Morador de Florianópolis lamenta remoção de milhares de bromélias; entenda

Dono de um terreno no bairro Córrego Grande conta que retirou cerca de 3.000 bromélias de um terreno seu por orientação do poder público

Nícolas Horácio Florianópolis

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Entre as orientações do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) para conter a proliferação do mosquito da dengue em Florianópolis está a remoção de plantas como as bromélias, que acumulam água, tornando-se um criadouro para o mosquito. O CCZ segue a cartilha da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) para combater o Aedes aegypti.

Bromélias removidas por causa de focos do mosquito da dengueMorador do Córrego Grande disse que tirou bromélias de um terreno e vai tirar de outro – Foto: Divulgação/ND

No leque de medidas aparecem outros cuidados, como evitar o uso de pratos nos vasos de plantas, manter lixeiras tampadas e vedar depósitos de água, principalmente caixas d’água.

Embora entendam a importância do trabalho, alguns moradores lamentam quando precisam remover plantas cultivadas há anos. É o caso de Janete Ratuchenski, 64 anos, moradora do bairro Santa Mônica, que teve bromélias retiradas do seu jardim após orientação da prefeitura.

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Moradora também teve bromélias removidas por causa de focos do mosquito da dengueAs bromélias do jardim de Janete, também foram removidas – Foto: Leo Munhoz/ND

“Eu, que gosto muito de jardim e planta, lamento, porém, se é necessário, tem que ser feito. Se é um hospedeiro de mosquito da dengue, que é prejudicial à saúde pública, dou o maior apoio para que seja feito”, diz Janete.

Ideraldo Rafael Rosa, 62 anos, passou pela mesma situação em março de 2021 num terreno que tem no Córrego Grande. “Eu tinha quase 3.000 bromélias e retirei tudo”, conta o aposentado. “Segui a orientação. Com o coração na mão, mas segui. E, na casa onde eu moro, temos cerca de 80 bromélias e eles disseram que vamos precisar retirar também”, completa.

O CCZ contabiliza um foco sempre que o agente identifica um mosquito – seja adulto, seja na forma aquática. “Passamos a quantidade de foco nos dois primeiros meses do ano passado. Tudo indica que vamos chegar em uma quantidade bem importante. Se tem o mosquito que é o vetor da doença, nós temos, provavelmente, pessoas doentes”, lamenta a bióloga Priscilla Tamioso, do CCZ.

Bromélias removidas por causa de focos do mosquito da dengueParte do jardim de bromélias destruídas no jardim de Ideraldo – Foto: Divulgação/ND

Nos dois primeiros meses de 2022, Florianópolis teve 34 casos confirmados de dengue e um de chikungunya. “É uma situação bem preocupante, porque além do mosquito, temos a circulação viral”, comenta Priscilla.

Trabalho não parou na pandemia

O CCZ não parou seu trabalho na pandemia, mas adaptou. Antes, era feito tanto no interior das casas como nos pátios. Hoje, restringe-se aos pátios. “Imaginávamos que, por conta da pandemia, haveria maior cuidado, mas não. Às vezes, no mesmo imóvel identificamos vários focos”, diz a bióloga Priscilla Tamioso, que defende a expansão da equipe do CCZ para fazer frente ao volume de trabalho.

O CCZ faz mutirões nos bairros desde setembro de 2021, priorizando os infestados, mas também visitando os não infestados. Além dos mutirões, atende denúncias que chegam à prefeitura.

Outra atividade é o monitoramento de locais vulneráveis à proliferação do mosquito da dengue, como borracharias, ferros velhos e recicladoras. Esse trabalho é quinzenal e intercala um itinerário com cerca de 380 pontos estratégicos no município.

Além disso, é feito o monitoramento de cerca de 1.100 armadilhas espalhadas pelo município para captura do mosquito na forma aquática. A aplicação de inseticida é a última atividade realizada para controle do Aedes aegypti.

Agentes têm observado plantas, vasos, baldes, piscinas e outros locais propícios ao mosquito da dengue – Foto: Fotos: Marcos Albuquerque/PMFAgentes têm observado plantas, vasos, baldes, piscinas e outros locais propícios ao mosquito da dengue – Foto: Fotos: Marcos Albuquerque/PMF

O produto deve ser aplicado em duas situações: surtos ou epidemias, o que não é o caso de Florianópolis. A segunda situação é a aplicação em áreas infestadas com casos confirmados de dengue e chikungunya.

“Como a maior parte dos nossos bairros está infestada, e temos recebido casos confirmados de dengue, a partir dos endereços fornecidos pelos pacientes, se for um bairro infectado, abrimos um raio de 150 metros e o produto deve ser aplicado nesse raio”, diz Priscilla.

Bairros não infestados pelo Aedes aegypti em Florianópolis

  • Açores Alto Ribeirão
  • Armação do Pântano do Sul
  • Cacupé
  • Caiacanga-Açu
  • Caieira da Barra do Sul
  • Costa da Lagoa
  • Costa de Dentro
  • Costeira do Ribeirão
  • Daniela
  • Pântano do Sul
  • Praia Brava
  • Ratones
  • Ribeirão da Ilha
  • Sambaqui
  • Santo Antônio de Lisboa
  • Vargem do Bom Jesus
  • Vargem Pequena

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