Lilian Cristina Fernandes do Nascimento, 33 anos, queria ser mãe. Estava feliz, bem de saúde, à espera de Henry Fernandes do Nascimento. Na última terça-feira, dia 4, já na Maternidade Darcy Vargas, em Joinville, Lilian foi submetida à técnica de indução para parto normal.
Porém, segundo familiares, a jovem estava debilitada. Daí, a equipe da maternidade encaminhou Lilian para cesárea de emergência.
Lilian tinha o sonho de ser mãe e estava feliz na expectativa pela chegada de Henry – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação NDSegundo o irmão de Lilian, Edilson Gomes do Nascimento, conhecido como Júnior, a irmã passou pela cirurgia, Henry nasceu e eles foram levados para o quarto. Isso foi por volta das 23 horas de terça. “Nem olharam direito ela depois da cesárea e mandaram para o quarto”, disse Júnior.
SeguirLilian ficou até a manhã de quarta-feira, dia 5, com a sonda. “Ninguém observou se ela tinha feito xixi, nada. Até que por volta das 9h30 de quarta um médico passou no quarto (não foi o mesmo que fez a cesárea) e perguntou por que não tinham retirado a sonda de Lilian”, contou o irmão.
Antes disso, ela já tinha reclamado de muita dor na cesárea e onde ficava a sonda.
“Daí, o médico chamou um monte de gente. Disse que não poderia ter deixado ela daquela maneira. Quando tiraram a sonda, saiu muito sangue. Nessa hora, ela teve uma parada respiratória e ficou cerca de dez minutos desacordada”, continua o irmão.
Tentaram reanimá-la, relatou Júnior. “Tiraram minha outra irmã que estava acompanhando Lilian da sala, foi uma correria.”
Por volta das 11 horas de quarta-feira, a equipe da Darcy Vargas ligou para Júnior contando que Lilian havia sofrido uma parada respiratória e que estava com hemorragia interna.
“Provavelmente, o baço havia sido rompido durante a tentativa de reanimação. Colocaram ela na transfusão de sangue sem ao menos saber o tipo de sanguíneo dela”, continua o relato, desolado.
A maternidade pediu autorização, por telefone, a Júnior para fazer outro procedimento (‘abri-la’ novamente) para tentar estancar o sangramento. Júnior pediu que a irmã fosse transferida para o Hospital Dona Helena, mas, segundo ele, a maternidade Darcy Vargas não autorizou.
A dor da notícia
Perto das 14 horas, a maternidade chamou os familiares e colocou todos em uma sala. Médicos, enfermeiros, psicólogos estavam na sala. Nesse momento, foi quando a maternidade comunicou que Lilian não havia resistido. Teve uma hemorragia e parada respiratória. No atestado de óbito, está escrito abdome agudo, hemoperitônio (sangramento incontrolável).

“Houve negligência por parte da maternidade. O próprio médico que veio analisar ela depois disse que eles erraram. Queremos e vamos buscar Justiça”, desabafa o irmão.
Ele disse ainda que avisaram da morte só por volta das 14 horas e a irmã já tinha morrido às 11h46.
O bebê Henry ganhou alta e está bem. Neste momento, está sob os cuidados de uma das irmãs. Nas 14 horas de vida que esteve ao lado da mãe, foi amamentado, uma imagem que jamais será esquecida pelos amigos e familiares. A reportagem recebeu a foto, mas não publicou para não expor a criança.
Luto e revolta
Nas redes sociais, luto, homenagens e revolta pela morte de Lilian.
Janaína Barros, 32 anos, amiga de Lilian desde a adolescência, lamentou demais a perda da amiga.
“Muitas mães sofrendo lá. Quando não é uma mãe que se vai é um filho que se vai. Tem muita gente sofrendo calada. Temos de fazer justiça. Lilian estava bem. Foi negligência que levou ela à morte”, gritou Janaína, em protesto.
Janaína, inclusive, disse que quando nasceu sua menina, há cerca de três anos, foi xingada ela obstetra porque não havia feito laqueadura. Porém, ela conta que tinha o encaminhamento de laqueadura, mas a maternidade não quis fazer. “Até da maca me deixaram cair aquela vez. Abafaram o caso”, resume.


Lilian Cristina Fernandes do Nascimento foi velada na capela da Borba Gato e sepultada às 14 horas desta quinta-feira, dia 6, no Cemitério Nossa Senhora de Fátima sob forte comoção de amigos e familiares.
Lilian era gerente de loja, solteira, e Henry, seu primeiro filho.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde, responsável pela gestão da Darcy Vargas. Disse que foi um caso atípico e que está apurando internamente o fato ocorrido. Confira abaixo a nota na íntegra.
O que diz a Maternidade Darcy Vargas
“A Maternidade Darcy Vargas, de Joinville, está apurando internamente o fato ocorrido e aguarda o laudo do Serviço de Verificação de Óbito (SVO).A família foi acolhida pelo Serviço Social de unidade e está recebendo todo o atendimento necessário. Essa situação é um caso atípico, pois o último óbito de parturiente ocorrido na maternidade foi no ano de 2017.”