Nova variante e vacinação em SC acendem alerta sobre liberação de máscaras, diz professor

Coordenador do Necat da UFSC recomenda cautela diante de incerteza sobre controle efetivo da pandemia; para Estado, "batalha está vencida"

Bruna Stroisch Florianópolis

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O governador Carlos Moisés (Republicanos) anunciou nessa quinta-feira (10), a liberação do uso de máscaras em todos os ambientes em Santa Catarina.

Para o professor Lauro Mattei, coordenador-geral do Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), o assunto da retirada do item de proteção retoma ao centro dos debates exatamente no momento em que o mundo se encontra diante de nova incerteza em relação ao controle efetivo da pandemia.

Para professor, caso particular de Santa Catarina continua bastante preocupante quando se analisa a situação atual do processo de vacinação – Foto: Leo Munhoz/NDPara professor, caso particular de Santa Catarina continua bastante preocupante quando se analisa a situação atual do processo de vacinação – Foto: Leo Munhoz/ND

Isso porque na quarta-feira (9), a OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou a comprovação científica de uma nova variante que está circulando na Europa e que foi denominada provisoriamente de Deltacron, por ser uma combinação da variante Delta com a variante Ômicron.

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“Tais fatos indicam claramente que a pandemia ainda persiste, sendo necessário manter as principais medidas preventivas até que o percentual da população vacinada atinja um patamar capaz de frear a contínua propagação do novo coronavírus, inclusive das novas variantes que estão se disseminando pelo mundo”, escreveu o professor.

Segundo ele, nesta direção, o caso particular de Santa Catarina continua bastante preocupante quando se analisa a situação atual do processo de vacinação.

“Por um lado, é alarmante o número de pessoas acima de 50 anos que deixaram de tomar a dose de reforço e, por outro, a vacinação das crianças continua num ritmo extremamente lento. A meu ver seriam esses assuntos que deveriam estar na pauta de prioridades das autoridades governamentais e nas discussões do conjunto da população catarinense”, pontuou.

Para Mattei, tal cenário recomenda cautela. O professor reforça que ainda não é hora de relaxar com as medidas preventivas essenciais, especialmente a flexibilização do uso de máscaras em qualquer ambiente.

“Como dissemos ainda em novembro de 2021, o processo de controle da pandemia está sendo bastante penoso para todos, porém não se pode perder tudo o que foi conquistado até o momento pela simples pressa de se abandonar medidas preventivas comprovadamente eficazes”, opinou.

Estado diz que vacinação dá segurança

O governador Carlos Moisés divulgou um vídeo na tarde dessa quinta falando sobre a decisão de liberar o uso de máscaras. Conforme antecipou o colunista do ND+ Altair Magagnin, o decreto com nova recomendação será publicado em edição extraordinária do DOE (Diário Oficial do Estado) no sábado (12).

“Está chegando o grande dia de transformarmos as normas e obrigações em recomendações, incluindo o uso de máscaras, que não será mais obrigatório. Chegaram as vacinas no ano passado e vencemos essa batalham. Temos mais de 82% da população vacinada, isso nos dá segurança para que a gente possa retomar a normalidade na sociedade”, disse Moisés.

Confira o vídeo:

Moisés confirma data para liberação das máscaras em Santa Catarina – Vídeo: Reprodução

Números da Covid-19 e da vacinação

O boletim da Secretaria de Estado da Saúde divulgado na quinta aponta que mais de 1,6 milhão de casos da doença já foram confirmados no Estado. Foram contabilizados 21,5 mil óbitos em 293 municípios. Santa Catarina registra 9.668 casos ativos.

A última atualização do Vacinômetro, realizada nesta sexta-feira (11), mostra que o esquema primário (duas doses) já foi aplicado em 82% da população vacinável.

Já a dose de reforço foi aplicada em 69% da população acima de 60 anos e 34% da população acima de 18 anos. Mais de 205 mil crianças entre 5 e 11 anos foram imunizadas com a primeira dose da vacina, o que equivale a 31,9% da população vacinável.

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