Mulher morre de leucemia sem conseguir medicação em Florianópolis

Morte foi confirmada pelo governo do Estado e pela família de Gilvanete Dias Pinheiro, que aguardava remédio após decisão judicial

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Gilvanete Dias Pinheiro, de 62 anos, morreu neste sábado (15) esperando um remédio para tratar leucemia. A medicação, de R$ 89 mil, demorou mais de um mês para ser entregue. Com leucemia, a paciente estava internada no HU/UFSC (Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina) e o medicamento, Besponsa (inotuzumabe), da Pfizer,  era imprescindível para tratar a doença.

Gilvonete morreu neste sábado (15) ainda sem receber a medicação para tratar a leucemia – Foto: HU/UFSC + Arquivo Pessoal/Divulgação/NDGilvonete morreu neste sábado (15) ainda sem receber a medicação para tratar a leucemia – Foto: HU/UFSC + Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

A morte foi informada por seu filho, Lincoln Dias Ramos, ao ND+ e confirmada pela SES (Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina), que era responsável por comprar a medicação para Gilvanete.

Em nota, enviada nesta segunda-feira (15), a pasta informou que “uma aquisição emergencial para o fornecimento está na fase final de tramitação”. No entanto, ela nunca chegou às mãos da paciente. Na resposta, mesmo questionada, a SES não confirmou se a causa da morte está associada com a falta da medicação. Confira a nota na íntegra:

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A Secretaria de Estado da Saúde lamenta o falecimento da paciente e se solidariza com a família. A mesma deu entrada no dia 28 de setembro no Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago (Florianópolis), onde já realizava acompanhamento médico, vindo a falecer no dia 15 de outubro. O sigilo do seu prontuário é resguardado pela legislação.

Vale lembrar que o Hospital Universitário é unidade federal e não é administrado pela SES.

O medicamento solicitado é novo e não fazia parte do cadastro da SES. No entanto, uma aquisição emergencial para o fornecimento está na fase final de tramitação. Foi utilizado o processo padrão de aquisição devido à característica da medicação e seu alto custo, existindo protocolo processual que precisa ser atendido.

Entenda o caso:

O remédio fazia parte dos “medicamentos de alto custo” que, por meio de ordem judicial, devem ser fornecidos pelo Estado. Isso porque eles não fazem parte de uma lista dos que já fazem parte do SUS (Sistema Único de Saúde). A recomendação de tratamento com este medicamento veio da hematologista do próprio Hospital Universitário.

A solicitação feita pela médica responsável pela paciente, obtida com exclusividade pelo ND+, mostra que todos os tratamentos disponíveis no SUS já foram usados para enfrentar a doença. Outra afirmação já alertava que sem ele Gilvanete corria risco de morrer.

Confira a solicitação:

Inicialmente o prazo pedido pela Justiça é que o medicamento fosse fornecido em 30 dias. O período venceria nesta sexta-feira, 14 de outubro, e antes mesmo de o prazo se encerrar o Estado pediu o adiamento de mais 15 dias.

De acordo com a advogada do caso, Letícia Zanela, em uma nova decisão na sexta-feira (14) a Justiça Federal dava até sábado (15) para que o Estado adquira a medicação para Gilvanete, data de sua morte.

O que é leucemia?

De acordo com o site oficial do Ministério da Saúde, existem diferentes tipos de leucemia, doença que se caracteriza pelo acúmulo de células anormais na medula óssea, a estrutura corporal responsável pela fabricação das células sanguíneas. Nesses pacientes, células sanguíneas de defesa (glóbulos brancos) que ainda não atingiram sua maturidade sofrem uma mutação genética e se transformam em células cancerosas, multiplicando-se rapidamente. Com isso, as células sanguíneas saudáveis vão sendo substituídas.

Considerando todos os tipos da doença, a estimativa é de 5.940 novos casos de leucemia em homens e 4.860 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019, de acordo com as projeções do INCA (Instituto Nacional do Câncer). Não há, porém, dados oficiais específicos sobre a incidência da leucemia linfoblástica aguda (LLA) no Brasil. Já nos Estados Unidos, o número de casos registrados é de 1,7 por ano a cada 100 mil habitantes.

Os sintomas da doença incluem anemia, fadiga, falta de ar, palpitação, dor de cabeça e sangramentos anormais, bem como manchas roxas (equimoses) ou pontos avermelhados (petéquias) na pele. Depois de instalada, em geral a doença progride rapidamente, com possibilidade de afetar o funcionamento de outros órgãos e o sistema nervoso central. Na maior parte das vezes, os pacientes que desenvolvem leucemia não apresentam nenhum fator de risco conhecido que possa ser modificado, com o objetivo de prevenir a doença.

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