O que é o Método Wolbachia, nova aposta de Balneário Camboriú contra a dengue

Município foi selecionado pela Fiocruz para receber implantação do método, que utiliza mosquitos com bactéria 'do bem'

Foto de Beatriz Nunes

Beatriz Nunes Itajaí

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Balneário Camboriú já deu início aos trabalhos para cumprir as exigências apontadas pelo Ministério da Saúde para a implantação no município do Método Wolbachia, estratégia que usa a ciência contra doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti, entre elas a dengue.

Foto mostra homem segurando tubo com larva do mosquito da dengueCombate à dengue é preocupação latente em municípios do Litoral Norte de SC – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND

“O Ministério da Saúde nos apresentou os mapas elaborados para comparação e considerações para a escolha das prováveis áreas de aplicação. Foram solicitados ao município vários dados, como extensão territorial, população de cada área, densidade populacional, entre outros”, explicou o diretor de Vigilância Ambiental, David Cruz.

O diretor afirma que já deu início ao trabalho para atender todas as solicitações do Ministério da Saúde. A expectativa do departamento é que a implementação do método inicie em agosto.

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“O Wolbachia é uma ferramenta nova e muito eficaz no combate à dengue e a outras doenças transmitidas pelos Aedes aegypti. Ficamos muito felizes quando fomos selecionados pela Fiocruz para receber a implementação. Desde o convite, em fevereiro, estamos mobilizados nas tratativas”, ressaltou a secretária de Saúde, Aline Leal.

Afinal, o que é o Método Wolbachia?

Método Wolbachia já é utilizado em outras cidades catarinenses, como Joinville – Foto: Divulgação Prefeitura de Joinville/NDMétodo Wolbachia já é utilizado em outras cidades catarinenses, como Joinville – Foto: Divulgação Prefeitura de Joinville/ND

O Método Wolbachia tem como objetivo combater doenças como a dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A estratégia contempla a introdução da bactéria Wolbachia nos mosquitos transmissores.

Esta bactéria está presente em 60% dos insetos da natureza e não causa danos aos humanos. A Wolbachia impede que os vírus das doenças se desenvolvam dentro dos insetos, contribuindo para redução dos casos.

Sendo assim, a prática consiste na liberação de Aedes aegypti com Wolbachia para que se reproduzam com os mosquitos da espécie locais, estabelecendo, aos poucos, uma nova população com a bactéria.

Com o tempo, a porcentagem de mosquitos que carregam a Wolbachia aumenta, até que permaneça estável, sem a necessidade de novas liberações. Este efeito torna o método autossustentável e uma intervenção acessível a longo prazo.

Os Wolbitos, como são chamados os novos mosquitos, não são transgênicos, ou seja, não há qualquer modificação genética no método, e também não transmitem doenças.

Joinville foi o primeiro município do estado a ser contemplado com o método e será na Biofábrica da cidade que serão produzidos os “Wolbitos” para serem enviados à Balneário Camboriú.