‘Não consigo lembrar o que aconteceu’, diz torcedor espancado em Joinville

Wellington Gleidson do Nascimento Santos ficou 26 dias internado na UTI antes de receber alta

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Redação ND Joinville

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As imagens chocam pela violência e rapidamente viralizaram nas redes sociais. Câmeras de segurança flagraram o momento em que a torcida União Tricolor invadiu uma conveniência na zona Leste de Joinville e promove uma briga no local. Wellington Gleidson do Nascimento Santos, de 28 anos, aparece sendo espancado. Inconsciente, ele ficou 26 dias internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e só recebeu alta após mais de um mês de internação e tratamento.

Wellington Gleidson do Nascimento Santos ficou quase um mês internado na UTI – Foto: André Pereira/NDTVWellington Gleidson do Nascimento Santos ficou quase um mês internado na UTI – Foto: André Pereira/NDTV

Mesmo assim, convive com as sequelas da agressão e sequer se recorda do que aconteceu naquele 20 de fevereiro. “Eu só me lembro de chegar na conveniência e não me lembro de mais nada. Não consigo lembrar do que aconteceu lá”, fala.

Entre as sequelas deixadas pela agressão está a dificuldade motora. Visivelmente debilitado, Wellington fala sobre as consequências da briga. “A voz tá baixinha, meu movimento do corpo do lado esquerdo está com dificuldade”, conta.

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A família garante que Wellington não tem qualquer envolvimento com torcidas organizadas e sequer tem uniforme do Remo, time do coração. A tia, Francinete Santos, que esteve ao lado dele durante todo o período de tratamento e recuperação conta que o local é ponto de encontro de paraenses na cidade, não de torcidas organizadas.

Câmera de segurança do bar mostra momento em que Wellington é atingido e cai imóvel – Vídeo: Divulgação/ND

“Somos torcedores do Remo, não significa ser de torcida organizada. Inclusive, nas imagens é muito claro que ele não tem roupa, não está uniformizado, somos torcedores de coração nem temos uniforme. Aquele lugar não é para torcidas rivais, são torcidas unidas. É o único lugar de Joinville que consegue concentrar todos os paraenses que estão aqui”, fala.

A maior parte da família continua no Pará, enquanto alguns familiares se mudaram para Joinville em busca de melhor qualidade de vida e, quem está no Norte, viveu momentos de angústia. “Foi um horror, para nossa família que está lá a sensação foi ainda pior. Eles lá não conseguiam ver, nem saber muita coisa. Foi o pior momento da nossa vida”, lamenta a tia.

Agora, Wellington quer reconstruir a vida após lutar por ela por mais de um mês. “Quero viver melhor ainda, criar meu filho e minhas filhas do jeito que eu fui criado. Eu vim para Joinville para trabalhar, cuidar dos meus filhos, viver melhor na minha vida”, finaliza.

A Polícia Civil identificou 13 torcedores que invadiram a conveniência naquele domingo. Durante as investigações, cinco pessoas foram presas em flagrante após atacar uma viatura descaracterizada e, no dia 24 de março, outras nove foram presas preventivamente por tentativa de homicídio durante a operação “Toca do Coelho”.

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