Mulher internada com leucemia espera remédio de R$ 89 mil em Florianópolis há quase um mês

Governo do Estado de Santa Catarina pediu prazo jurídico de mais 15 dias para comprar o medicamento

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Gilvanete Dias Pinheiro, de 62 anos, aguarda há quase um mês o medicamento Besponsa (inotuzumabe), da Pfizer. Com leucemia, a paciente está internada no HU/UFSC (Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina) e o medicamento é imprescindível para tratar a doença.

Mulher está internada no HU se tratando de leucemia, mas sem o medicamento – Foto: Leo Munhoz/NDMulher está internada no HU se tratando de leucemia, mas sem o medicamento – Foto: Leo Munhoz/ND

Porém, o remédio faz parte dos “medicamentos de alto custo” que, por meio de ordem judicial, devem ser fornecidos pelo Estado. Isso porque eles não fazem parte de uma lista dos que já fazem parte do SUS (Sistema Único de Saúde). A recomendação de tratamento com este medicamento veio da hematologista do próprio Hospital Universitário.

A solicitação feita pela médica responsável pela paciente, obtida com exclusividade pelo ND+, mostra que todos os tratamentos disponíveis no SUS já foram usados para enfrentar a doença. Outra afirmação é de que sem ele Gilvanete corre risco de morrer.

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Confira a solicitação:

Inicialmente o prazo pedido pela Justiça é que o medicamento fosse fornecido em 30 dias. O período venceria nesta sexta-feira, 14 de outubro, e antes mesmo de o prazo se encerrar o Estado pediu adiamento de mais 15 dias.

De acordo com a advogada do caso, Letícia Zanela, em uma nova decisão nesta sexta-feira (14) a Justiça Federal deu até este sábado (15) para que o Estado adquira a medicação para Gilvanete.

Decisão da Justiça Federal determina que Estado compre até este sábado (15) o remédio de Gilvonete – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDDecisão da Justiça Federal determina que Estado compre até este sábado (15) o remédio de Gilvonete – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

“Não tem como explicar a mistura de desespero, frustração e sensação de impotência em saber que a burocracia e lentidão do Estado podem ser a causa de minha mãe não poder mais viver”, explica Lincoln Dias Ramos, filho de Gilvonete.

Lincoln explica que inicialmente a Justiça determinou a compra em caráter de urgência, o que deu esperança para a família.

“O Estado não cumpriu o prazo frente à urgência por risco de morte iminente, ainda pediu para estendê-lo. Esperamos com o coração na mão para que o pior não aconteça antes que a decisão da justiça seja cumprida”, desabafa.

O que diz o Estado

Procurada, a SES explicou que está fazendo a aquisição emergencial do medicamento. Confira a nota na íntegra:

Reforçamos que a Secretária de Estado da Saúde está dando prosseguimento a aquisição da medicação indicada. Está sendo realizada uma aquisição emergencial para o fornecimento da medicação.

Família recorre

Para tentar solucionar o problema, a família e a advogada especializada na causa, Letícia Zanela, recorreram à decisão do novo prazo dado pelo Estado que tentou aumentar o prazo em mais 15 dias. Foi então que a Justiça determinou que a SES tem até este sábado (15) para comprar a medicação.

Segundo a advogada, que atua diariamente em situações parecidas, o comum é que estes medicamentos sejam fornecidos em cerca de duas semanas, ainda mais se tratando de tal importância. A profissional se refere a um laudo enviado junto com o processo assinado pela médica da paciente referindo a recomendação do uso do medicamento.

Aniversário

Gilvonete e o filho Licoln em comemoração ao seu aniversárioGilvonete e o filho Licoln em comemoração ao seu aniversário

Gilvanete fez aniversário no último sábado (7). A família não deixou de comemorar a data. Um de seus quatro filhos, o Lincoln,  aparece ao lado da mãe em um bolo levado até seu quarto para comemorar mais um ano de vida.

O que é leucemia?

De acordo com o site oficial do Ministério da Saúde, existem diferentes tipos de leucemia, doença que se caracteriza pelo acúmulo de células anormais na medula óssea, a estrutura corporal responsável pela fabricação das células sanguíneas. Nesses pacientes, células sanguíneas de defesa (glóbulos brancos) que ainda não atingiram sua maturidade sofrem uma mutação genética e se transformam em células cancerosas, multiplicando-se rapidamente. Com isso, as células sanguíneas saudáveis vão sendo substituídas.

Considerando todos os tipos da doença, a estimativa é de 5.940 novos casos de leucemia em homens e 4.860 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019, de acordo com as projeções do INCA (Instituto Nacional do Câncer). Não há, porém, dados oficiais específicos sobre a incidência da leucemia linfoblástica aguda (LLA) no Brasil. Já nos Estados Unidos, o número de casos registrados é de 1,7 por ano a cada 100 mil habitantes.

Os sintomas da doença incluem anemia, fadiga, falta de ar, palpitação, dor de cabeça e sangramentos anormais, bem como manchas roxas (equimoses) ou pontos avermelhados (petéquias) na pele. Depois de instalada, em geral a doença progride rapidamente, com possibilidade de afetar o funcionamento de outros órgãos e o sistema nervoso central. Na maior parte das vezes, os pacientes que desenvolvem leucemia não apresentam nenhum fator de risco conhecido que possa ser modificado, com o objetivo de prevenir a doença.

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