A morte da bebê de dois meses no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, continua repercutindo. A 10ª Promotoria de Justiça da Capital requereu informações sobre o caso à SES (Secretaria de Estado Saúde).
MPSC acompanha caso de bebê que morreu em hospital de SC com UTIs lotadas – Foto: Daniel Queiroz/Arquivo/NDA pasta tem até as 19h desta quarta-feira (15) para responder a solicitação. A 10ª Promotoria aguarda as informações para avaliar essa situação em particular.
Maria Sofia morreu no sábado (11), no setor de emergência, após sofrer três paradas cardiorrespiratórias. A menina sofria de bronquiolite, que é uma infecção nos bronquíolos, ramificações dos brônquios que levam oxigênio aos pulmões. Não havia leitos de UTI disponíveis no hospital na ocasião.
SeguirA SES, por sua vez, descartou a possibilidade de que a morte da recém-nascida tenha ocorrido pela falta de leitos de UTI na unidade.
O painel de leitos de UTI oferecidos pelo SUS, atualizado na manhã desta quinta, mostra que dos 29 leitos ativos no hospital, apenas um está disponível.
Inquérito civil
Um inquérito civil instaurado na 10ª Promotoria apura a falta de atendimento nas UTIs neonatais e pediátricas de Santa Catarina.
O promotor Sandro Ricardo Souza diz que o procedimento acompanha as estratégias do governo do Estado para solucionar a questão da falta de leitos nesses setores.
Segundo ele, a Promotoria monitora a execução de um plano de medidas de urgência já apresentado pelo governo do Estado.
O inquérito civil pode subsidiar o promotor para uma ação civil pública. “Avaliamos a necessidade ou não de alguma intervenção nesse sentido. Mas, caso haja solução e o problema seja resolvido, o inquérito pode ser arquivado”, explica o promotor.
Com relação ao caso da bebê, a Promotoria aguarda as informações que devem ser prestadas pela SES para direcionar as próximas ações.
“Caso a Promotoria entenda que a morte da criança tenha ocorrido pela falta de leitos na unidade, vamos questionar qual foi o empecilho e tentar agir para que não se repita”, disse o promotor.
Mãe da bebê desabafa
A mãe de Maria Sofia, Samara Ester Santos, desabafou sobre as circunstâncias da morte da filha no programa SC no Ar, da NDTV. Segundo ela, as condições estruturais da instituição eram péssimas.
“Ela ficou oito dias internada. Queriam levar ela para UTI, mas não tinha leito, então precisavam fazer os procedimentos na emergência mesmo”, inicia o depoimento. Samara conta que os médicos precisavam entubar a menina, mas que no local onde ela estava alocada, não era possível.
“Não tinha onde fazer uma entubação. Minha filha morreu porque o Estado não está se preocupando com os hospitais infantis. O Joana de Gusmão é o melhor de Santa Catarina, mas pelos médicos, e não pela estrutura. O que eu vi minha família passar naquele lugar foi desumano”, desabafa.
Emocionada, Samara comentou que os médicos choravam com ela ao ver a menina morrendo porque eles não tinham como realizar os procedimentos necessários.
Para a mãe, um dos piores momentos de toda a situação foi ver a filha olhar para ela, e sentir que a pequena não ia mais voltar.
O que diz a SES
Em nota ao ND+, a SES afirmou que a paciente “estava passando pela segunda internação na unidade hospitalar e recebeu plena assistência das equipes altamente capacitadas do hospital infantil”.
A nota explica ainda que diante do agravamento das condições clínicas a criança não resistiu. A pasta disse “estar sensibilizada e prestando apoio à família da paciente”.
Em todo o Estado, já foram abertos seis novos leitos de UTI neonatal e oito de cuidados intermediários pediátricos e seis de UTI pediátrica.
De acordo com a SES, esses são apenas os primeiros dos 82 leitos previstos, entre pediátricos e neonatais, que farão parte dos atendimentos do Serviço Único de Saúde.
Além dos leitos para os pacientes infantis, foram abertos nesta segunda-feira (13), 10 novos leitos de UTI adulto e 17 de enfermaria no Hospital Florianópolis.
Espera por leitos de UTI
Na tarde desta quarta-feira (15), não há paciente aguardando transferência para leito de UTI neonatal, segundo a SES.
Com relação à UTI pediátrica, constam três pacientes em busca por leito SUS junto a Central Estadual de Regulação de Internações Hospitalares (CERIH). Todos os pacientes apresentam problemas respiratórios.
Eles estão divididos nas regiões do Estado, sendo: um no Vale do Rio Itajaí, um no Planalto Norte e Nordeste e um no Grande Oeste.
Há também quatro pacientes aguardando transferência para leito de UTI adulto nos hospitais de referência, sendo dois relacionados a doenças respiratórias e dois que possuem necessidade de serviço especializado de UTI para outras doenças. Dos quatro pacientes, dois são na Foz do Rio Itajaí e dois na Grande Oeste.
Taxa de ocupação
No cenário estadual, a taxa de ocupação de leitos de UTI pediátricos é de 93,9%, nesta quarta. Restam seis leitos disponíveis na região da Foz do Rio Itajaí. A taxa de ocupação dos leitos de UTI neonatais é de 96,5%. Dos 176 leitos ativos, seis estão vagos.