O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), instaurou, no último dia 12 de julho, um procedimento para investigar a fila de atendimento de neuropediatria do Hospital Infantil de Joinville, no Norte do Estado. Mais de 3 mil crianças aguardam para a primeira consulta.
Fila da neuropedriatria do Hospital Infantil de Joinville é alvo de ação do MPSC – Foto: ND/ArquivoO filho da dona de casa Andreia Carla dos Santos é uma destas crianças. Há dois anos, João, de cinco anos, aguarda por uma consulta com um especialista. “Estou pagando todas as consultas dele no particular, tirando de onde eu não tenho”, comenta Andreia.
O menino está na posição 585 para chegar ao atendimento especializado, e a mãe precisou parar de trabalhar para cuidar do filho, o que dificultou ainda mais a situação da família.
SeguirSegundo o Hospital Infantil Dr. Jesser Amarante Faria, a instituição conta com três profissionais de neuropediatria atualmente. Antes, eram quatro, mas um dos profissionais deixou a equipe recentemente. De acordo com o hospital, há falta de profissionais médicos no Brasil, o que tem dificultado a contratação de um novo neuropediatra.
De acordo com dados fornecidos pelo hospital, retirados do Sistema Central de Agendamentos no início do mês, 3421 pacientes aguardam a primeira consulta e 3474 estão esperando o retorno.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde explica que há uma classificação de grau de urgência dos pacientes e que desde o ano passado tem repassado informações ao MPSC. Confira a íntegra:
“A Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Central Estadual de Regulação Ambulatorial (CERA), informa que já está ciente e que desde o ano passado tem repassado informações ao Ministério Público.
Atualmente aguardam por atendimento em neurologia pediátrica no Hospital Infantil Jeser Amarante Faria, de Joinville, um total de 3159 pacientes, sendo classificados conforme o grau de urgência: 00 vermelho, 06 amarelos, 3076 verdes e 77 azuis”.
MPSC notificou Estado e pediu esclarecimentos
Por conta da situação, o MPSC notificou o Estado de Santa Catarina para que explique os motivos que levaram à demanda reprimida para atendimento de neuropediatria.
A Secretaria de Estado da Saúde tem prazo de 10 dias para apresentar os esclarecimentos, além de indicar providências que esteja adotando para agilizar o atendimento. O órgão também precisará juntar apresentar documentos que comprovem suas alegações ao MPSC.