Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Nutrition, nesta sexta-feira (4) revela que o açúcar traz alto perigo para a saúde, se consumido em excesso. Esta é a primeira vez que o composto é estudado tão à fundo relacionando-o com uma dor intensa.
Alto consumo de açúcares pode estar relacionado com dor intensa, aponta estudo – Foto: Reprodução/Unsplash/NDDe acordo com a pesquisa conduzida pelo urologista Shan Yin, pesquisador da Universidade Médica do Norte de Sichuan, na China, o açúcar pode estar relacionado com o aparecimento de pedras nos rins.
Segundo o portal R7, dados epidemiológicos de 28,3 mil adultos, coletados entre 2007 e 2018, na Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição (NHANES, na sigla em inglês) dos EUA, foram usados como base para o trabalho científico.
SeguirA pesquisa fala que os participantes com maior consumo de açúcares adicionados apresentaram uma maior prevalência de pedras nos rins.
Os pesquisadores também coletaram informações dos participantes sobre pedras nos rins e estimaram a ingestão diária de açúcares adicionados, levando em conta o consumo mais recentes de determinados alimentos e bebidas, a partir do que eles próprios relataram.
Os açúcares adicionados são aqueles usados na indústria e estão presentes em uma série de alimentos, especialmente nos ultraprocessados como biscoitos, chocolates, refrigerantes, sucos e sorvetes, por exemplo.
Brasil tem medida para “frear” açúcar
Uma resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em vigor desde outubro do ano passado, obriga fabricantes a informar no rótulo se o alimento possui alta quantidade de açúcares adicionados.
Os pesquisadores estabeleceram uma pontuação de índice de alimentação saudável para cada participante. Isso levou em conta frutas, vegetais e grãos integrais e também os alimentos potencialmente prejudiciais, como grãos refinados, sódio e gorduras saturadas.
Também foram ajustadas as chances de essas pessoas desenvolverem pedras nos rins, levando em conta sexo, idade, raça ou etnia, renda relativa, IMC (índice de massa corporal), a pontuação mencionada acima, tabagismo e histórico de diabetes.
Os resultados mostraram que os participantes com maior consumo de açúcares adicionados apresentaram uma maior prevalência de pedras nos rins.
A porcentagem de ingestão de energia proveniente de açúcares adicionados estava positivamente correlacionada com o desenvolvimento de cálculos renais.
Por exemplo, aqueles com consumo mais alto de açúcares adicionados tinham 39% mais chances de desenvolver pedras nos rins, enquanto aqueles que obtiveram mais de 25% de sua energia total a partir de açúcares adicionados tiveram 88% mais chances do que aqueles que obtiveram menos de 5% de sua energia total dessa fonte.
Shan Yin diz que são necessários mais estudos para responder a questões essenciais acerca do consumo de açúcares adicionados e pedras nos rins.
“Por exemplo, quais tipos de pedras nos rins estão mais associados ao consumo de açúcar adicionado? Quanto devemos reduzir nosso consumo de açúcares adicionados para diminuir o risco de formação de pedras nos rins? No entanto, nossas descobertas já oferecem informações valiosas para os tomadores de decisão.”
No Brasil, estima-se que uma em cada dez pessoas sofra de cálculo renal, condição que afeta principalmente jovens de 25 a 30 anos, segundo a SBU (Sociedade Brasileira de Urologia).
Os sintomas incluem dor intensa, náusea, vômito, febre, calafrios e urina com sangue. Além disso, a longo prazo, essas condições podem levar a complicações graves, como rins inchados (hidronefrose), insuficiência renal e doença renal em estágio avançado.