Os números do inquérito epidemiológico da pandemia da Covid-19 em Joinville, no Norte de Santa Catarina, foram divulgados nesta quarta-feira (26), durante coletiva com o secretário de Saúde, Jean Rodrigues e o médico responsável pelo diagnóstico, Henrique Diegoli. Com o panorama do contágio traçado, o secretário de Saúde garantiu que o município irá realizar testagem em massa a partir da segunda semana de setembro.
Joinville deve fazer entre 100 mil e 200 mil testes rápidos até o fim do ano – Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Joinville/NDDe acordo com Jean, todos os pacientes sintomáticos terão acesso ao teste PCR a partir da publicação de nova nota técnica. Além disso, os assintomáticos poderão fazer o agendamento pelo site da prefeitura e realizar o teste rápido em instituições parceiras. O município estima realizar entre 100 mil e 200 mil testes rápidos até o fim do ano.
O edital de chamamento público para os parceiros foi publicado nesta quarta-feira e o município será o responsável por fornecer o teste e o sistema de informação. “Não existe demanda espontânea de ir até o local. O assintomático entra no site, preenche os dados e terá as opções de local, com data agendada para fazer o teste”, explicou.
SeguirO secretário explicou, ainda, que o município já está realizando o processo para comprar novos testes PCRs junto à iniciativa privada, além de habilitar o laboratório municipal com o Lacen, ampliando assim, a possibilidade de testagem. Hoje, Joinville tem cerca de 14 mil testes PCR por mês. “Todos os pacientes com sintomas gripais farão a coleta a partir de agora nas nossas unidades”, salienta.
Diagnóstico previa situação “catastrófica”, diz secretário
Joinville divulgou o resultado do inquérito epidemiológico e, de acordo com os dados coletados entre junho e agosto, a cidade poderia ter um cenário ainda mais assustador. Apesar disso, segundo o médico responsável pelo diagnóstico, Henrique Diegoli e pelo secretário de Saúde, Jean Rodrigues, os números começaram a achatar no início de agosto, o que impediu o aumento substancial no número de casos e mortos na cidade.
A estimativa era de que, caso a taxa de contaminação continuasse acelerada, Joinville terminasse o ano com 1,2 mil mortes. Até esta quarta-feira (26), são 238 óbitos na cidade. No inquérito envolveu 6.901 entrevistas e 4.411 testes em todos os bairros da cidade e, para o médico, foi uma “maneira de analisar como se deu a dinâmica de transmissão da doença na cidade”.
Na primeira semana de análise, apenas 1,4% da população havia sido exposta ao vírus. A taxa aumentou gradativamente, chegando a 13,38% entre os dias 3 e 7 de agosto. Ainda de acordo com os dados, apenas 23% das pessoas com sintomas de coronavírus deixaram de ir trabalhar o que, para o secretário de saúde, é um dado preocupante. “As pessoas precisam seguir as medidas de distanciamento ou tudo que nós fizemos não será suficiente”, salientou. O sintoma mais sugestivo de Covid-19 na cidade, apontou Diegoli, é a perda de olfato.
Ainda de acordo com o médico, os decretos editados e publicados ao longo das semanas tiveram impacto direto no achatamento da curva de contágio no início do mês de agosto. “As pessoas estão tendo menos Covid. Observamos que tivemos uma estabilização na nossa transmissão, mas não pode ser explicada apenas pela imunidade. Aconteceu porque houve uma mudança de comportamento das pessoas que aderiram mais às medidas de isolamento e só assim podemos controlar o contágio da Covid”, disse. “A tendência é que o número de óbitos caia nas próximas semanas. Já conseguimos passar pelo que parece ser o pior, porque houve essa redução na transmissão”, complementou.
Secretário de Saúde Jean Rodrigues garantiu que todos os pacientes sintomáticos serão testados em Joinville – Foto: ReproduçãoO secretário de saúde salientou, ainda, que as mortes ocorrerão pela gravidade do quadro e não pela falta de estrutura hospitalar. “Lamentamos todas as mortes, são vidas, mas tínhamos um cenário projetado muito mais catastrófico. As pessoas morreram pela gravidade do caso, não pela falta de suporte de saúde”, falou.
Flexibilização e retomada de cirurgias
O secretário de saúde destacou que o grande objetivo do monitoramento e das ações é saber o tamanho e controlar a contaminação pelo coronavírus. Com os números considerados estáveis, Joinville deve ter a reativação de diversos serviços a partir de outubro, como a retomada de cirurgias.
Além disso, os leitos de UTI exclusivos para o tratamento de pacientes com a Covid-19 devem ser redistribuídos. “Teremos uma migração de leitos exclusivos para leitos normais, eles serão disponibilizados para outras patologias. Não podemos deixar um recurso de saúde disponível parado em detrimento a outras patologias e isso vai mexer nos nossos números, é importante salientar”, destacou.
Jean adiantou também que em setembro as medidas serão flexibilizadas, mas continuarão sendo monitoradas. “Nós precisamos aprender a conviver com esse vírus protegendo a vida das pessoas”, finalizou.