A Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina) emitiu uma nota, na última sexta-feira (9), sobre as orientações e investigações do aumento dos casos de hepatite aguda em crianças de Santa Catarina. Segundo o órgão, a origem da doença permanece desconhecida, mas “extensas investigações” estão em andamento.
Os sintomas incluem alto índice de enzimas no fígado, vômito, diarreia, dores abdominais e icterícia – Foto: Freepik/Divulgação/NDA diretoria diz que a maioria dos casos relatados parece não apresentar relação direta com o que possa ser a origem. Muitos dos sintomas são os mesmos apresentados antes da confirmação da doença, porém os vírus comuns à hepatite aguda não foram detectados em nenhum dos casos.
“A síndrome clínica entre os casos identificados é a hepatite aguda (inflamação do fígado) com enzimas hepáticas acentuadamente elevadas. Muitos casos relataram sintomas gastrointestinais, incluindo dor abdominal, diarreia e vômitos antes da apresentação com hepatite aguda grave e aumento dos níveis de enzimas hepáticas. A maioria dos casos não apresentou febre”, diz o texto.
SeguirEmbora o adenovírus seja uma hipótese para causa subjacente, o órgão relata que ele não explica totalmente a gravidade do quadro clínico. Extensas investigações epidemiológicas estão em andamento para identificar exposições comuns, fatores de risco ou ligações entre os casos.
Outras hipóteses também estão sendo levantadas, como o aumento da suscetibilidade ao adenovírus entre crianças pequenas após a pandemia de Covid-19, devido à redução de patógenos, o surgimento de um novo adenovírus e a infecção pregressa ou coinfecção por coronavirus.
Vale mencionar que as hipóteses relacionadas aos efeitos colaterais das vacinas contra a Covid-19 não são suportadas atualmente. A Dive informa que a causa disso é que a grande maioria das crianças que apresentaram a doença não receberam a vacina contra a Covid.
OMS confirma, em julho, 1.010 casos de hepatite de origem desconhecida – Foto: Arquivo/Agência Brasil/NDOrientação da Dive
Agora, a responsabilidade em Santa Catarina pelo acompanhamento de casos de hepatites agudas graves de etiologia desconhecida em crianças e adolescentes passa a Gedic (Gerência de IST, HIV/AIDS e Doenças Infecciosas Crônicas).
A orientação é que todos os serviços de saúde estejam alerta para os pacientes com as caracteristicas: “criança/adolescente menor de 17 anos, apresentando hepatite aguda, com aumento de transaminase AST (sérica aspartato transaminase) e/ou ALT (alanina transaminase) ≥ 500 UI/L, sem causa de origem não infecciosa que justifique o quadro.”
As instituições que identificarem pacientes com as características descritas acima devem comunicar, imediatamente, à Gedic.
Aumento nos casos
Em julho, a OMS (Organização Mundial de Saúde) informou que, pelo menos, 1.010 casos foram registrados em 35 países. No total, 46 crianças precisaram de transplantes de fígado e 22 morreram.
No Brasil, entre os registros, três precisaram de transplante e uma criança morreu.