Não ouça a sua impostora!

Você conhece a Síndrome do Impostor? Dados apontam que 70% das pessoas já se sentiram "uma fraude" pelo menos uma vez no ambiente profissional

Foto de Grazielle Guimarães

Grazielle Guimarães Itajaí

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O termo Síndrome do Impostor foi usado pela primeira vez em 1978 pelas psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes. Refere-se a uma tendência para a autossabotagem, cada vez mais comum entre as mulheres. De acordo com a Universidade Dominicana da Califórnia, 70% das pessoas já se sentiram “uma fraude” no ambiente de trabalho pelo menos uma vez na vida.

Eu “ouço” a minha impostora desde que me entendo por gente. Sabe aquela voz que critica toda e absolutamente qualquer coisa que você faz? Pois então, ela mesma! Vamos a um exemplo para ficar mais claro:

A Síndrome da Impostora está cada vez mais presente na vida das pessoas – Foto: Grazielle Guimarães/Arquivo Pessoal/NDA Síndrome da Impostora está cada vez mais presente na vida das pessoas – Foto: Grazielle Guimarães/Arquivo Pessoal/ND

Você fez um excelente trabalho, mesmo sem acreditar que seria capaz de tal feito! Seus chefes estão impressionados, seus amigos e colegas de trabalho felizes por você, mas… Dos 99,9% de aprovação, foi o “0,01%” de rejeição que chegou até você, não é?

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“Não acho que ficou tão bom, não é desse jeito”. Pronto! O comentário necessário para a sua impostora vir com tudo.

Seria então uma “sorte” de principiante? Seus chefes e amigos não viram erros no seu trabalho? Você dará conta do próximo desafio? E se todos estiverem errados a seu respeito? E se você nunca mais acertar nada? Todos irão descobrir que você é uma fraude!

Até tu, Michelle!

Calma, você não está sozinha! Em sua biografia, a ex-primeira dama dos Estados Unidos Michelle Obama conta que ouviu ecoar em sua cabeça desde muito cedo a mesma pergunta: “eu sou boa suficiente?” Essa dúvida a acompanha por toda vida, mesmo depois de se tornar inspiração para muitas mulheres e jovens no mundo todo.

Em sua biografia, Michelle Obama fala sobre como desde muito cedo até a fase adulta se questionou se era “boa o suficiente” – Foto: Reprodução/InternetEm sua biografia, Michelle Obama fala sobre como desde muito cedo até a fase adulta se questionou se era “boa o suficiente” – Foto: Reprodução/Internet

No seu livro, Michelle descreve que o fracasso começa como um sentimento (muito antes de se tornar algo concreto). Antes de tentar de fato algo desafiador, muitas pessoas já se sentem fracassadas e, por isso, nem mesmo chegam a tentar.

“Muito antes de se tornar um resultado verdadeiro, o fracasso começa como um sentimento” – Michelle Obama

Eu conheço a minha impostora tão bem quanto a Michelle conhece a dela, e você provavelmente conhece a sua. Já ouvi todos os inúmeros argumentos dessa impostora contra mim, já acreditei nela e já tentei combatê-la com muitos argumentos. Não vale a pena! Acredite, você vai bem na maior parte do tempo e não precisa convencer sua impostora sobre isso.

> ‘Carga mental’: entenda o peso invisível que impede as mulheres de avançar

O que eu tenho aprendido é que não se ganha sempre! Então todos os dias eu faço um esforço para lembrar as coisas que eu fiz e ficaram legais. Faço uma lista mental todas as noites do que eu consegui fazer, com as ferramentas que eu tinha para cumprir as demandas.

Aprender a se acolher e se dar uma folga de tanta cobrança não é fácil, mas essencial para se chegar mais longe de forma saudável e viva – principalmente atuando nas áreas que você considera mais importantes na vida.

A Síndrome do Impostor é uma doença?

Em entrevista ao site educativo Na Prática, a neuropsicóloga do Grupo MED MAIS, Keli Rodrigues, explica que a síndrome não está no CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde), mas é um problema recorrente, como uma baixa autoestima crônica.

“A Síndrome do Impostor é caracterizada por pessoas que têm tendência à autossabotagem. Então o indivíduo constrói, dentro da cabeça dele, uma percepção de si mesmo de incompetência ou insuficiência. Naturalmente, todo o cérebro humano possui essa pré-disposição a colocar essa sensação de incapacidade e demérito. E dependendo do modelo mental e da forma como cada um pensa, isso pode aumentar ou diminuir essa crença, o que também pode ser reforçado pelo meio em que a pessoa se encontra”, explica.

Dica amiga

A jornalista Rafa Brites é pós graduada em Neurociência e Comportamento, além de ter especialização nas áreas de Programação Neurolinguística. Ela é a autora do livro Síndrome da Impostora e conversa com as leitoras sobre como essa síndrome ataca a segurança, autoestima e capacidade das mulheres em diferentes áreas.

No livro, com uma linguagem super divertida, Rafa fala sobre sua própria experiência com a impostora e como aprendeu não só a lidar sozinha com esse problema, como também a influenciar mulheres em suas jornadas.

Rafa Brites se denomina como “Influenciadora de Jornadas” e autora do livro “Síndrome da Impostora” – Foto: Reprodução/InternetRafa Brites se denomina como “Influenciadora de Jornadas” e autora do livro “Síndrome da Impostora” – Foto: Reprodução/Internet

“Bem-vinda à Sociedade Secreta de Impostoras Anônimas! Você já teve aquela sensação de que nunca é boa o suficiente? De que precisa estudar mais? Trabalhar mais? Malhar mais? E que, se não fizer isso, a qualquer momento perceberão que você é uma farsa? Durante muito tempo me senti exatamente assim. Achei que estava sozinha até saber que a Michelle Obama, a Michelle Pfeiffer e a Michele estagiária sofriam da mesma coisa”, começa Rafa.

Ah, e claro, indico super a leitura de “Minha História”, autobriografia de Michelle Obama, que me transformou profundamente, mas falo mais sobre ela numa próxima. Até mais!