O Brasil recebeu um certificado de erradicação do sarampo da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) em 2016, porém um possível novo surto da doença preocupa infectologistas. As baixas taxas nacionais de cobertura vacinal dos últimos dois anos e dois novos casos confirmados da doença em São Paulo acendem alerta.
Baixas taxas de cobertura vacinal e novos casos de sarampo acendem alerta – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Arquivo/Secom/ND“O sarampo está voltando e isso se deve a dois fatores. Primeiro, pela entrada de pessoas de países não imunizados. Segundo, pelo fato de que as famílias deixaram em segundo plano a imunização completa das crianças por causa da pandemia do coronavírus. Está na hora de voltarmos a vida normal, o que inclui os cuidados com as demais doenças que podem nos afetar”, defendeu o cirurgião vascular e presidente da Universidade Corporativa da AMP (Associação Médica do Paraná), Dr. José Fernando Macedo.
No quadro Comportamento Saudável, do Balanço Geral Florianópolis, o médico explicou que “o sarampo é uma doença infecciosa aguda extremamente contagiosa e mais comum na infância. Pode levar a infecção nos ouvidos, pneumonia, convulsão, lesão cerebral e até a morte”.
O temor é que, com a retomada das atividades após o arrefecimento da pandemia, a doença volte a se proliferar como no ano de 2019. Na época, o Brasil registrou 18.203 casos confirmados e 15 mortes, segundo o Ministério da Saúde. Por conta disso, o país perdeu o certificado de erradicação da doença.
Uma pessoa infectada pode transmitir o sarampo para outras 18 – Foto: Ministério da Saúde/Divulgação/NDQuais são os sintomas do sarampo?
“O sarampo se manifesta por febre, irritação nos olhos, corrimento no nariz e, principalmente, pelas manchas avermelhadas pelo corpo”, destacou o Dr. Macedo. Segundo ele, o vírus passa de uma pessoa para a outra pelo ar, por meio de tosse, espirros, fala e até pela respiração.
No entanto, o Dr. Macedo ressaltou que “tudo isso pode ser evitado pelas vacinas, que estão disponíveis nos postos de saúde. Existe a tríplice viral, que além do sarampo protege contra caxumba e rubéola, e a quádrupla viral, que também atinge a varicela”.
Nas crianças pequenas, a primeira dose da tríplice viral deve ser aplicada aos 12 meses de idade e aos 15 meses aplica-se uma dose da quádrupla viral. Para as crianças mais velhas e adultos de qualquer idade, existem protocolos especiais que devem ser consultados nos postos de saúde.
“Deixar de vacinar é um dos maiores descuidos com a saúde das crianças. Faça sua parte! Não deixe de consultar seu pediatra e mantenha as vacinas em dia”, alertou o Dr. Macedo.