Até esta segunda-feira (5), 130 mil carteirinhas de vacinação de crianças foram atualizadas na campanha nacional contra a poliomielite em Santa Catarina. O número corresponde a 48% do público-alvo, cerca de metade da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Os dados são da pasta e da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica).
SC alcança apenas metade da meta da campanha de vacinação contra a poliomielite – Foto: Prefeitura de Chapecó/NDMaria Beatriz fez uma carinha de quem não gostou do sabor, mas tomou as duas gotinhas da vacina contra a poliomielite. Ela foi levada pelo pai, Edson Beller de Sousa. Segundo ele, “é bom para a saúde dela. As outras vacinas, ela já tomou também”.
No entanto, nem todo pai e mãe têm a mesma atitude de Sousa, de levar os filhos para vacinar. Tanto que Santa Catarina está com uma das mais baixas coberturas vacinais contra a poliomielite dos últimos seis anos.
Em 2016, quase 97% das crianças foram vacinadas no Estado. Segundo a Dive, dois motivos podem explicar a queda registrada em 2022: a desinformação com movimentos antivacinas e a falsa sensação de que a doença nunca mais vai voltar.
“Duas coisas importantes, uma que as vacinas já passaram por toda uma fase de testes e são seguras, são aprovadas. A gente tem que ter muito cuidado com as informações falsas que circulam, buscar sempre informações oficiais, dos canais oficiais, de estudos científicos. E lembrar isso: temos uma falsa sensação de segurança. Não vemos mais essas doenças circularem em nosso dia a dia justamente por causa da vacinação”, explicou o diretor da Dive, João Augusto Fuck.
A poliomielite é uma doença grave. Conforme o pediatra, Murillo Capella, “o nome já diz: paralisia. Causa uma paralisia de membros inferiores, outras partes do corpo, que restringe a vida da criança. Passa a ter que receber atenção da família exclusiva. Então, restringe todo mundo”.
A vacina contra a poliomielite é usada no mundo inteiro há mais de seis décadas. No Brasil, ela integra o calendário do Plano Nacional de Imunização e está disponível de graça nos postos de saúde. Não somente nas campanhas de vacinação, mas durante todo o ano.
Campanhas de multivacinação e contra a poliomielite são prorrogadas – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/NDCampanha nacional prorrogada
A campanha nacional de vacinação contra a poliomielite e de multivacinação encerraria nesta sexta-feira (9). Porém, devido a baixa procura, o Ministério da Saúde decidiu prorrogar a ação até o dia 30 de setembro. O objetivo é aumentar as coberturas vacinais e a adesão da população à vacinação.
“Até o momento, 35% das crianças na faixa etária de 1 a menores de 5 anos de idade foram imunizadas contra a poliomielite e cerca de 4 milhões de doses foram aplicadas desde o início da mobilização”, informou o órgão federal.
Com o aumento do prazo, a expectativa é alcançar cobertura vacinal igual ou maior que 95% para a vacina poliomielite nesse público, além de reduzir o número de não vacinados de crianças e adolescentes menores de 15 anos e aumentar as coberturas vacinais, conforme o Calendário Nacional de Vacinação.
Saiba mais sobre a vacinação contra a poliomielite na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.