Apesar da melhora no cenário da pandemia da Covid-19 em Santa Catarina, um novo boletim do Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense), da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), alerta que ainda é cedo para haver uma flexibilização no uso de máscaras em ambientes abertos.
Uso de máscaras não deve ser flexibilizado, apontado estudo – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Doivulgação/NDO texto, assinado pelo professor Lauro Mattei, faz um comparativo da situação nos estados do Rio de Janeiro e Distrito Federal, locais onde foi flexibilizado o uso do equipamento, para apontar os motivos que levariam Santa Catarina a não cometer a mesma ação.
Vale ressaltar que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também reforçou a importância de manter o uso das máscaras na última semana.
SeguirEntenda o estudo
Ao longo da pandemia da Covid-19 diversos indicadores, além da taxa de transmissão do vírus, estão sendo considerados nas análises relativas à evolução da doença em um determinado espaço geográfico.
Neste sentido, o texto destaca dois deles: o Coeficiente de Incidência da doença a cada 100 mil habitantes e o Coeficiente de Mortalidade para o mesmo patamar populacional.
Sobre o primeiro indicador, o Distrito Federal apresentou, ao longo do ano de 2021, o segundo maior coeficiente do país, ficando atrás apenas de Roraima e logo à frente de Santa Catarina,
“Ao final do mês de outubro o coeficiente do DF (17.090,9) era 1,65 vezes o coeficiente do país (10.370,5) e 3,35 vezes o coeficiente do Maranhão (5.102,3), o menor dentre todas as unidades da federação”, diz o texto.
“Ao longo de todo o mês de outubro o DF se manteve dentre as 10 UFs com os maiores números de novos casos, com patamares semanais acima de 3 mil novos casos”, completa.
Quanto ao Coeficiente de Mortalidade, o DF apresenta o quarto maior coeficiente do Brasil, perdendo apenas para Mato Grosso, Rondônia e Rio de Janeiro. Ao final do mês de outubro, segundo o estudo, esse coeficiente do DF (360,1) era 1,25 vezes o coeficiente do país (289,1).
Rio de Janeiro
O Estado apresentou o quinto menor Coeficiente de Incidência no país ao longo de 2021. Ao final do mês de outubro, o coeficiente do Rio de Janeiro (7.650,0) era 0,74 vezes o coeficiente do Brasil (10.370,5).
“Ao longo de todo o mês de outubro o Rio de Janeiro se manteve dentre as cinco UFs com os maiores números de novos casos, com patamares semanais acima de 7 mil novos casos”, alerta o estudo.
Manter medidas preventivas é solução
Para o estudo, os números nestes dois Estados revelam que a contaminação pelo coronavírus ainda está em um estágio acelerado e, por isso, é necessário manter as medidas preventivas, como o uso de máscaras, até que a imunidade da população antija percentuais recomendados.
Santa Catarina tem mais de 4 milhões de pessoas imunizadas contra a Covid-19 – Foto: Leo Munhoz/ND“Desde o início da pandemia estava claro que a imunidade social era obtida no patamar acima de 70%, quando então o vírus não coseguiria mais se propagar de forma pandêmica”, diz o texto.
“Todavia, agora as autoridades dessas duas unidades federativas estão justificando suas decisões de flexibilização do uso de máscara a partir do patamar de 65% de imunizados. Na verdade, dados sistematizados até 31 de outubro revelaram que a população imunizada do DF era de 54,05%, enquanto a do RJ não ultrapassou 51,33%”, completa.
Situação em Santa Catarina
O governador Carlos Moisés (sem partido) disse na última sexta-feira (29) que a desobrigatoriedade do uso das máscaras em ambientes abertos e ventilados em Santa Catarina deve ser anunciada até esta semana.
Há um grupo da SES (Secretaria de Estado da Saúde) com técnicos e servidores que discute as ações referentes à flexibilização. “Nesta semana ou no mais tardar na semana que vem vamos anunciar flexibilização”, afirmou Moisés ao repórter Stêvão Limana, da NDTV na ocasião.
Segundo o painel de vacinação do governo de Santa Catarina, até o início da tarde desta terça-feira (2), o Estado tem 4.314.248 pessoas que completaram o ciclo vacinal – duas doses ou dose única.
O número corresponde a 70,46% da população apta a tomar o imunizante, acima de 12 anos, e 59,49% da população total.
“A questão é que há uma recomendação que, enquanto não tiver 75% das pessoas totalmente imunizadas, não deveríamos liberar o uso de máscaras. Se acontecer, será uma medida precipitada do Estado”, opina Mattei.
Mapa de risco “pintado” de azul
O novo mapa de risco, divulgado no último sábado (30), mostra uma melhora significativa do Estado com relação à pandemia da Covid-19. Agora, são nove regiões classificadas em nível moderado (azul) e oito em risco alto (amarelo).
Mapa de risco mostra melhora na situação de SC em relação à Covid-19 – Foto: Divulgação/NDA Grande Florianópolis é uma das que passou do risco alto para o nível moderado na nova atualização. Com isso, Santa Catarina tem agora mais regiões consideradas nível moderado do que nível alto.