‘Morre, e ninguém sabe’: planos de saúde ‘disparam’ em reclamações no Brasil em 10 anos

Reclamações bateram recorde 9 dos últimos 10 anos; planos de saúde são monitorados pelo atendimento

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Redação ND Florianópolis

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Agendar um exame no laboratório e descobrir que o plano de saúde não cobre mais. Marcar uma consulta, mas só conseguir para daqui a meses. Levar um susto com o aumento alto no preço do plano de saúde. Esta é a realidade de muitos brasileiros.

Em informação divulgada nesta quinta-feira (14) pelo governo federal, uma pesquisa mostra que em 9 dos últimos 10 anos, os planos de saúde lideraram as reclamações de consumidores do país.

Planos de saúde recebem muitas reclamações Planos de Saúde lideram reclamações no Brasil – Foto: Unsplash/Divulgação/ND

A pesquisa foi feita pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). As queixas incluem dúvidas sobre contratos, falta de informações e aumentos de preço.

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No Brasil, cerca de 50 milhões de pessoas têm planos de saúde.

“Aumenta muito rápido. De repente, dão dois aumentos ao mesmo tempo, tanto pela idade, quanto pelo aumento anual”, reclama a comerciante Evani Aparecida da Rocha, em entrevista para a Agência Brasil.

Para a analista de sistemas Elisabete Alexandre, o problema é o preço. “Mesmo se faz plano individual ou familiar, ou coletivo, o preço é bem salgado. É difícil manter”, aponta.

Apesar de as empresas serem obrigadas por lei a manter o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) e ouvidoria, é comum os problemas não serem resolvidos no contato direto com as operadoras de plano de saúde.

“Mesmo deixando e-mail, eles nunca fazem uma devolutiva que seria importante para a gente entender também quais são os trâmites internos deles. Você liga para o SAC, morre e ninguém sabe o que aconteceu”, acrescenta o técnico em segurança do trabalho Mateus Duarte.

Regulação dos planos de saúde

De acordo com o governo federal, os hospitais privados estão com problemas nas contas porque as operadoras de planos de saúde não estão pagando as contas a tempo. Isso afeta 48 hospitais, que estão esperando mais de R$ 2,3 bilhões, o que representa mais de 15% do dinheiro que eles ganham. Os hospitais dizem que as operadoras estão demorando cada vez mais para pagar.

Planos de saúde no Brasil Planos de saúde lideram reclamações  – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

O governo regula o setor de planos de saúde através da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que define um limite para o quanto eles podem aumentar os preços a cada ano. Mas esse limite só vale para quem tem plano sozinho, não para quem tem plano em grupo, o que significa que o preço desses planos pode subir muito, até 20% ou 30%. Por isso, muitas pessoas acham que o governo deveria regular também os planos em grupo.

A ANS diz que está pensando em mudar as regras para os planos em grupo, mas não da mesma forma que para os individuais. Eles também dizem que estão monitorando para garantir que as pessoas tenham atendimento.

Sobre o dinheiro que os hospitais estão esperando, a Associação Brasileira dos Planos de Saúde diz que as operadoras estão revisando os serviços porque muitas vezes são cobrados procedimentos que não foram feitos.

A associação afirma que as operadoras tiveram um prejuízo de mais de R$ 4 bilhões este ano, em grande parte por causa dessas cobranças erradas. Eles dizem que todos os procedimentos serão pagos, mas estão fazendo análises para evitar fraudes.

Quem regula os planos de saúde no Brasil?

Os planos de saúde no Brasil são regulados pela ANS. A agência é uma reguladora federal que tem como objetivo fiscalizar e regulamentar o setor de planos de saúde no país, protegendo os direitos dos beneficiários e garantindo a qualidade dos serviços oferecidos pelas operadoras de planos de saúde.

Ela estabelece normas, regras e critérios para o funcionamento das operadoras, além de controlar os reajustes de preços e monitorar a qualidade do atendimento prestado aos pacientes. A ANS desempenha um papel fundamental na supervisão e na regulamentação desse setor para assegurar que os beneficiários tenham acesso a cuidados de saúde de qualidade e adequados.

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