Defendida pelo prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, como algo que “ajuda muitíssimo” no tratamento da Covid-19, a ozonioterapia já causou muitas discussões no Brasil nos últimos anos.
O prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni (MDB), durante live nesta segunda-feira, anunciou uso da ozonioterapia – Foto: Reprodução/FacebookAtualmente, é classificada pelo Ministério da Saúde como um tratamento complementar e não possui eficácia comprovada contra a infecção pelo novo coronavírus.
A ozonioterapia faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares — definida em portaria de março de 2018 assinada pelo então ministro Ricardo Barros — juntamente com terapia de florais, aromaterapia, constelação familiar, hipnoterapia, imposição das mãos, entre outras.
SeguirA Comissão para Avaliação de Novos Procedimentos em Medicina do CFM (Conselho Federal de Medicina) estudou 26 mil trabalhos científicos sobre o tema e concluiu que “seriam necessários mais estudos com metodologia adequada e comparação da ozonioterapia a procedimentos placebos, assim como estudos comprovando as diversas doses e meios de aplicação de ozônio”.
O tratamento consiste na aplicação de uma mistura dos gases oxigênio e ozônio no organismo por diversas vias, como endovenosa, intra-articular, local, intrervertebral, intraforaminal, intradiscal, epidural, intramuscular, intravesical e retal, esta última citada pelo prefeito Volnei Morastoni como possivelmente a que será utilizada nos pacientes de Itajaí.
As condições que poderiam ser tratadas com ozônio vão incluem diarreia, HIV, doenças autoimunes, câncer, acidente vascular cerebral, entre outras. E agora, também há os que defendam seu uso para a Covid-19.
Alguns estudos científicos sugerem que a aplicação retal de ozônio tem capacidade de modular o sistema imunológico, o que, em tese, seria benéfico para evitar a hiperativação das defesas do organismo (tempestade de citocinas) que ocorre em alguns pacientes.
Entretanto, são poucas as pesquisas concluídas sobre o uso da terapia de oxigênio e ozônio contra a Covid-19. Nenhuma delas, até agora, comprovou que a técnica é decisiva na cura dos pacientes.
Testes internacionais
A China foi o primeiro país do mundo a testar a ozonioterapia contra a covid-19. Em um estudo publicado em maio, no periódico científico Wiley, pesquisadores de Wuhan analisaram apenas dois pacientes internados com a doença.
Eles receberam, além do ozônio, antivirais, antibióticos, imunoglobulina, omeprazol e oxigênio suplementar. A conclusão foi vaga e apresentou a ozonioterapia como “possibilidade”, mas ressaltava que “nenhum agente terapêutico específico foi confirmado como sendo efetivo para Covid-19.
Posteriormente, um grupo de pesquisadores da Espanha, Estados Unidos e Canadá analisou 18 pacientes internados na Policlínica do Hospital de Ibiza com pneumonia grave causada pela covid-19 que receberam a terapia com ozônio.
“A auto-hemoterapia ozonizada associou-se uma redução de 11 dias no tempo médio à melhora clínica em comparação com os cuidados clínicos usuais”. A técnica consiste na retirada de sangue do próprio paciente, adição de oxigênio e ozônio e posterior reintrodução do sangue.
No entanto, a conclusão, publicada na plataforma medRxiv foi que os resultados “embora promissores, não provam o benefício da auto-hemoterapia ozonizada na pneumonia grave por Covid-19”.
“Este estudo de prova de conceito aponta para a necessidade de mais pesquisas, como um ensaio clínico randomizado multicêntrico, bem projetado e bem desenvolvido, para confirmar nossos achados”, afirmaram os pesquisadores.