Por suposta fraude, compra de R$ 17 mi em TI da Saúde é suspensa e servidores afastados

Três funcionários do Estado de SC, incluindo comissionada chefe do setor, efetivo e ACT estão sob investigação; licitação dos equipamentos de informática foi barrada por “obscuridade editalícia”

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Uma licitação de R$ 17,2 milhões para a compra de equipamentos de informática para a Secretaria de Estado da Saúde foi suspensa e três servidores públicos da Secretaria de Estado da Saúde foram afastados dos cargos por 60 dias e estão sob investigação interna do Executivo de Santa Catarina. As decisões estão publicadas em edições de terça (28) e quarta-feira (29) de “Diário Oficial do Estado”. Conforme os documentos públicos, há supostas irregularidades e fraudes em licitações.

Arte sobre foto da fachada do prédio da Secretaria de Estado da Saúde, na rua Esteves Júnior, em Florianópolis – Foto: Google/Reprodução/NDArte sobre foto da fachada do prédio da Secretaria de Estado da Saúde, na rua Esteves Júnior, em Florianópolis – Foto: Google/Reprodução/ND

As portarias, assinadas quarta-feira pelo corregedor da Secretaria de Saúde, Marcio Maienberger Coelho, identificam os funcionários públicos pelas iniciais e os respectivos cargos. Um dos servidores é ACT (Admitido em Caráter Temporário) no cargo de analista de sistemas. O outro servidor é efetivo, no cargo de técnico em atividades administrativas. A terceira, comissionada, estava como coordenadora do setor de TI da Saúde.

Tecnologia desatualizada justificava compra

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O primeiro processo de compra (SES 122933/2020) é de 18 de setembro de 2020, no valor de R$ 7,1 milhões. A justificativa, assinada por um dos três servidores agora afastados, apontava que o parque tecnológico estaria defasado, sem espaço para armazenamento, peças para reposição e garantia do fabricante. Havia risco de “possível parada total” do equipamento de informática.

Mesmo diante da solicitação dos técnicos, o certame não chegou a ser efetivado e o processo de compra foi arquivado em 12 de março de 2021, sem maiores explicações.

Após arquivamento, licitação finalmente aberta

Dias depois, foi aberto o segundo processo de compra (SES 44433/2021), em 25 de março de 2021, no valor de R$ 9,4 milhões. Desta vez, o pedido foi aprovado, em 25 de agosto, mas com valor da contratação em R$ 17,2 milhões.

Conforme consta nos documentos públicos, foi licitada a compra de cinco servidores, 14 storages, 15 nobreaks e respectivas licenças de software, a serem distribuídos em 14 unidades da Secretaria de Saúde.

Véspera do afastamento dos servidores, na terça-feira (28), a licitação foi anulada, conforme decisão assinada pela diretora de Licitações e Contratos, Cláudia de Lucca Matheus Rocha. O motivo foi “melhor   avaliação   técnica,   visando   sanar   qualquer   obscuridade editalícia  e  eliminar  eventual  condição  restritiva  de  participação,  permitindo  assim melhor contratação”.

Sob sigilo

Todas as informações apresentadas nesta reportagem – além dos nomes completos dos servidores, que foram resguardados – são públicas. Já o processo de investigação interna que terminou na suspensão do edital e no afastamento para investigação dos três servidores públicos corre na CGE (Controladoria-Geral do Estado) sob sigilo.

Mais informações na edição desta sexta-feira (1º) do ND e a qualquer momento neste ND+

Com informações de Lúcio Lambranho