O Dia da Independência vacinal

Casos de reação adversas não são investigados e somem nas estatísticas da saúde pública misteriosamente

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Ao chegar à Livraria Drummond, em São Paulo, para o lançamento do livro “Passaporte 2030”, fui abordado por uma mulher muito emocionada. Ela se deslocava com auxílio de um andador. Antes que me dissesse seu nome, a reconheci: Ozana Malamud, sobre quem eu já havia escrito. Ela tinha ido para uma cadeira de rodas depois de tomar a vacina de Covid.

Vacina – Foto: Freepik/Divulgação/NDVacina – Foto: Freepik/Divulgação/ND

Foi bom vê-la evoluindo na retomada dos seus movimentos, ainda que lenta. Ozana foi diagnosticada com Síndrome de Guillán-Barré. Seus sintomas começaram 24 horas após a primeira dose da vacina Pfizer. Após a segunda dose, começou a perder o movimento das pernas. Ela conta:

“No dia 2 de dezembro de 2021 tomei a segunda dose de Pfizer. No dia seguinte, logo pela manhã, ao colocar os pés fora da cama senti fraqueza nas pernas e muitas dores e formigamentos. Fraqueza para andar, dor de cabeça e formigamentos também no rosto e nos lábios. O intestino parou de funcionar.”

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Ozana fez os exames necessários para fechar seu diagnóstico – Síndrome de Guillán-Barré na variante Miller Fischer, identificada através de eletroneuromiografia. Ela obteve os laudos médicos indicando a correlação entre a sua enfermidade e os efeitos adversos já descritos para as vacinas de Covid, além da relação temporal direta.

Infelizmente, como tem acontecido misteriosamente na saúde pública, seu caso, como inúmeros outros, não foi transformado em alerta oficial para a população. Autoridades e imprensa continuam tratando a vacinação de Covid como um procedimento seguro.

No 7 de setembro, Ozana foi convidada a falar ao público na avenida Paulista. Ela fez a sua parte – basicamente informando o que se passou com ela, sabendo que naquela multidão provavelmente havia outras vítimas da vacina, cujos casos não são investigados e somem nas estatísticas. Totalmente saudável antes da inoculação, praticante de caminhadas diárias, Ozana hoje precisa de apoio para andar e tem de monitorar sua pressão 24 horas por dia.

Sua síndrome envolve também a paralisia de músculos oculares e nevralgia do trigêmeo, que causa dor crônica nesse nervo da face. Ela tem perda de audição no ouvido esquerdo. Na parte motora perdeu reflexos, coordenação de movimentos e capacidade de equilíbrio.

Ozana Marques Malamud teve que se vacinar contra Covid por exigência profissional – para poder entrar no Fórum de São Paulo. Nunca teve acesso a um balanço real de riscos e benefícios entre a vacina e a Covid, até porque seu próprio caso comprova que ninguém teve: se eventos adversos como o dela não são reconhecidos oficialmente, catalogados e tornados públicos, é evidentemente impossível se falar em percentual de risco confiável.

Isto é um escândalo ético. Obrigado, Ozana, por sua luta.

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