Com 140 mil ‘sumiços’ para 2ª dose, volta à normalidade pode ficar comprometida em SC

Taxa quase alcança a população total do município de Balneário Camboriú, no Litoral catarinense; faltantes são risco para a chamada “imunidade de rebanho” e retomada da normalidade

Bruna Stroisch Florianópolis

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Santa Catarina registra 143.563 pessoas que não retornaram para tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19, conforme o período recomendado pelo fabricante. Os dados são do SiPNI (Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações), do Ministério da Saúde, desta segunda-feira (2).

Mais de 140 mil pessoas não estão em dia com a 2ª dose da vacina da Covid-19 em SC- Foto: Lucas Sabino/Prefeitura Nova Veneza/NDMais de 140 mil pessoas não estão em dia com a 2ª dose da vacina da Covid-19 em SC- Foto: Lucas Sabino/Prefeitura Nova Veneza/ND

O número corresponde a 3,9% de todas as pessoas que foram vacinadas até esta quarta-feira (4) com a primeira dose, de acordo com o Vacinômetro. Em meados do mês de julho, o registro era de 85.741 “sumidos”.

Por pouco, a taxa atual não alcança a população do município de Balneário Camboriú, no Litoral catarinense, estimada em 145.796, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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Do total, 66.760 não completaram a imunização com a Coronavac e 76.802, com a Astrazeneca. Vale ressaltar que o intervalo recomendado entre a aplicação da dose um e dois da Coronavac é de 28 dias e da AstraZeneca, de 10 semanas.

Ameaça à normalidade e “imunidade de rebanho”

Como o ND+ informou no último mês, os faltantes representam um risco para que seja alcançada a “imunidade de rebanho” em Santa Catarina. Especialistas indicam que o chamado “número mágico” é a imunização de ao menos 70% da população com as duas doses da vacina contra a Covid-19. Hoje, a porcentagem em SC está em 21%.

Um número expressivo de pessoas sem a segunda dose, caso registrado, comprometeria a imunidade coletiva e a volta à normalidade. É necessário uma força-tarefa para garantir que ninguém fique para trás.

Para o epidemiologista e professor do Departamento de Saúde Pública da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Fabrício Augusto Menegon, quando há um contingente de pessoas, ainda que pequeno, que não retorna para a aplicação da segunda dose, a estratégia de imunização do Estado acaba sofrendo consequências.

“Se o número de pessoas que não voltaram para a imunização completa continuar aumentado e passar, por exemplo, dos 20%, teremos um grande risco de não conseguirmos frear a pandemia. Comprometeria a imunidade coletiva e a volta à normalidade”, alerta.

O superintendente de vigilância em saúde, Eduardo Macário, alerta para a importância de receber a segunda dose. “Completar o esquema vacinal com as duas doses é essencial, além de manter os cuidados como o uso de máscaras, higienização e distanciamento social”, ressalta Eduardo Macário.

A médica infectologista Carine Kolling diz que o grande risco de não completar a imunização é de não obter o resultado esperado: a prevenção de formas graves de Covid-19 e a redução da mortalidade.

“Temos que ter em mente que as vacinas que estão disponíveis no momento têm recomendação de duas doses. Elas foram desenvolvidas desta forma e a eficácia, até o momento, depende da administração das duas doses”, reforça a infectologista.

Mesmo atrasado, é necessário tomar a 2ª dose

O PNI (Plano Nacional de Imunização) orienta que as pessoas tomem a segunda dose o mais rápido possível, mesmo quando já foi vencido o prazo de intervalo previsto em bula. É “improvável que haja prejuízo na resposta imune”, informa o plano.

O documento ainda reforça que ficar sem tomar a segunda dose é preocupante. Isso porque o paciente fica exposto ao vírus, pois não qualquer comprovação de eficácia com apenas uma dose. A primeira dose faz com que o organismo reconheça que a proteína é estranha e comece a produzir anticorpos, mas não de forma eficaz, detalha.

Já a segunda aprimora a produção, com maior e mais qualidade. E gera a chamada “memória imunológica”: “o linfócito lembra a longo prazo da proteína estranha”, explicou o médico infectologista Rogério Sobroza de Mello, em reportagem publicada no dia 13 de julho.

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