Uma doença invasiva, rara e grave. A mucormicose, popularmente conhecida como “fungo negro” é incomum e, quando anunciado o caso suspeito em Joinville, no Norte de Santa Catarina, a população acendeu mais uma vez o alerta. No entanto, a cidade já registrou ao menos um caso da doença, em 2018, revelou o médico infectologista Marcelo da Silva Mulazani, na manhã desta segunda-feira (31). O caso de três anos atrás foi identificado em um paciente com câncer.
Provável caso de mucormicose (fungo negro) é acompanhado pela Secretaria da Saúde de Joinville – Foto: ReproduçãoDe acordo com o médico, que trabalha no setor de Vigilância em Saúde do município, o caso investigado, de um homem de 52 anos que está internado em um hospital privado da cidade segue o “padrão” da doença, que ressalta o médico, “não é nova”. O paciente apresenta um quadro de diabetes, o que altera o sistema imunológico e potencializa a ação do fungo. O caso investigado em Joinville é de um paciente que teve Covid-19, que chamou atenção para uma possível relação entre as duas doenças.
“A mucormicose é considerada uma doença invasiva. É uma doença que tem tratamento específico, com medicações antifúngicas e em alguns casos com cirurgia para retirar o tecido morto. As pessoas que desenvolvem a mucormicose já tem um quadro mais grave. Ela é uma doença grave, mas principalmente pela doença de base do paciente”, explica.
SeguirO infectologista ressalta que a doença já existe e, por isso, há um protocolo conhecido de tratamento e medidas, como uso de antifúngicos e procedimento cirúrgico em alguns casos. Ele salienta que o protocolo de tratamento já está bem estabelecido e a conduta é a de vigiar a apresentação de casos para evitar complicações. “É uma doença que ataca pessoas com deficiência imunológica e isso pode ocorrer por diversos fatores. É uma doença oportunista e que prevalece da fragilidade da imunidade das pessoas”, reforça.
A relação com a Covid-19, no entanto, não é confirmada. “Essa correlação com a Covid ainda está sendo estudada mundialmente, se existe um outro fator de risco, ainda existem lacunas, mas nos próximos meses devemos ter algo mais concreto com relação a essa possível associação”, fala.
Médico infectologista Marcelo da Silva Mulazani explica a ação do fungo negro – Foto: Kelly Borges/NDTVMulazani salienta, ainda, que a cidade é suscetível à ocorrência do fungo devido à umidade da região. Além disso, ele dá dicas de como prevenir a incidência com cuidados em casa. “Joinville é úmida e isso torna complicado e suscetível. Então, é recomendado deixar a casa arejada, evitar a formação de mofo, cuidar com alimentos para não formar mofo e acabar ingerindo”, dz.
O Ministério da Saúde acompanha o passo a passo desde que foi informado sobre a suspeita. O caso em investigação foi detectado em biopsia, no entanto, a confirmação só será possível por meio de exame que ainda não tem prazo para ser liberado.
Mais de 9 mil mortes foram registradas na Índia
A epidemia de fungo negro na Índia chamou a atenção nas últimas semanas e, na América do Sul, casos foram confirmados no Uruguai e no Paraguai. No país indiano, mais de 9 mil mortes foram registradas, no entanto, o médico salienta que não há motivo para preocupação e para pensar que o fungo negro se espalhará em pandemia, como a Covid-19.
Na Índia, a associação está sendo estudada porque os pacientes haviam recebido suporte de oxigênio por meio de cilindros. Porém, o médico salienta que há diversos fatores que explicam os casos, como a umidade, a temperatura e as características sanitárias do ambiente.
Além disso, a mucormicose se torna mais grave em pessoas com deficiência imunológica e a Covid-19 ataca o organismo dos pacientes, o que potencializa a ação do fungo.
Mucormicose
O termo fungo negro é popularmente utilizado para se referir à mucormicose, uma infecção causada por um fungo da classe Zygomycetes e ordem Mucorales.
É considerada uma infecção fúngica grave e rara, originária de microrganismos que vivem em diversos ambientes, particularmente no solo com matéria orgânica em decomposição, como folhas, adubo ou madeira.
A mucormicose é contraída por pessoas que entram em contato com os esporos fúngicos. Indivíduos diabéticos, com doenças onco-hematológicas ou que utilizam medicamentos imunossupressores são mais suscetíveis à contaminação.
Em casos graves, a mucormicose pode evoluir para coma e óbito. A infecção, que geralmente se manifesta na pele, pode espalhar-se para outras partes do corpo.