O Painel de Casos de Covid-19 mostra que entre 8 e 10 de setembro não houve registro de mortes em Santa Catarina – um recorde de três dias. É a maior sequência de dias sem óbitos registrada em 2022 no Estado. O número de casos ativos também atingiu o menor patamar no ano.
Santa Catarina teve três dias sem mortes em setembro, segundo o painel de casos da Secretaria Estadual de Saúde – Foto: Arquivo/Leo Munhoz/NDEntre os dias 3 e 9 de setembro, segundo dados do Necat/UFSC (Núcleo de Estudos da Economia Catarinense), a média de casos diários caiu de 748 para 381 registros, se comparado à semana anterior. Menos de duas mil e quinhentas pessoas continuavam infectadas no período.
“Mesmo que a circulação do vírus ainda continue expressiva no estado, registre-se que esse foi o menor patamar do indicador no ano de 2022”, ressalta o Necat. Entre 11 e 12, 3 mortes foram registradas no Estado. Até esta quarta-feira (14), Santa Catarina perdeu 20 pessoas para a Covid-19.
SeguirSegundo o boletim, o início de setembro parece indicar um novo cenário para a pandemia. Isso porque “na primeira semana do referido mês ocorreu uma forte redução dos novos registros diários da doença no estado”, pontua o Núcleo.
A ocupações dos leitos no período reduziu ligeiramente em relação à semana anterior. Três regiões (Foz do Itajaí, Sul e Meio Oeste/Serra) não tinham nenhuma ocupação por Covid-19. A Grande Florianópolis manteve o mesmo percentual de ocupação da semana anterior.
Duas regiões (Planalto Norte-Nordeste e Grande Oeste) ampliaram a taxa de ocupação por Covid-19, registra o Necat. No entanto, todas as regiões os percentuais de internações em UTIs por Covid-19 ficaram abaixo de 4%.
Otimismo mundial
A esperança com a melhora nos índices é mundial. Nesta quarta-feira (14) o diretor da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta quarta-feira (14) que o mundo “nunca esteve tão perto de acabar com a pandemia” de covid-19.
“Na semana passada, o número de mortes semanais por covid-19 caiu para seu nível mais baixo desde março de 2020. Nunca estivemos em melhor posição para acabar com a pandemia. Ainda não terminou, mas seu final está ao alcance das mãos”, garantiu o doutor Tedros em coletiva de imprensa.
“Alguém que corre uma maratona não para quando vê a linha de chegada. Corre mais depressa, com toda a energia que restar. E nós, também”, afirmou a maior autoridade da OMS.
“Todos podemos ver a linha de chegada, estamos prestes a vencer. Seria realmente a pior hora para deixar de correr”, insistiu.
“Se não aproveitarmos esta oportunidade, corremos risco de ter mais variantes, mais mortos, mais problemas e incertezas”, apontou.
Segundo o último boletim epidemiológico publicado pela OMS, o número de casos caiu 28% na semana de 5 a 11 de setembro em relação à semana anterior, até 3,1 milhões de novos contágios declarados.
As mortes diminuíram 22%, alcançando menor de 11.000
O número de infecções é, sem dúvida, muito maior devido aos casos leves não declarados e também porque muitos países desmobilizaram suas estruturas para realizar testes.
Em 4 de setembro, a OMS contabilizou mais de 600 milhões de casos oficialmente confirmados – um número que se presume muito inferior ao real, assim como o número oficial de óbitos: 6,4 milhões no mundo.
Um estudo do organismo, realizado com base em projeções e avaliações publicadas em maio, sugere que poderia haver entre 13 e 17 milhões de mortes por covid a mais do que as registradas de forma oficial até o final de 2021.
A OMS publicou seis guias para ajudar os Estados a superar essa crise de saúde mais rapidamente.
Entre as mensagens repetidas pela OMS após 2 anos e com a chegada das vacinas: vacinar 100% das pessoas vulneráveis e profissionais da saúde, continuar testando a população e manter programas que permitam rastrear novas variantes potencialmente perigosas.
CONFIRA O POSICIONAMENTO DA SES (SECRETARIA DO ESTADO DA SAÚDE)
– Ao que se atribui a melhora na pandemia?
Principalmente aos elevados índices de vacinação, já que aproximadamente 6 milhões de catarinenses completaram o esquema primário, de duas doses ou dose única, o que equivale a uma cobertura vacinal de 88,5%. Além disso, a cobertura para os idosos, a partir dos 60 anos, alcançou 100% do esquema primário, 81,3% de cobertura da primeira dose de reforço e 40% de cobertura da segunda dose de reforço, o que serviu para proteger a população mais vulnerável frente a ocorrência de formas graves e hospitalizações de COVID-19, reduzindo os índices de mortalidade. E os indicadores só não são melhores porque a cobertura da dose de reforço para a população a partir dos 12 anos de idade alcançou pouco mais de 53%.
– Quais são os atuais desafios?
Aumentar a cobertura vacinal da dose de reforço na população geral, e imunizar crianças e adolescentes de 3 a 17 anos de forma a proteger essa população frente a formas graves da Covid, bem como a aplicação da dose de reforço para a população em geral.
Também é um desafio oferecer atendimento de qualidade para os casos de Covid-19 longa, além de reabilitar pessoas que tiveram sequelas da Covid, e que hoje tiveram sua qualidade de vida degradada.
*A reportagem conta com informações da AFP.