Até o dia 10 de maio, pelo menos 140 municípios de Santa Catarina aplicaram a segunda dose da vacina contra a Covid-19 atrasada em alguns moradores. Os dados fazem parte de um levantamento do TCE (Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina) divulgado nesta semana. Na conclusão, o Tribunal ressalta o risco de eficácia.
Orientação do PNI é que a pessoa tome a segunda dose mesmo com o atraso – Foto: Arquivo/Divulgação/NDO motivo dos atrasos são vários. O principal, apontado por 117 secretarias municipais de saúde, é o não recebimento das vacinas no prazo certo. Na época, devido a falta de insumos na produção, diferentes cidades ficaram desabastecidas da Coronavac, cujo intervalo de aplicação é de 28 dias.
Entre outros motivos estão a ausência das pessoas no dia agendado para receberem a segunda dose (alegados por 47,46% dos municípios), o contágio pela Covid-19 antes da vacinação, a desistência em receber o imunizante e a descoberta de gravidez após a D1.
SeguirO atraso é preocupante. Sem tomar a segunda dose da vacina, o paciente fica exposto ao vírus. Os estudos que comprovam a eficiência das vacinas levam em conta a aplicação das doses – ou seja, não se sabe qual a eficiência com apenas uma vacina.
Estudos e orientação
É inevitável cair no campo da suposição quando se fala da eficácia da segunda dose atrasada. Isso porque ainda não há estudos específicos sobre o tema. Mas tanto especialistas e o Ministério da Saúde afastam possível comprometimento.
Conforme o médico infectologista Rogério Sobroza de Mello, o prazo estabelecido na bula o prazo é estipulado pelas fabricantes para imunizar de forma rápida, e não para garantir a eficácia. “Os estudos apontam apenas o intervalo mínimo para a eficácia”, detalha.
Quando se considera outras doenças com lastro de estudo maior, como o tétano e a hepatite B, é comprovado que aumentar o período não compromete a imunização. “No caso da Covid acreditamos que não comprometa, mas talvez diminua um pouco a eficácia”, explica Sobroza.
Caso o atraso ocorra, o esquema vacinal deve ser completado o mais rápido possível. É “improvável que haja prejuízo na resposta imune”, assegura o PNI (Plano Nacional de Imunização). É a orientação também da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina).
Realizar novamente o reforço vacinal não é uma medida adotada e nem recomendada. Ainda não há estudos que mostrem o efeito de três doses da vacina da Covid-19, alerta o epidemiologista.
Prazo mínimo
Por outro lado, o prazo mínimo de imunização, também instituído em bula, precisa ser obrigatoriamente respeitado. O sistema imunológico precisa “aprender a fabricar” os anticorpos contra o vírus antes que seja aplicado reforço vacinal, segundo o professor.
“Uma primeira dose faz com que o organismo reconheça que a proteína é estranha e comece a produzir anticorpos. Mas não de forma eficaz. A segunda aprimora a produção, com maior e mais qualidade. E gera a chamada “memória imunológica” – o linfócito lembra a longo prazo da proteína estranha”, detalha.
Intervalo de imunização
Os imunizantes contam com os seguintes intervalos entre a aplicação das duas doses, conforme previsto em bula:
- Pfizer: a bula indica intervalo entre as duas doses de 21 dias. O Ministério da Saúde adotou a estratégia de 12 semanas entre as aplicações, também utilizada no Reino Unido, Canadá, França e Alemanha
- Coronavac: de duas a quatro semanas;
- Astrazeneca: intervalo entre as duas doses de 4 e 12 semanas após a primeira injeção;