tinha Síndrome de Down.
“Descanse em paz junto com sua mãe, que sempre te cuidou com suas dificuldades. Minha prima Florentina cumpriu seu papel de mãe e levou seu filho junto com ela”, disse Arlete Waterkemper.
“Muito querido por todos e muito carinhoso, gostava de exibir seus anéis e abraçar todos que encontrava, sempre disposto pra uma conversa. Hoje também perdeu sua mãe, sabemos o quanto eram unidos, seu coração não saberia viver sem sua mãezinha. Fica nossa saudade, ainda sem acreditar em sua partida, diz a nota da Apae, entidade que Vanderlei frequentava.
Um apelo
Camila Laurindo, neta de Florentina e sobrinha de Vanderlei fez um apelo à comunidade para que todos se cuidem:
“Coração se parte em pedaços. Eu suplico a todos que se cuidem e levem as medidas de restrição e de distanciamento mais a sério. Não passem pelo que minha família passa hoje.
Dona Florentina e o meu tio Nego, como carinhosamente os chamamos, tinham uma história, uma família. Minha avó não conhecerá a bisneta, meu tio não conhecerá a sobrinha. Vidas interrompidas e não, não precisava ser assim.
Só eu e minha família sabemos o quanto eles se cuidaram durante mais de um ano. Não acreditem que só uma visitinha “não vai dar nada” ou que máscara é só para entrar no comércio. Estamos sim em uma pandemia e o sistema de saúde colapsou!
Não são números, são pessoas”.