Ouro nos olhos: a nova promessa da medicina nanotecnológica para tratar a cegueira

Nenhum efeito colateral grave foi identificado durante as primeiras fases de testes da pesquisa

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Gabrielle Tavares Florianópolis

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Mulher com olhos douradosPesquisa que analisou o uso de ouro no tratamento de cegueira pode revolucionar Medicina – Foto: Reprodução/@photocritique/ND

Pesquisadores da Universidade Brown, nos Estados Unidos, deram um passo promissor no combate à perda de visão causada por doenças da retina, como a degeneração macular.

Em um estudo recente publicado na revista ACS Nano, cientistas mostraram que nanopartículas de ouro podem ajudar a restaurar parcialmente a visão em camundongos com danos na retina.

Técnica que pode, no futuro, beneficiar pacientes humanos com cegueira.

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“Este é um novo tipo de prótese retiniana que tem o potencial de restaurar a visão perdida devido à degeneração retiniana sem a necessidade de qualquer tipo de cirurgia complexa ou modificação genética”, explicou Jiarui Nie, pesquisadora envolvida no estudo, apoiado pelos NIH (Institutos Nacionais de Saúde).

Como funcionaria o novo tratamento para a cegueira?

No estudo, as nanopartículas de ouro são inseridas diretamente na retina através de uma injeção.

Quando ativadas por luz infravermelha, elas aquecem levemente e estimulam células ainda funcionais, como as bipolares e ganglionares, que transmitem sinais visuais ao cérebro.

Infográfico de como funcionaria tratamento contra cegueiraAs nanopartículas de ouro são inseridas diretamente na retina através de uma injeção – Foto: Divulgação/Universidade Brown/ND

Essas células geralmente permanecem intactas mesmo quando os fotorreceptores, responsáveis por captar a luz, são danificados.

O experimento mostrou que essas nanopartículas conseguiram projetar formas visuais nas retinas dos camundongos e gerar atividade no córtex visual, indicando que o cérebro estava recebendo os sinais.

Além disso, nenhum efeito colateral grave foi identificado durante o processo.

Próximo passo: humanos

A ideia é que, no futuro, esse sistema seja combinado com óculos equipados com câmeras e um pequeno laser infravermelho.

As imagens captadas seriam transformadas em estímulos que ativam as nanopartículas nos olhos do usuário, recriando a percepção visual.

Diferentemente de outras soluções já testadas, que exigem cirurgias complexas com implantes eletrônicos, essa proposta seria menos invasiva: bastaria uma injeção no olho.

Homem com cegueiraPróximo passo do estudo é testar tratamento em humanos com cegueira – Foto: Reprodução/ND

Outro ponto positivo é a resolução da imagem. Sistemas anteriores usavam implantes com cerca de 60 pixels, enquanto as nanopartículas poderiam cobrir toda a retina, ampliando o campo de visão.

Além disso, como o estímulo usa luz infravermelha, ele não interfere na visão residual que o paciente ainda possa ter.

Ainda será necessário realizar novos testes antes que os estudos avancem para humanos, mas os primeiros resultados são promissores.

“Mostramos que as nanopartículas podem permanecer na retina por meses sem grande toxicidade. E demonstramos que elas podem estimular o sistema visual com sucesso. Isso é muito encorajador para aplicações futuras”, concluiu Nie.

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