Pesquisa revela nova percepção da Grande Florianópolis sobre a pandemia do coronavírus

Levantamento feito no mês de agosto também apresenta avaliações favoráveis sobre a atuação do presidente Jair Bolsonaro e dos prefeitos

Cristiano Rigo Dalcin Florianópolis

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Na quarta edição da pesquisa A Grande Florianópolis e a Covid-19 realizado neste mês de agosto revela uma nova percepção da população: o pior já passou em relação à pandemia do novo coronavírus nos quatro principais municípios da região. Porém, a maioria dos entrevistados do levantamento realizado pela Lupi & Associados reconhece ainda a gravidade da situação provocada pela Covid-19.

Reprodução Lupi & AssociadosReprodução Lupi & Associados

A pesquisa encomendada pelo Grupo ND teve a participação de 900 moradores de Biguaçu, Florianópolis, São José e Palhoça e foi realizado entre os dias 17 a 20 de agosto. De acordo com o coordenador da pesquisa Paulo Pedroso, o levantamento de agosto revela uma “tendência de diminuição da percepção de gravidade, sendo um indicativo de que, para a população, o pior já passou”, relata Pedroso, que lembra do levantamento de julho, quando a percepção da gravidade predominou e a doença já era uma realidade na região. “Talvez tenha sido o nosso pico (da doença)”, completa.

Na avaliação das cidades, Pedroso destaca a posição de liderança do prefeito Gean Loureiro (DEM) em relação aos demais chefes do Poder Executivo. “O posicionamento dele é acompanhado pelos demais e isso se reflete na avaliação, pois Florianópolis tem a maior aprovação”.

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O pesquisador salienta ainda a aprovação da atuação dos prefeitos da região. “Até em Palhoça, se levarmos em conta a margem de erro, metade da população aprova”, ressalta.

Em relação às autoridades, chama atenção também a avaliação favorável a atuação do presidente Jair Bolsonaro e a manutenção da aprovação do trabalho dos prefeitos.  “Não sabemos se é o auxilio emergencial ou se é porque o presidente parou de dar declarações, mas acompanha a recente pesquisa do Datafolha”, comenta Pedroso. Sobre a atuação do governador Carlos Moisés, a pesquisa aponta uma estagnação na avaliação.

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GRAVIDADE DA PANDEMIA

A avaliação da pandemia do novo coronavírus na cidade em geral no mês de agosto registra uma queda percentual nos conceitos muito grave (31,6%) e grave (36,7%), contra 39,1% e 38,7% do mês de julho, respectivamente.  Ao mesmo tempo, a avaliação do mês de agosto registra uma elevação percentual dos conceitos Mais ou Menos Grave (18,1%),  Pouco Grave (9,7%) e Nada Grave (2,6%) em relação ao mês de julho, com 14,8%, 5,3% e 1,0%, respectivamente.

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Porém, na avaliação específica de cada uma das quatro cidades, a maioria dos entrevistados nas quatro cidades reconhece a gravidade da pandemia com a soma dos conceitos Muito Grave e Grave: Biguaçu (53,8%), Florianópolis (75,7%), Palhoça (65,4%) e São José 61,6%. A Capital apresenta o maior percentual de entrevistados que avaliam a pandemia como Grave, com 40%, e o menor percentual dos que classificam a pandemia como Mais ou Menos Grave, com 11,4%.

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Já a avaliação da pandemia do novo coronavírus em Santa Catarina no mês de agosto praticamente repete os mesmos percentuais de julho. Os conceitos Muito Grave, com 38,3%, e Grave, com 38,6%, predominam, enquanto a classificação como Mais ou Menos Grave ou Pouco Grave estacionaram em 13,4% e 6,1%, respectivamente.

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A mesma situação se repete em relação à avaliação da pandemia no Brasil. A exemplo do mês de julho, mais de 70% dos entrevistados avaliam a situação como Muito Grave e Grave, enquanto apenas 10,7% dos entrevistados classificam como Mais ou Menos Grave, e 5,3% como Pouco Grave.

COMPORTAMENTO DA POPULAÇÃO

Em relação ao comportamento da população, a pesquisa da Lupi & Associados identifica a tendência de um maior número de pessoas que estão saindo de casa apenas para o trabalho. O percentual de agosto, com 38,6%, reforça os 38% registrados em julho.

