O mieloma múltiplo é um tipo de câncer raro e maligno que se desenvolve nas células plasmáticas da medula óssea, segundo a Fundação Internacional de Mieloma. Basicamente, a doença que matou a jornalista Cristiana Lôbo atinge as células que produzem anticorpos contra agentes infecciosos, como vírus, fungos e bactérias.
Conforme explica a Fundação, uma célula cancerosa ou plasmática maligna se chama mieloma. Nesse caso, o mieloma “múltiplo” é chamado assim por gerar o crescimento de inúmeras manchas nas áreas onde o tumor cresce no interior da medula óssea.
Jornalista morreu em decorrência de câncer que acomete principalmente mulheres com mais de 40 anos – Foto: Reprodução Internet/arquivo pessoalA doença, segundo a Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) não tem cura. O múltiplo mieloma ataca a parte da medula óssea que está ativa nos adultos. As áreas comumente atingidas a partir da medula são espinha dorsal, crânio, pélvis, caixa torácica e ao redor dos ombros e quadris.
SeguirO câncer também afeta outras áreas do corpo humano. Veja:
- Ossos: o mieloma múltiplo causa o aumento da degradação óssea, afetando a produção das novas células produzidas dentro dos ossos. Com a possível chance de fratura nos ossos, a quebra dos mesmos resulta na liberação de cálcio dentro do sistema sanguíneo, o que causa hipercalcemia;
- Sangue: os glóbulos vermelhos, brancos e as plaquetas são formados na medula óssea. O mieloma ataca a produção das novas células que são criadas, e como resultado, muitos pacientes com esse câncer desenvolvem anemia, ou baixa contagem de glóbulos vermelhos e também brancos. Isso pode causar o aumento de infecções no corpo. Os pacientes também podem ter trombocitopenia ou baixa contagem de plaquetas, que aumenta a tendência para sangramentos;
- Rins: a doença renal acarreta uma série de complicações que afetam entre 20% e 25% dos pacientes recém diagnosticados. Mais de 50% deles chegam a desenvolver doença renal. Esse dano nos rins está ligado aos efeitos tóxicos da produção de proteínas de células do mieloma;
- Sistema imune: o mieloma suprime a resposta imunológica do corpo humano, reduzindo o número normal de anticorpos e imunoglobulinas. Dessa forma, todas as células que iriam fazer a “patrulha” em busca de agentes infecciosos, são afetadas.
O que causa o câncer de mieloma múltiplo?
Dados da Fundação Internacional de Mieloma indicam que a exposição à materiais químicos tóxicos, radiação, interferências no sistema imune infecção por vírus causadores de câncer são os principais desencadeadores deste tipo de câncer. Entretanto, não há um fator de risco específico para tal, o que dificulta seu diagnóstico.
Teste experimental permite detectar câncer em 10 minutos – Foto: Divulgação/RIC Mais SCEntre os químicos tóxicos que foram identificados, estão benzeno dioxinas, produtos químicos agrícolas – como desfolhantes e pesticidas -, solventes combustíveis, exaustores de motores e produtos de limpeza.
Entre os vírus que foram identificados como potenciais gatilhos para a doença estão da HIV, herpes, hepatite e simian 40 (um contaminante nas preparações da vacina contra poliomielite usada entre 1955-1963).
Quais são os sintomas do mieloma?
Em 70% dos pacientes, os sintomas mais comuns de múltiplo mieloma são dores nas costas ou nos ossos, fadiga e infecções recorrentes ou persistentes. Podem apresentar ainda cansaço e infecções que não possuem explicação, como pneumonia, sinusite ou infecção no trato urinário.
Quem pode ser afetado por ele?
Conforme explicação do Dr. Drauzio Varella sabe-se até o momento que o câncer de mieloma múltiplo se desencadeia com muita raridade na infância, adolescência ou em adultos com menos de 40 anos. Os homens entre 50 e 70 anos são os mais afetados.
Os picos de incidência variam entre os 60 e 65 anos, podendo afetar principalmente as mulheres. Estudos mostraram que o mieloma múltiplo é mais frequente em pessoas negras e suas descendentes. Ainda, ter parente de primeiro grau que foi ou é portador da doença, também é um fator de risco.
Como é feito o seu diagnóstico?
Para diagnosticar mieloma múltiplo, segundo o Centro de Oncologia Santa Lucia, é necessário realizar uma biópsia ou aspirar a medula óssea a fim de encontrar uma infiltração menor que 10% de plasmócitos locais. Em seguida, faz-se exames de sangue e urina e de imagens dos ossos para os médicos classificarem se é sintomático ou assintomático.
Quais são os principais tratamentos?
O Centro de Oncologia resulta que os tratamentos estão baseados primeiramente em terapias de suporte para as fraturas ósseas, infecções, insuficiências renais e outros problemas centrais, além de quimioterapia e transplante de medula óssea, sempre em observação médica durante todo o processo.