Mãe passa anticorpos contra a Covid-19 para filho no Sul de SC; entenda

Exame aponta que Joaquim de dois anos tem anticorpos contra a Covid-19 que foram passados através da amamentação pela mãe dele Maryucha de Oliveria, após ela ser vacinada em Tubarão

Redação ND Criciúma

Receba as principais notícias no WhatsApp

Através da amamentação a fisioterapeuta Maryucha Miranda de Oliveira passou anticorpos contra Covid-19 para o filho Joaquim de dois anos em Tubarão, no Sul de Santa Catarina. A notícia trouxe alegria para a família, já que a criança possui uma doença autoimune, a Púrpura Trombocitopenica Idiopática (PTI).

“Foi incrível, porque desde o início da pandemia a médica dele, Dra. Joana Sacheti, lá do Hospital Joana de Gusmão, pedia pra gente cuidado o máximo, porque não sabíamos o que poderia acontecer se a gente ou o Joaquim contraísse a Covid-19. Por conta dessa condição dele, nós estamos desde ano passado sem sair pra quase nada”, conta o esposo de Maryucha e pai de Joaquim, o jornalista Luiz Henrique Fogaça.

Ela trabalha na Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Tubarão e foi imunizada com duas doses da vacina AstraZeneca no início do ano, enquanto, ainda, amamentava Joaquim. A primeira dose foi aplicada em março, em abril Joaquim fez dois anos e no mês de maio foi aplicada a segunda dose do imunizante.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

“Joaquim foi amamentado até os seis meses apenas pelo leite materno e, a partir daí, começamos a introdução alimentar. Quando tomei a vacina da Covid-19, em março, ele estava sendo amamentado apenas para dormir e nas madrugadas. Então eram bem poucas mamadas”, destaca ela.

Maryucha e o esposo Luiz comemoraram a notícia de que Joaquim tinha anticorpos contra Covid-19 – Foto: Arquivo Pessoal/NDMaryucha e o esposo Luiz comemoraram a notícia de que Joaquim tinha anticorpos contra Covid-19 – Foto: Arquivo Pessoal/ND

Devido a condição de saúde, Joaquim faz exames semanais no Hospital Infantil Joana de Gusmão em Florianópolis. E foi em uma dessas idas à capital que o casal decidiu fazer o exame que detecta a presença de anticorpos.

“Nunca tivemos dúvidas de tomar a vacina, tínhamos dúvida se realmente passava ou não o anticorpo para a criança”, lembra. “Acabamos sendo agraciados pela resposta que apesar do índice ser baixo, de 20% da imunização, mas que prova sim que o Joaquim tem um pouco de anticorpos passados pelo leite materno porque a mãe foi vacinada contra o covid-19’, completa a fisioterapeuta.

O casal decidiu tornar pública a descoberta para alertar as mães para a importância da vacinação contra a Covid-19 e, também, da amamentação.

“O objetivo nosso de divulgar essa nossa notícias é incentivar o aleitamento materno e dizer que a amamentação passa sim os anticorpos da mãe para a criança”, explica Maryucha.

Fundação de Saúde acompanha casos

Como uma forma de estudo, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Tubarão acompanha o caso de Joaquim para avaliar como irão evoluir os anticorpos contra a Covid-19. A Fundação já acompanha, também, como forma de estudo, o caso da médica Talita Menegali Izidoro que se imunizou enquanto estava grávida e o filho dela nasceu com anticorpos.

“É normal que aconteça isso. É bom saber que agora a questão das vacinas estão imunizando os bebês, e por isso, também, abrimos para as lactantes. Isso comprova que as vacinas estão funcionando, agora vamos monitorar para ver como vai evoluir esses anticorpos. Daqui a um mês e meio ela irá repetir o exame”, projeta o diretor-presidente da FMS, Daisson Trevisol.

Para ele, isso mostra a importância da vacinação nas mães lactantes que iniciou na última semana em todo o Estado. “Estamos seguindo o calendário do Estado para a vacinação das lactantes, e está liberado para mães que tenham bebês de até um ano de idade. No dia três de julho será liberado para mães com criança entre um e dois anos de idade. A vacinação está seguindo bem”, ressalta o diretor-presidente.

Exame comprovou que anticorpos da Covid-19 obtidos pela vacinação passam de mão para filho através da amamentação  – Foto: Arquivo Pessoal/NDExame comprovou que anticorpos da Covid-19 obtidos pela vacinação passam de mão para filho através da amamentação  – Foto: Arquivo Pessoal/ND

Vacinação de pessoas com 41 anos

Em Tubarão a vacinação já está ocorrendo em pessoas com 41 anos ou mais e, também, nos grupos prioritários. Porém algumas pessoas, ainda, insistem em escolher a marca da vacina que irá ser aplicada.

“Está indo bem a vacinação. As pessoas que estão faltando, que não estão indo são as que querem escolher a marca da vacina,. Aí esperam o momento que tenha a que eles querem. Estamos seguindo em frente e conseguimos ampliar a idade devido já termos imunizado todos os profissionais da Saúde e da Educação”, afirma Daisson.

Jovens internados na maioria dos casos

Além disso, Daisson destaca que a maioria dos casos de internação registrados na Amurel (Associação de Municípios da Região de Laguna), atualmente, são de pessoas com menos de 55 anos. Fato que mostra que a vacinação tem funcionado.

“É uma prova de que coletivamente a vacina tem funcionado independente de qual for. Até porque nos mais de 60 anos, uma grande parte foi CoronaVac e AstraZeneca e todas elas tem mostrado eficácia”, finaliza o diretor-presidente.

Tópicos relacionados