Outra criança yanomami morre em Roraima: desnutrição grave e desidratação

Crise humanitária vitimou bebê de um ano e cinco meses que morreu, neste domingo (5), na Terra Indígena Yanomami

Ana Graziela Aguiar e Pedro Rafael Vilela, Agência Brasil Boa Vista

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A crise humanitária não dá trégua entre os índios yanomami e, desta vez, vitimou mais uma criança. Um bebê de apenas um ano e cinco meses de idade morreu, neste domingo (5), na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, vítima de desnutrição grave e desidratação.

A informação é do presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’Kuana (Codisi-YY), Júnior Hekurari, uma das principais lideranças da região de Surucucu, no extremo Oeste do Estado e próxima à fronteira com a Venezuela.

Bebê com menos de 2 anos morreu de desnutrição grave e desidratação em Terra Yanomami, neste domingo (5) – Foto ilustrativa: Reprodução/@hekurari08/NDBebê com menos de 2 anos morreu de desnutrição grave e desidratação em Terra Yanomami, neste domingo (5) – Foto ilustrativa: Reprodução/@hekurari08/ND

Segundo Hekurari, a criança estava em estado grave desde sábado (4) e as equipes de saúde pediram sua remoção imediata para Boa Vista, mas o mau tempo impediu a decolagem. Ela era da região Haxiu, que fica a cerca de 15 minutos de helicóptero do polo base de Surucucu, onde há um aeródromo e um pelotão de fronteira do Exército Brasileiro.

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Afetados pela presença do garimpo ilegal em suas terras, os indígenas yanomami têm sofrido com casos de desnutrição e doenças como malária e pneumonia. Nos últimos quatro anos, foram registradas 570 mortes de crianças no território.

Base Aérea

Em visita a Roraima, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, afirmou que a base aérea no Surucucu vai ser reestruturada para que possa receber aviões de maior porte e levar a infraestrutura para montar um hospital de campanha na região.

A ministra, entretanto, não estipulou prazo para a efetivação dessas medidas. A pista de Surucucu não opera por instrumentos e só permite voo visual, o que limita o acesso em horário noturno ou com mau tempo.

Remoção de pacientes

De acordo com o COE (Centro de Operações Emergenciais), colegiado interministerial criado pelo governo federal, em janeiro, foram removidos 223 pacientes da terra indígena para a capital do Estado.

No balanço mais recente, o COE informou ainda que a Casa de Saúde Indígena (Casai), em Boa Vista, abriga, no momento, 601 yanomami, entre pacientes e seus acompanhantes.

Além disso, há 50 indígenas internados no Hospital Geral de Roraima (HGR) e no Hospital da Criança Santo Antônio (HCSA), ambos na capital.

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