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Já o isolamento total tem sido praticado por 6,2% dos entrevistados em agosto, enquanto 48,2% dos entrevistados estão em isolamento parcial com saídas inevitáveis. Já o percentual daqueles que revelaram não estar em isolamento por decisão própria teve uma elevação de 4,7% em julho para 7% em agosto.

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A pesquisa também identificou um maior número de pessoas que foi infectado ou que conhece alguém que teve a Covid-19. Em agosto, o percentual chegou a 53,3% dos entrevistados, superando os 50,8% de julho. Já o número de pessoas que não foi ou não conhece alguém infectado chegou a 42,9%, superior aos 39,3% do mês de julho. Outros 3,8% disseram não saber.

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Já o temor de ser infectado pelo novo coronavírus ainda é uma realidade para a maioria dos entrevistados da Grande Florianópolis. Na soma dos conceitos Muito Grande (29,6%) e Grande (26,7%) alcança 56,3%.

Em relação às emoções durante a pandemia do novo coronavírus, o levantamento de agosto destaca que 56,3% dos entrevistados sentem tensão/preocupação ocasionalmente,  enquanto outros 53% sentem solidão, também de forma ocasional.

Chamam atenção também os percentuais de entrevistados que revelaram nunca terem sido afetados por emoções como tédio (46,7%), tristeza (45,6%), insegurança (41,7%), angústia e ansiedade (41,6%) e estresse e cansaço (40,9%).

ATUAÇÃO DAS AUTORIDADES

Os entrevistados também foram questionados sobre como as autoridades devem agir nas próximas semanas em relação à pandemia.

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A maioria, com 54,6%, entende que a situação deve seguir como está, liberando apenas algumas atividades, mas com restrições. Outros 10,8% entendem que é preciso liberar todas as atividades, enquanto 32,3% acreditam que é preciso aumentar as restrições. Em relação ao mês de julho, há uma pequena elevação no percentual de liberação de todas as atividades, e uma queda acentuada em relação a necessidade do aumento das restrições.

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A avaliação da atuação do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia também mostrou uma tendência positiva desde o inicio da crise de saúde pública que afetou o país. A soma dos conceitos positivos (Ótimo e Boa) alcançou o maior percentual desde o início da pandemia com 31,9% em agosto, e os conceitos negativos (Ruim e Péssimo) tiveram o menor percentual das quatro pesquisas realizadas, com 49,8% em agosto.  A avaliação como Regular passou de 15,4% em julho para 18,4% em agosto.

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Já a atuação do governador Carlos Moisés apresentou uma leve reação na avaliação dos entrevistados nos conceitos positivos, com 14,7%, enquanto houve manutenção do conceito Regular, com 31,5%, e uma leve queda na avaliação negativa, com 53,8% na soma dos conceitos Ruim e Péssimo.

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A atuação das prefeituras, numa visão geral, recebeu também a menor aprovação nos últimos quatro meses.  De acordo com 58,6% dos entrevistados, a atuação é Ótima e Boa, enquanto 23,5% avaliaram como Regular, e outros 17,9% como Ruim e Péssima. Essa também é avaliação mais negativa desde o início da pandemia em relação à atuação dos municípios no combate ao novo coronavírus.

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Especificamente em relação à atuação de cada uma das quatro prefeituras analisadas da Grande Florianópolis, apenas Palhoça, com 49,2%, não tem maioria na soma dos conceitos positivos (Ótima e Boa). A Capital mantém a melhor avaliação, com 63,9%, seguido de São José, com 57%, e Biguaçu, com 52,7%. Já a maior reprovação está em Biguaçu, com 21,6% na soma dos conceitos Ruim e Péssima, contra 17,5% de São José, 17,3% de Palhoça, e 17,2% de  Florianópolis.

Metodologia

As entrevistas do levantamento realizado pela Lupi & Associados foram distribuídas por quatro municípios da Grande Florianópolis. Florianópolis teve o maior número de entrevistas, com 428 (47,6%). Em São José foram realizadas 242 (26,9%). Outras 150 (16,7%) foram ouvidas em Palhoça, e 80 (8,9%) em Biguaçu.

Dos 900 entrevistados, 468 são mulheres (52%) e 432 (48%) homens, com idade acima dos 16 anos. As faixas etárias com maior número de entrevistados são 35 a 44 anos (27,1%), 25 a 34 anos (25,8%) e de 45 a 54 anos (21,3%). Somente 9,8% dos entrevistados têm de 16 a 24 anos, enquanto 16% têm mais de 60 anos ou mais.

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