Se Joinville nos últimos anos clama por melhor infraestrutura, na saúde então, os olhos agora se voltam para o Hospital Municipal São José. O órgão da administração indireta é responsável por oferecer serviços de alta complexidade no âmbito do município. Mas já faz tempo que virou referência a outras cidades também.
A data oficial fala em 116 anos de existência, mas a história conta que junto com a chegada dos primeiros imigrantes, o hospital já funcionava, ou seja, é da cidade. Do passado para o presente, a verdade é que os últimos anos trouxeram conquistas, mas recentemente muita preocupação.
Instituição é referência, mas precisa de um novo olhar para gestão e recursos – Foto: Secom/Prefeitura de Joinville/Divulgação NDSó nesta sexta (8), a notícia que o equipamento de hemodinâmica utilizado para reabilitação em casos de AVC quebrou e não houve a renovação de contrato com a Unimed onde vinha sendo feito, trouxe à tona a real problemática: é preciso mais recurso.
SeguirA prefeitura tenta correr para mudar essa realidade. No mesmo dia, no caso desse equipamento, conseguiu manter a parceria para hemodinâmica. Mas não ameniza por completo, porque o equipamento continua parado.
Desde a instalação em 2007, são 15 anos de uso e uma hora iria ficar obsoleto. Ou seja, passaram os anos e assim como outras situações do Hospital São José, agora é correr para resolver. Um novo tem custo alto, cerca de R$ 3 milhões.
E falar de saúde é ir além de números, são vidas.
Desde que assumiu a prefeitura de Joinville, o prefeito Adriano Silva (NOVO) e o ex-secretário de saúde, Jean Rodrigues, se prontificaram com uma equipe técnica a estudar um caminho para a instituição. Estadualizar? Não é confirmado e nem descartado (para olhares atentos de muitos servidores).
Mas um dado apresentado nos últimos dias demonstram a gravidade. A folha SUS não é repassada desde 2016, são milhões de reais que deixaram de entrar para o cofre do município. Lideranças políticas já pediram para o estado custear pelo menos 30% da folha de pagamento. Nunca aconteceu.
Ainda nesta semana, o prefeito participou de uma reunião no Tribunal de Contas de Santa Catarina sobre a problemática do Hospital Municipal São José. Durante o encontro com os conselheiros Herneus de Nadal e Luiz Carlos Cherem a concordância que está na hora do estado e a federação assumam e que o município, assim como todos, se dediquem para atenção à saúde primária.
Os dados são alarmantes: o orçamento de saúde do município chega a 40%. A folha do Hospital São José consome 100% da arrecadação do IPTU, 30% dos atendimentos são de pessoas fora de Joinville, o limite da folha está quase nos 51%. O resultado: não sobra nada para investir em outras áreas.
A conta precisa ser revista, a planilha orçamentária para uma gestão mais ampla e administração muito bem definida para os próximos anos. Isso, para que o servidor que só quer exercer seu trabalho com excelência, não tenha mais que do dia para noite apertar um botão de uma máquina e ela não funcionar.