O câncer de mama é o tipo de tumor mais diagnosticado e a principal causa de morte em mulheres de todo o mundo. Apesar das taxas de sobrevivência após o diagnóstico terem aumentado nos últimos anos, as mulheres ainda apresentam muitos efeitos colaterais ao tratamento oncológico e risco de recorrência da doença.
Prática de exercícios e boa alimentação ajudam na recuperação de mulheres com câncer de mama – Foto: Arquivo/EBC/Divulgação/NDEntre 1990 e 2015, o professor do Departamento de Educação Física da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Diego Augusto Santos Silva participou de uma pesquisa com mulheres diagnosticadas com câncer de mama. Foi um estudo amplo, que envolveu todos os estados do país e milhares de mulheres.
“A gente investigou todas as mulheres de 1990 a 2015 e detectamos aquelas que vieram a óbito por causa do câncer de mama e relacionamos esses óbitos com alguns fatores do estilo de vida dessas mulheres”, explicou Silva.
O estudo até então inédito no país apontou que cerca de 12% das mortes de mulheres por câncer de mama poderiam ser evitadas pela prática regular de atividade física, 150 minutos por semana.
Segundo Diego, “a população de mulheres brasileiras como um todo ao longo desse tempo, todas aquelas que vieram a óbito, isso dá mais de 100 mil mulheres. Dessas mortes, 2.075 poderiam ter sido evitadas apenas no ano de 2015, no último ano da pesquisa, se as pacientes realizassem atividade física de forma regular”.
O trabalho revelou ainda que 6,5% das mortes poderiam ser evitadas com controle de peso, dieta reduzida de açúcares e controle do consumo de álcool. Outro ponto que chamou a atenção foi com relação ao estados com melhores indicadores econômicos, como Santa Catarina.
“Foram aqueles que apresentaram a maior mortalidade por câncer de mama. Então, esses estados com melhores indicadores socioeconômicos apresentam um paradoxo. Olha, eu tenho melhores tratamentos, eu tenho melhor acesso, só que minha população tá mais estressada, tá nesse ciclo virtuoso”, disse o professor.
Alimentação saudável também pode contribuir para o tratamento do câncer de mama e redução da mortalidade – Foto: Pixabay/Divulgação/NDOutra pesquisa importante feita pela UFSC foi realizada entre 2006 e 2021. Na primeira etapa, foram coletados dados clínicos das mulheres com diagnóstico de câncer de mama e dados sobre o consumo alimentar e prática de exercícios antes do tratamento da doença.
Na segunda fase, foram analisados dados com relação à mortalidade. Foi nesse período que a nutricionista e pesquisadora Jaqueline Schroeder passou a fazer parte dos estudos.
“Eu iniciei em 2019 essa proposta de recrutar novamente essas participantes e identificar novos dados sobre elas. Sobre a vivência desde o diagnóstico do câncer de mama e a recorrência da doença desde o primeiro diagnóstico”, contou Jaqueline.
O resultado da pesquisa apontou o quanto a atividade física e a alimentação podem contribuir para o tratamento do câncer e redução da mortalidade.
De acordo com a nutricionista, “ter um estilo de vida saudável antes do tratamento do câncer de mama impactou em menores concentrações de oxidação de proteína e lipídios no sangue. Ou seja, seguir recomendações de prevenção ao câncer e de estilo de vida saudável antes do tratamento auxiliou a proteger as células contra um dano oxidativo excessivo no tratamento”.
Há cinco anos, a aposentada Aidê Klein recebeu o diagnóstico de câncer de mama. No primeiro ano após a notícia, ela focou no tratamento. Fez 16 quimioterapias e 45 sessões de radioterapia. Depois disso, focou em si e mudou seus hábitos.
“A minha alimentação passou a ser o mínimo de industrializado e o máximo de natural possível. Criei minha própria horta, meus próprios temperos, passei a ter mais contato com o sol, porque eu preciso da vitamina D para a imunidade, e eu tive mais tempo para mim, mais tempo para atividade física”, lembrou Aidê.
Apesar de tudo, a aposentada tira lições valiosas desse período: “Se dê um tempo, dá uma paradinha, olha, para espera. Acho que a lição maior é essa. Você não é dona do tempo, você acha que é. Então, se dê mais tempo, faça as coisas que você gosta. Borde, faça trabalho voluntário, faça qualquer coisa, mas faça aquilo que te dá prazer, porque isso faz bem pra cabeça, faz bem pro coração, faz bem pro físico e automaticamente faz bem para todo mundo que tá em volta.”
Saiba mais sobre a pesquisa na reportagem do Balanço Geral Florianópolis!