Mulheres arriscam a saúde em busca de ‘corpo perfeito’ com uso de antialérgicos; entenda

O anti-histamínico pode provocar sonolência, convulsões e até alucinações; especialista explica os perigos da medicação

R7 | Da AFP São Paulo

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Por pressão estética, algumas mulheres, que se consideram “muito magras”, estão compartilhando nas redes sociais, os benefícios do uso de um antialérgico usado para ganhar peso e aumentar o bumbum. Entretanto, especialistas afirmam que a prática pode ser perigosa e trazer riscos à saúde.

Analgésico para aumentar o bumbum oferece risco à saúde. – Foto: Unsplash/Divulgação/NDAnalgésico para aumentar o bumbum oferece risco à saúde. – Foto: Unsplash/Divulgação/ND

Através do Instagram, Youtube e TikTok as autodenominadas “magrelas” asseguram que o remédio permite conseguir as tão desejadas “formas”, ou seja, glúteos e seios volumosos.

O remédio que utilizam é vendido livremente por menos de R$ 55 a caixa, na França.

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“Eu, que já não comia, agora tenho fome o tempo todo, inclusive como na cama”, diz uma delas. “Funciona muito bem, engorda imediatamente”, acrescenta.

Perigo! O uso é indevido

As imagens feitas antes e depois da ingestão do fármaco mostram um aumento de peso espetacular em poucas semanas. Porém, o medicamento tem como princípio ativo a ciproeptadina, recomendado para pessoas alérgicas, e não como um suplemento alimentar.

A SEPT (Sociedade Francesa de Farmacologia e Terapêutica) alertou, em um comunicado, no final de março, sobre o fenômeno. A relação “custo-benefício” do medicamento deveria ser reavaliada visando retirar sua autorização de comercialização ou, ao menos, incluí-la em uma lista de prescrição obrigatória”.

O fármaco é um “medicamento muito antigo, comercializado na França desde os anos 1960”, que pode ser substituído por medicamentos muito mais eficazes e que já não necessita de prescrição. É o que explica o doutor Laurent Chouchana, diretor responsável pela farmacovigilância desse composto e membro da SFPT.

Até 1994, o medicamento era usado “para estimular o apetite dos doentes” que perdiam peso. Porém, essa indicação foi retirada devido a um custo-benefício mal avaliado, explica.

Os medicamentos que atuam sobre o peso são vigiados de perto pelo seu possível uso indevido, acrescenta Chouchana. Por exemplo, o antidiabético Ozempic, utilizado para emagrecer.

Sem ir ao médico

Os representantes das farmacêuticas contactadas asseguram que apenas vendem “esporadicamente”.

No entanto, o medicamento está disponível na internet, onde são frequentemente comprados com alimentos que ajudam a ganhar peso, como as sementes de feno-grego, segundo os sites consultados.

A ANSM (Agência de Medicamento da França) não consegue por enquanto medir “o aumento das vendas”, mas analisa a situação, informou.

Há um ano, a agência advertiu aos profissionais da saúde sobre “um uso inadequado e potencialmente perigoso da ciproeptadina como orexígeno (estimulador de apetite) para induzir o aumento de peso com fins estéticos”.

Uma usuária do TikTok recorda que confiou diretamente em outras internautas. “Nem fui ver o meu médico, apenas tentei”, conta.

Tomar ciproeptadina oferece riscos para a saúde. O anti-histamínico provoca “sonolência a maior parte do tempo”, mas também convulsões, alucinações e “efeitos mais graves como problemas hepáticos, sanguíneos, cardíacos”, sobretudo se houver sobredose, como acontece quando as pessoas seguem as quantidades sugeridas nos vídeos da internet, segundo Chouchana.

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