Após 36 anos, morador de São Francisco do Sul reencontra mãe para transplante

Designer gráfico Marcus da Silva, de 36 anos, trata um tipo raro de câncer no sistema linfático e precisou reencontrar a mãe após ter sido separado ainda durante o parto, em Rio Negro (PR)

Redação ND Joinville

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Há três anos, o designer gráfico Marcus Oliveira da Silva, de 36 anos, morador de São Francisco do Sul, não imaginava reencontrar a mãe biológica. Durante toda a vida ele não sentiu necessidade de conhecer quem o havia colocado no mundo e esse não era um desejo. Afinal de contas, os pais adotivos sempre o trataram com amor e carinho, mas um grave problema de saúde mudou toda essa história. 

Marcus e dona Ovanda se reencontraram após 36 anos. – Foto: Reprodução/Record TVMarcus e dona Ovanda se reencontraram após 36 anos. – Foto: Reprodução/Record TV

Em tratamento de uma doença no sistema imunológico e sem mais opções de tratamento, Marcus viu nas origens e no laço sanguíneo a melhor chance de cura. Ele precisa de um transplante e a maior compatibilidade para um bom transplante seria a partir de um parente biológico.

Esse reencontro não foi fácil. Foram 3 anos de idas e vindas atrás do nome que poderia salvar a vida de Marcus. Apenas no final de dezembro, com uma ajuda especial da produção do Domingo Espetacular, da Record TV, que dona Ovanda dos Anjos foi localizada. A mãe de Marcus estava em Papanduva, cidade que fica a 3 horas de Joinville – onde Marcus morou até novembro de 2020.

O encontro emocionante

O abraço apertado e o carinho da mãe com o filho foi também acompanhado de muitas lágrimas, que Marcus entendeu logo como um pedido de perdão. “tudo bem”, disse ainda em meio ao abraço materno.

“Primeiramente eu quero te pedir perdão”, falou dona Ovanda com a voz embargada pelo choro. “Não precisa pedir perdão. Deus conhece o teu coração”, respondeu Marcus.

A mãe biológica relata ter sido informada da morte do filho ainda durante o parto, em uma maternidade na cidade de Rio Negro, no Paraná. “Eu era uma pessoa humilde e não tinha como correr atrás”, disse a mãe. 

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O pai de Marcus era cantor e fazia dupla com um primo de Ovanda. Os dois chegaram a se mudar para Curitiba, mas ela logo voltou para Santa Catarina. “Mas ele não era apenas homem de uma mulher”, relembra. Em casa novamente, ainda sofreu com a repressão do pai, que não aceitava a filha ser mãe solteira.

Após o emocionante encontro, Marcus comentou que não tinha ideia do que ia falar no momento. “Foi algo que veio do Espírito Santo, não veio da carne”, disse Marcus.

“Não carrego nenhuma mágoa. A gente tem se falado todos os dias. Um dia após a gravação, ela perguntou se eu ia esquecer dela, se eu a deixaria de lado. Não tem por que fazer, não poderia fazer isso. Não é a forma de um cristão encarar as coisas. Devemos amar o próximo como a nós mesmos e o que dizer da mãe biológica”, complementou.

O que é Linfoma de Hodgkin

O Linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que atinge o sistema linfático, que defende o organismo. André Guedes Vieira, médico hematologista, explica como a doença se desenvolve.

“Uma célula desse sistema imunológico tem uma mutação e começa se proliferar sem parar, observando o aumento dos linfonodos (ínguas), pode ter aumento do baço, do fígado e infiltração de outros órgãos com a medula óssea”, detalhou o especialista.

A doença é rara no Brasil. Apenas 2.640 brasileiros foram diagnosticados no último ano, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer). O tratamento do Linfoma de Hodgkin envolve sessões de radioterapia e quimioterapia e com a possibilidade de realizar o transplante de medula óssea.

A primeira opção de tratamento do Linfoma de Hodgkin é o transplante autólogo, em que a célula tronco é retirada da própria pessoa. Quando esse tipo de tratamento falha, é preciso partir para o transplante alogênico – a partir de um doador – que é agora o caso de Marcus, que já tentou a primeira opção, mas sem sucesso.

Incerteza sobre tratamento

Antes do transplante, no entanto, Marcus precisa de uma medicação especial que o plano de saúde está se negando a dar. Em nota à Record TV, a Unimed Florianópolis afirmou que o pedido “está em análise e que as solicitações anteriores tiveram parecer desfavorável porque a bula para o medicamento solicitado não está prevista para o tratamento sugerido a Marcus”.

Marcus morou a vida inteira no bairro Guanabara, na Zona Sul de Joinville, e mais recentemente se mudou para a casa dos pais em São Francisco do Sul, onde consegue ter mais conforto e qualidade de vida durante o tratamento. E é de lá que ele aguarda um desfecho positivo para uma história que já trouxe muito mais do que ele poderia imaginar.

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