Pandemia coloca oito brasileiros no ranking 2021 de bilionários da Forbes

Por ser um fenômeno global, a pandemia tem um lado sombrio que resvala na economia

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Redação ND Florianópolis

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Nove brasileiros aparecem no ranking de bilionários de 2021 da revista Forbes, todos com negócios na área de saúde. O detalhe é que oito deles ficaram mais ricos a partir do ano passado, na esteira da pandemia de Covid-19. Por ser um fenômeno global, a pandemia tem um lado sombrio que resvala na economia: a abertura e a chegada de capital estrangeiro ao país.

Dito isso, o ranking 2021 de bilionários da Forbes mostra, por exemplo, que o médico e empresário Jorge Moll Filho lidera a lista, considerando brasileiros. O patrimônio de sua família passou de US$ 2 bilhões em 2020 para US$ 11,3 bilhões em 2021. Trata-se da Rede D’Or, de hospitais e laboratórios, que fez uma oferta de ações no mercado no valor de R$ 11,4 bilhões.

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Com o “mercado” de saúde agitado, a investida do grupo rendeu o maior IPO da Bolsa desde 2023. Em linguagem comum, IPO representa a primeira vez que uma empresa recebe novos sócios, realizando uma oferta de ações ao mercado. Assim, abrir o capital e ter os papéis negociados no pregão da Bolsa de Valores foi um “negócio da China”para o grupo, embora na carona de uma pandemia.

Saúde financeira

A fundadora do plano de saúde Amil também aparece no ranking da Forbes, quase que dobrando o valor do seu patrimônio. Em 2020 o valor era de US$ 3,5 bilhões, passando para US$ 6 bilhões neste ano. Na área de saúde, ela só perde para Jorge Moll Filho, mesmo sendo também acionária da rede Dasa de laboratórios.

No entanto, a família bilionária agrega outros integrantes no ranking da Forbes. Seus filhos Camilla de Godoy Bueno Grossi e Pedro de Godoy também estão no rol. Ela com US$ 3,1 bilhões, como acionária da rede Dasa de laboratórios, e ele com US$ 3 bilhões. Pedro é CEO da mesma rede, cujas ações ordinárias tiveram altas valorizações no início deste ano.

A lista tem ainda a rede Hapvida, fundada pelo médico Cândido Pinheiro, hoje a maior operadora de planos de saúde do Norte e Nordeste brasileiro. No caso, graças a uma fusão com a NotreDame Intermédica, criando uma empresa com valor de mercado em torno de R$ 110 bilhões. Fechando o grupo seleto de saúde do ranking da Forbes, aparecem os donos das farmacêuticas EMS e Eurofarma.

Contextos

É preciso destacar que a abertura de investimentos estrangeiros no setor de saúde injetou saúde financeira ao segmento. No entanto, conforme o ranking da Forbes, no período de 2020 para 2021 esse crescimento acelerou. Influência direta da pandemia? Sim, mas também uma série de questões ligadas a estratégias de mercado.

“Questão de oportunidade”, conforme analisa a economista e consultora financeira Laura Pacheco, de Florianópolis.

“A pandemia acelerou processos, principalmente por questão de demanda, mas há outros fatores que precisam ser levados em conta. Se uma empresa tem fluxo de caixa mais robusto, por exemplo, ela poderá investir mais. E isso acarreta crescimento. Mas, certamente a questão pandemia é um fator que influencia nesse tipo de resultado”, diz Laura, referindo-se ao ranking da Forbes.

Assim, o mercado de saúde ganhou um primeiro impulso em 2015, com a abertura ao capital estrangeiro. Porém, conforme mostram os valores entre 2020 e 2021, a pandemia tem um papel sombrio nessa alavancada do enriquecimento de empresas no setor da saúde. O custo da Covid-19 é uma realidade para muitos, embora seja receita para poucos.