Mpox se alastra pelo Congo, faz 18 mil infectados, mata 615 e OMS autoriza vacina sem aprovação

Números foram divulgados pela direção-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta segunda-feira (26); pesquisadores brasileiros trabalham na vacina contra a mpox

Foto de Laura Machado

Laura Machado Florianópolis

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A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou nesta segunda-feira (26) que a República Democrática do Congo já registra mais de 18 mil casos de mpox e 615 mortes pela doença. Pesquisadores brasileiros trabalham em vacina contra o vírus.

Pessoa branca vista de perto com manchas vermelhas causadas por mpoxErupções cutâneas são sintomas característicos da mpox – Foto: Reprodução/ND

Mpox já causou 615 mortes no Congo em 2024

Conforme o anúncio do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a entidade acompanha registros de casos da variante 1b em países vizinhos.

“Há uma preocupação particular com a rápida transmissão da nova variante do vírus que causa a mpox, a variante 1b. No mês passado [em julho], mais de 220 casos da variante 1b foram reportados em quatro países vizinhos ao Congo e [eles] não haviam registrado casos da doença até então: Burundi, Quênia, Ruanda e Uganda”, explicou.

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A Suécia e a Tailândia, segundo a OMS, foram os primeiros países fora do continente africano a registrarem casos da nova variante da mpox.

“Mas a variante 1b não é nossa única preocupação. Casos de outras variantes também foram reportados este ano na parte ocidental da RDC, assim como em Camarões, na República Central da África, Costa do Marfim, Libéria, Nigéria, República do Congo e África do Sul. É um cenário complexo e dinâmico.”

Doença foi declarada como emergência em saúde pública global – Foto: Freepik/Divulgação/NDDoença foi declarada como emergência em saúde pública global – Foto: Freepik/Divulgação/ND

“Responder a cada um desses surtos e controlá-los vai exigir uma resposta internacional complexa e coordenada. Por isso, decidi declarar emergência em saúde pública de importância internacional”, alertou  Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

Vacina brasileira é aguardada

O CTVacinas (Centro de Tecnologia de Vacinas) da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) anunciou que os testes em humanos da vacina brasileira contra o vírus causador da doença mpox devem iniciar em breve. A última etapa no desenvolvimento do imunizante deve ocorrer apenas após a liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Segundo o CTVacinas, os pesquisadores trabalham em um DDCM (Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento) que será encaminhado à Anvisa para que a etapa dos testes em humanos seja liberada.

Apesar do crescimento recente no número de casos, o imunizante brasileiro já estava em desenvolvimento há pelo menos dois anos, período em que a mpox provocou a primeira emergência global.

OMS autoriza compra de vacina sem aprovação

A OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou na sexta-feira passada (23) que estão autorizadas as negociações para compra de vacinas contra a mpox antes da aprovação oficial. A medida é para tentar conter o surto crescente do vírus.

A OMS declarou a mpox emergência de saúde pública mundial em 14 de agosto. A organização solicitou aos fabricantes de vacinas que submetessem informações para a concessão de uma licença de emergência até meados de setembro.

A aquisição das vacinas normalmente acontece depois da aprovação da OMS, mas as regras foram flexibilizadas devido à urgência da situação.