Pesquisa sobre mutações do coronavírus em SC pode ajudar no combate à pandemia

Levantamento começa a identificar variantes da Covid-19 que estão circulando no Estado nos últimos 10 meses

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O professor Glauber Wagner, do Laboratório de Bioinformática do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC, está coordenando um projeto de pesquisa, financiado pela Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de SC) sobre as variantes do coronavírus que estão em circulação no Estado.

Em entrevista exclusiva à coluna, o pesquisador fala sobre o sequenciamento do genoma e como o trabalho pode ajudar no combate à pandemia da Covid-19.

Glauber Wagner, professor da UFSC – Foto: Divulgação/NDGlauber Wagner, professor da UFSC – Foto: Divulgação/ND

Como serão verificadas quais as variantes do coronavírus estão em circulação no Estado?
Vamos fazer isso a partir das amostras dos pacientes positivos encaminhadas pelos nossos parceiros.

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Depois do sequenciamento do genoma do vírus, faremos análises computacionais para avaliar a presença das diversas variantes que já estão circulando no Estado.

É natural que ocorram novas variantes e mutações e algumas dessas podem ser fixadas ou promover alterações em alguma proteína do vírus e façam com que seja disseminada na população de forma abrangente.

O potencial de transmissão é realmente maior?
Não temos ainda um número de amostras sequenciadas significativas para identificação dos tipos. O potencial de transmissão vai depender de sequenciamento do genoma.

No Reino Unido, por exemplo, a variante encontrada em dezembro ficou mais frequente na população. Isso significa que agregou uma capacidade maior de transmissão, mas não necessariamente capacidade de tornar uma doença mais severa.

A informação sobre uma variante nova em Santa Catarina só vai aparecer quando tiver um maior número de sequenciamento de genomas.

A ideia é identificar os tipos de vírus que circulam nas diferentes regiões de SC?
Estamos nos esforçando para obter amostras de todas as macrorregiões para ter algumas representações de sequências do vírus de todo o Estado. Esse é um dos nossos objetivos.

Além disso, vamos observar o que se passou ao longo do tempo desde o início da pandemia e a situação atual. As novas amostras, por exemplo, são basicamente de dezembro 2020 e janeiro de 2021.

Como a pesquisa vai auxiliar no combate à pandemia?
Verificar as variantes mais frequentes no Estado é importante para conferir se os diagnósticos foram sensíveis para identificação de todas as variantes. E para saber se novas variantes vão exigir aprimoramento de diagnósticos, vacinas e tratamentos para combate ao vírus.

Avaliar o genoma mais frequente do vírus ajuda a comunidade científica a aprimorar os métodos de controle e de combate da doença. O resultado pode contribuir na tomada de decisões, inclusive regionalizadas.

Qual o cronograma dos trabalhos da pesquisa?
Recebemos as amostras positivas de laboratórios parceiros e fizemos coletas em alguns hospitais  (Hospital Regional de Chapecó, Hospital Santa Terezinha, de Joaçaba, e HU Florianópolis), para extração do material genético do vírus, processamento  no laboratório da UFSC e envio para a startup catarinense Biome-Hub, que faz o sequenciamento do material genético e analisamos os dados e predições de variantes.

O trabalho, que envolve 15 pesquisadores, se intensificou em dezembro. Pudemos sequenciar até agora 50 amostras e mais 50 serão realizadas até metade de fevereiro. Até março devemos ter resultados preliminares. Devemos encerrar a pesquisa em julho de 2021.

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