Alarmante. Assim o secretário de Saúde de Joinville, Jean Rodrigues da Silva, definiu a situação da maior cidade de Santa Catarina em relação à pandemia do coronavírus. O município tem quase 30 mil casos confirmados da doença e, destes, mais de quatro mil estão ativos.
“Estamos com muitos casos ativos em circulação. Tivemos mil casos confirmados num período de três dias. Se usarmos a métrica, 5% das pessoas com casos ativos vão precisar de internação hospitalar. Fazendo a matemática, o cenário é difícil”, avalia Jean.
Hospitais públicos, como o São José, estão com 83% dos leitos ocupados – Foto: Prefeitura Municipal de Joinville/NDA principal preocupação é conter a circulação do vírus para impedir a necessidade de ainda mais internações. Nesta quinta-feira (3), 92% dos leitos de UTI Covid destinados a adultos estão ocupados, restando apenas oito vagas. “Estamos trabalhando fortemente para conter a circulação do vírus e se preparar para o rescaldo dos casos ativos. Vamos ter dias bem difíceis”, diz o secretário.
SeguirAs cirurgias eletivas já foram canceladas e a previsão é de que vinte novos leitos sejam abertos nos próximos 15 dias na rede pública. Porém, como eles devem ser imediatamente ocupados, o maior desafio é mesmo impedir a circulação do vírus. Caso contrário, segundo Jean, nem a rede pública nem a privada vão conseguir dar conta da demanda. Atualmente, pacientes já têm sido transferidos para outras cidades, como Videira, Itajaí, Canoinhas e Mafra.
Embora o número de mortes relacionados à doença ainda esteja estável, o secretário acredita que eles devem aumentar em 30 dias. “As mortes vão aparecer, infelizmente, tem uma sequência lógica de casos ativos, internações e mortes. A internação hospitalar dura um período médio de 23,3 dias na UTI, então há um delay de 30 dias para frente. Vamos ter volume considerável de óbitos”, analisa.
Para ele, as liberações necessárias para o giro da economia feitas em outubro e novembro fizeram com que as pessoas tivessem a sensação de que não havia mais com o que se preocupar, gerando um descuido por parte da população.
Ele orienta que, mais importante do que fazer o exame, é se isolar assim que apresentar sintomas. Quem tiver sintomas leves, pode entrar em contato com o Ligue Saúde e obter recomendações sobre o que fazer. Já quem apresentar febre e falta de ar deve procurar um médico imediatamente.
“O resultado do exame é o que menos importa. Se tem sintoma, tem que se isolar. Se não for Covid, é uma síndrome respiratória que também pode ser passada para outras pessoas e pode sobrecarregar ainda mais o sistema”, avisa Jean.
*Com informações da repórter Kelly Borges, da NDTV Joinville.