O turbilhão de emoções é uma característica de fim de ano. Porém, sintomas de ansiedade, depressão, estresse e transtornos pós-traumáticos foram ampliados durante o ano todo pelo isolamento social e pelas adaptações na rotina em função da pandemia da Covid-19.
A médica de clínica geral da Unimed Chapecó, Marcela Marçal, ressalta que 2020 foi um ano atípico por causa da pandemia e com tantas mudanças vieram o medo e a ansiedade. O conselho da médica para preservar a saúde mental é ter momentos de lazer e convivência familiar de maneira segura e respeitando as orientações para evitar o contágio.
As pessoas estão sofrendo com a depressão e a ansiedade. Foto: Pixabay“Para quem está em home office a recomendação é respeitar os horários e diferenciar as rotinas profissionais e pessoais para manter um equilíbrio. Quando verificar que uma questão está gerando sofrimento e atrapalhando no dia a dia é necessário buscar ajuda profissional”, explica Marcela.
SeguirA psicóloga da Unimed, Deisy Parnof, salienta que o isolamento social prejudica grande parte da população. Segundo ela, somos seres sociáveis e as mudanças foram drásticas: muitos deixaram de conviver com familiares por serem do grupo de risco e as crianças e adolescentes se privaram do contato social com as aulas a distância, por exemplo.
“Com isso percebemos um aumento significativo de transtornos mentais. Ninguém imaginava o cenário atual, o que resulta em angústia, sofrimento e dúvida de até quando irá a pandemia. Situação que foge do controle e não possibilita visualizar um direcionamento gerando uma elevada carga emocional”, comenta.
Desafios
O desafio, conforme as profissionais, é analisar o ano com base nos aspectos positivos e negativos, uma vez que a tendência do ser humano é visualizar apenas as situações adversas.
A pandemia trouxe como aprendizado dar valor ao que realmente é importante: maior tempo com a família, priorizar os cuidados pessoais pensando no coletivo, optar em atividades ao ar livre e a conexão com a natureza. Contudo, as profissionais estão preocupadas que a pandemia seja banalizada e os cuidados sejam reduzidos.
Marcela enfatiza que houve aumento significativo na procura da psicoterapia e na utilização de medicamentos. Conforme esclarece a médica, pacientes com diagnóstico tiveram sintomas mais acentuados, enquanto que aqueles que nunca tiveram começaram a apresentar, buscando inclusive auxílio medicamentoso.
“Nesta questão é importante quebrar paradigmas, porque a indicação de fármacos é para auxiliar o paciente no tratamento e essa escolha precisa ser individualizada, conforme avaliação de sinas e sintomas”, argumenta a médica.
Sentimento de luto
Muitos pacientes têm relatado o sentimento de luto, não apenas pelo falecimento de familiares e conhecidos pela Covid-19, mas sim pelas perdas cotidianas que causam dores e sofrimento.
Conforme explica a médica, esses sentimentos levam tempo para serem processados e geram sintomas depressivos e ansiosos. Neste ano vivenciamos muitos lutos, como perda do emprego, da rotina profissional e pessoal, de ter adiado planos e das expectativas criadas”, expõe Marcela.
Luto é um sentimento que precisa ser vivido – Foto: Kay Jayne/PexelSegundo a psicóloga, o luto não pode ser pulado ou mascarado. “Ele precisa ser vivenciado para não gerar doenças patológicas. Caso o paciente não sinta melhora deve procurar ajuda profissional e compartilhar sua dor com pessoas importantes de sua vida. Precisamos ressignificar nossos conceitos, pois não temos controle das situações ou do futuro. Se não está conforme planejou, então reinvente-se”.
A recomendação das profissionais é de manter a esperança para o próximo ano, valorizar o presente e avaliar se está aproveitando seus momentos na vida e no trabalho de maneira produtiva e gratificante. “Reflita: onde está seu foco? Consegue se autoanalisar? É grato pelas conquistas? ”, questiona Deisy.