A morte repentina de Cruz Achilles, um menino de 5 anos de Brisbane, na Austrália, chocou o país no mês de maio. O garoto, que estava completamente saudável, foi posto para dormir, como em qualquer noite normal. Porém, ele nunca mais acordou.
Cruz, 5, faleceu em maio devido a morte súbita infantil, uma condição cuja causa é desconhecida – Foto: Reprodução/GoFundMePara arcar com as despesas do funeral, a família de Cruz começou uma vaquinha no GoFundMe, arrecadando mais de 8,7 mil dólares australianos (cerca de R$ 31,5 mil) em um mês.
“Cruz era um farol de amor e luz, um guerreiro que encheu nossas vidas de alegria e risos. Ele era um menino saudável que foi dormir uma noite e nunca mais acordou. Ele não tinha nenhuma doença, lesão ou sinal de alerta anterior”, escreveu Siobhan Cameron, tia do menino, na descrição da vaquinha.
SeguirO que é a morte súbita infantil
A morte súbita infantil ocorre quando uma criança vem a óbito de maneira inesperada, sem que apresente nenhum problema de saúde e sem que a autópsia consiga apontar a causa. Ela ocorre enquanto a criança está dormindo.
Ainda não se sabe em que momento do sono a morte ocorre. A causa da morte súbita também é desconhecida, o que torna difícil solucionar esse mistério da medicina infantil.
O diagnóstico da morte súbita infantil ocorre por exclusão. Ou seja, quando não é possível determinar a causa exata da morte e a criança não apresentava problemas anteriores, a morte é dada como súbita e inexplicável.
Ela ocorre com maior frequência em crianças até 24 meses. Quando acomete crianças dessa faixa etária, ela é chamada de morte súbita do lactente.
A morte súbita infantil ainda segue um mistério da medicina, com seu diagnóstico sendo feito por exclusão – Foto: Christopher Hope-Fitch/Getty ImagesSegundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o Brasil não possui estatísticas oficiais sobre a incidência da morte súbita infantil.
De acordo com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, a morte súbita de crianças com menos de 12 meses acomete 54 a cada 100 mil crianças no país. Quando se trata de crianças com mais de 12 meses, a condição torna-se mais rara, com a taxa sendo de 1,5 a cada 100 mil.
Prevenção da morte súbita infantil
Apesar de a causa e a cura da morte súbita infantil serem desconhecidas, sabe-se que existem fatores de risco que podem tornar a saúde da criança mais frágil, especialmente no momento do sono.
Os pais ou cuidadores devem estar atentos às crianças, especialmente bebês, quando dormem, para prevenir que algo ruim aconteça durante o sono – Foto: javi_indy/FreepikO Manual MSD, um livro de consulta para médicos e farmacêuticos, dá algumas orientações para que se diminuam as chances da criança vir a óbito durante o sono, entre elas:
- Evitar que a criança durma de barriga para baixo ou de lado, dando preferência à posição supina (com a barriga para cima).
- Não deixa a criança ficar muito quente ou muito fria durante o sono, evitando embrulhá-la demais, cobrir a sua cabeça ou deixá-la destapada em dias mais frios.
- Ter cuidado com as roupas de cama, evitando colchões e travesseiros muito macios (que possam “afundar” a cabeça ou o corpo da criança), bem como ter atenção a brinquedos de pelúcia, cobertores soltos, lençóis desencaixados, forros de colchão e cobertas muito pesadas.
- Se for um bebê lactente, recomenda-se que durmam no quarto dos pais/cuidadores, perto da cama, em uma superfície separada projetada para bebês (geralmente berços), mas sem compartilhar leito.
- Não permitir que fumem qualquer tipo de cigarro (incluindo eletrônicos) perto do bebê. Fumar, usar drogas e consumir bebidas alcoólicas durante a gravidez e após o nascimento também é fortemente não recomendado.
É importante ressaltar que nenhuma dessas orientações garante que a morte súbita infantil não ocorra, mas servem para garantir que a criança tenha um sono saudável.