Polícia pede lista com profissionais que fizeram parto de bebê com cabeça cortada em Joinville

A Polícia Civil de Santa Catarina investiga o caso de negligência médica na maternidade Darcy Vargas

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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O caso do bebê que teve o couro cabeludo cortado durante o parto na maternidade Darcy Vargas, em Joinville, ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (1°). De acordo com o delegado responsável pelo caso, Eduardo de Mendonça, a Polícia Civil encaminhou um ofício ao hospital para receber o nome de todos os profissionais que atuaram no parto. 

Polícia pediu a lista dos profissionais que atuaram no parto – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/NDPolícia pediu a lista dos profissionais que atuaram no parto – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/ND

Segundo o delegado, o inquérito policial já foi instaurado para apurar o caso que é, até o momento, investigado como suspeita de negligência médica.

Agora, os profissionais serão aos poucos ouvidos pela Polícia, que vai investigar o ocorrido.

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Bebê não está mais entubada

A mãe da criança contou ao portal ND+ nesta terça-feira que o bebê foi desentubado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, também em Joinville, onde está internado. No entanto, os médicos ainda não sabem se o corte gerou algum trauma neurológico na pequena criança.

“Falaram que só conseguem ver as sequelas realmente quando ela fizer três anos, por aí, que é quando vão ver se a fala e os movimentos se desenvolveram bem”, conta.

A mãe conta ainda que a frágil vida ainda está sem o peso ideal para sair da UTI, mas crê na melhora da filha.

Parto foi traumatizante, diz mãe Criança teve a cabeça cortada durante o parto em Joinville – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/ND

Relembre o caso

Tudo começou no parto, dia 14 de julho, quando a mãe, que não terá o nome divulgado para preservar o seu direito, foi ter sua filha na maternidade Darcy Vargas, em Joinville.

O bebê teve o couro cabeludo cortado durante o parto, que já era de risco. Isso porque a mãe vive com HIV, e teve complicações no procedimento.

Após a ferida aberta, segundo a mãe, a criança não foi tratada como deveria. A pequena bebê recebeu um ponto na cabeça, mas a mãe conta que os profissionais não limparam corretamente o local da ferida. Depois, mãe e filha foram mandadas para casa.

“Comecei a notar que ela tinha também pequenas bolinhas pelo corpo e achei estranho. Foi então que levei ao médico”, conta.

Ao chegar no Infantil a criança foi avaliada por neurologistas, que fizeram exames específicos e constataram uma infecção na criança. Segundo os médicos, não há certeza de que a frágil vida vá sobreviver.

Desde o dia 27 de julho a criança está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Infantil.

Em nota a maternidade declarou que:

A direção da Maternidade Darcy Vargas esclarece que no caso citado, ocorreu uma intercorrência no momento da cesária. O paciente foi atendido e segue internado recebendo os cuidados médicos no Hospital Jeser Amarante Faria. A Maternidade Darcy Vargas informa ainda que o evento está em investigação pela Gestão de Risco da unidade, buscando identificar se houve alguma falha na conduta tomada durante o parto.

Violência obstétrica está relacionada com a cor da pele

Em abril, a Comissão Especial sobre Violência Obstétrica e Morte Materna debateu o tema com representantes de todo o país, entre eles, a secretária de Saúde de Santa Catarina, Carmen Zanotto.

“As mulheres negras morrem mais que as brancas, mesmo tendo a mesma escolaridade e o mesmo acesso ao pré-natal. Está comprovado que nós profissionais da enfermagem dedicamos menos tempo na assistência pré-natal à mulher negra que à mulher branca”, disse na época.

O caso da mãe relatada nesta matéria, que é uma mulher negra, soma-se a uma infinidade de mulheres negras que sofreram violência obstétrica no Brasil. Só para se ter uma ideia, um estudo publicado na Biblioteca Nacional de Medicina relaciona o racismo ao atendimento médico dado às mulheres negras no país.

“No Brasil, mulheres negras são desproporcionalmente negadas ao acesso a cuidados oportunos e ficam vulneráveis ​​à morte por causas obstétricas evitáveis. No entanto, elas não têm estado no centro de iniciativas recentes para melhorar a saúde materna”, descreve o estudo.

Para realizar a pesquisa, os pesquisadores analisaram a implantação da Rede Cegonha na Bahia entre 2012 e 2017.

Confira o estudo clicando aqui.

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