Polícia de SC investiga fraude no uso de CPF para vacinação em outro Estado

Três casos ocorreram em Caçador, mas apenas um morador registou boletim; erro de digitação e fraude são possibilidades

Foto de Felipe Bottamedi

Felipe Bottamedi Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

A Polícia Civil investiga um dos três casos registrados em Caçador, no Oeste de Santa Catarina, em que os moradores descobriram na hora da vacinação contra a Covid-19 que o CPF fora utilizado para o mesmo fim em outro Estado – mas por outra pessoa.

Polícia de SC investiga suposta fraude no uso de CPF para vacinação em outro EstadoTrês moradores de Caçador foram surpreendidos ao descobrirem que os seus CPFs já tinham sido utilizados em outros Estados para a vacinação – Foto: Mufid Majnun/ Unsplash/ ND

Os documentos registraram irregularmente indivíduos que tomaram as doses nos estados do Piauí, São Paulo e Minas Gerais. Os casos ocorreram aleatoriamente ao longo das últimas semanas. Os moradores afetados tomaram as doses, mas precisaram apresentar o comprovante de residência.

As equipes perceberam as irregularidades quando tentaram cadastrar os pacientes no sistema do Ministério da Saúde, mas foram bloqueadas. O CPF é o documento utilizado pela pasta para fiscalizar e acompanhar a vacinação, e não há como cadastrar dois CPFs iguais.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Quando o terceiro caso ocorreu, a Secretaria de Saúde de Caçador decidiu divulgar e comunicar os atingidos. “Procuramos os munícipes para que buscassem a polícia pois pode ser um problema maior”, detalha o secretario Roberto Marton.

Investigação

Conforme o delegado Adriano Delfino Moreira, apenas um morador procurou a polícia na última semana e registrou boletim de ocorrência. Ele teve seu documento utilizado em Minas Gerais. Moreira não soube precisar na noite desta quinta (8) a idade da vítima.

As diligências dependem agora da Polícia Civil mineira. “Colhemos o depoimento da vítima e encaminhamos uma precatória para que a delegacia de lá tome as providências. Temos que aguardar as informações”, explica Moreira.

Entre as diligências previstas estão o depoimento das equipes municipais de Saúde e da pessoa que foi vacinada com o CPF errado. O delegado não descarta a possibilidade de fraude no uso do documento. “É possível que seja. Estelionatários roubam o documento das pessoas para abrir contas, financiamento, e agora podem estar utilizando para vacinação”, explica.

Fraude ou erro

Para a Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) a irregularidade ocorreu por conta de um erro de digitação. Os estados foram comunicados e devem fazer a exclusão desses registros. O órgão não informou se outras cidades registraram situações semelhantes.

Um possível erro de inserção é pouco provável, tendo em vista a estrutura do CPF. O documento conta com onze dígitos. Um deles informa em específico a região fiscal onde o documento foi emitido. Já os dois últimos são os dígitos verificadores – funcionam como uma chave, que valida se os nove dígitos anteriores estão certos.

Os registros de cada imunização são feitos de formas diferenciadas pelas prefeituras. Caçador registra e verifica os CPFs no sistema federal logo antes de aplicar a injeção. Há ainda algumas cidades catarinenses que contam com sistema próprio, que serve como uma segunda consulta, junto ao sistema federal.

Outras cidades, com o objetivo de acelerar a aplicação das doses, anotam o CPF e alimentam o sistema federal posteriormente. Não há prazo para a conclusão das investigações.

Tópicos relacionados