“Temos um momento bem positivo de estabilização de casos”, avalia prefeito de Blumenau

Com 10 mil casos confirmados, Mário Hildebrandt falou ao nd+ sobre o impacto das ações tomadas frente ao novo coronavírus

Redação ND Blumenau

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Blumenau atingiu neste sábado (8) a marca de 10 mil infectados pelo novo coronavírus – número alcançado uma semana antes de a cidade completar cinco meses do início da luta contra a pandemia. Foi no dia 15 de março que o prefeito Mário Hildebrandt publicou o primeiro documento com medidas restritivas para tentar conter o vírus. De lá para cá, foram 20 decretos municipais – que ora flexibilizaram, ora restringiram ainda mais as ações do blumenauenses – e 72 mortes pela Covid-19.

Diante do número expressivo de casos, Hildebrandt fez uma análise das ações da prefeitura em relação à pandemia. Ele se mostra otimista com a estabilização na velocidade de novos casos confirmados. Porém, vencer o coronavírus, ainda será um processo longo até a chegada de uma vacina, aponta o prefeito de Blumenau.

Prefeito se mostra otimista com estabilização na velocidade de novos casos – Foto: Marcelo Martins/PMB/Divulgação/NDPrefeito se mostra otimista com estabilização na velocidade de novos casos – Foto: Marcelo Martins/PMB/Divulgação/ND

Confira a entrevista:

Como o senhor avalia a situação atual de Blumenau diante da pandemia? Pelas análises e acompanhamentos que a prefeitura faz, qual a situação da cidade: já atingimos o pico? Qual a tendência agora?

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Nós fizemos uma série de medidas importante nos últimos dias, desde 12 de julho e em 20 de julho, com uma parada de atividades e mudança de ações para diminuir a circulação de pessoas. Isso trouxe estabilização na velocidade de casos novos na cidade de Blumenau. E através dessa estabilização nós estamos colhendo os resultados positivos, que é justamente a condição de termos uma queda de casos ativos gradativamente a cada dia. Se você verificar, os casos ativos em Blumenau têm caído de modo constante diariamente e isso nos dá bastante tranquilidade para dizer que estamos num momento propício. Não digo de vitória, porque o coronavírus se mostrou um vírus que vai e volta, inclusive tem segunda onda em vários lugares do mundo. Mas, nesse momento, temos um momento bem positivo de estabilização de casos.

A flexibilização das medidas restritivas anunciadas nesta semana pode ocasionar outro crescimento de casos? A prefeitura consegue ter certeza de que essa ação é segura?

Se a comunidade respeitar as normas preestabelecidas, se o comércio respeitar as normas preestabelecidas, se os restaurantes respeitarem as normas, nós temos uma condição clara de podermos vencer esse pequeno impacto que pode vir a acontecer frente ao aumento de circulação. Mas ele, nesse momento, se torna viável na condição de atendimento frente inclusive à queda de ocupação – nesse momento e nos próximos dias – nos leitos de UTI na cidade de Blumenau e na região. Mas é importante colocar que as medidas são para esses dias. Na semana que vem, elas entram nas restrições novamente. Ela só ampliou um pouco os horários, mas, ainda assim, com restrição de circulação e de uma série de atividades.

O senhor entende que foi correto liberar o transporte coletivo em 15 de julho, ainda com 60% de ocupação, o que não permitia o distanciamento de um metro e meio entre os passageiros? A circulação dos ônibus deve continuar suspensa por mais tempo além do prazo já estabelecido no último decreto, que vale 17 de agosto?

Na realidade, a liberação foi feita uma semana antes pelo governo do Estado. Nós acabamos segurando o transporte coletivo ainda mais uma semana dentro daquele cenário que se apresentava. Os números, naquele momento, demonstravam que havia a condição de liberação. Mas a partir do momento que as informações e a velocidade do coronavírus foram aumentando, somado a isso o agravamento do inverno e outras ações, nós entendemos por bem, mesmo sem a decisão do governo do Estado, suspender o transporte coletivo. A gente teve sempre presença ativa enquanto município para cuidar e para tomar decisões, mesmo que elas fossem mais duras.

Nesse momento, o problema do transporte coletivo não é tanto a sua ocupação. Tanto é que, na média, a ocupação ficava em 25%, muito abaixo dos 60% estabelecidos como meta naquele momento, com uma ou outra condição de algum veículo com 50% ou até com sua capacidade máxima. O desafio do transporte coletivo, e aí é uma questão muito mais técnica do que minha fala, não é que não possa haver contaminação no transporte coletivo, mas eu posso dizer que há um risco maior em relação a circulação das pessoas do que a contaminação dentro dos ônibus. O transporte coletivo facilita as pessoas a saírem de casa, circularem, e é isso que acaba sendo o principal motivo da suspensão: a diminuição da circulação e não o transporte em si como um elemento de contágio.

Acho que ele vai ser um dos elementos que vai acabar um tempo maior sem retornar à sua normalidade. Não sei agora precisar se vai ser dia 17 (de agosto) ou talvez vai ser estendido mais um pouco. Qualquer informação nesse sentido agora é precipitada.

Não há uma aposta muito alta no bom senso das pessoas para liberar algumas atividades na tentativa de reduzir impactos econômicos. Também não somos muito brandos com quem descumpre as regras se considerarmos que fim das contas o preço disso pode ser a vida?

Blumenau sempre deu sinais de que era coerente nas suas ações e atitudes enquanto população. E eu acredito que nesse momento nós temos mais uma vez essa possibilidade. Blumenau sempre foi uma população que abraçou seus desafios e conseguiu, através do seu trabalho, das suas ações, da sua conscientização, vencer as enchentes de 83 e 84, vencer a tragédia de 1990, que matou dezenas de pessoas ali no Garcia, conseguiu vencer a tragédia de 2008, que matou dezenas de pessoas aqui na cidade e centenas na região. Eu creio que pode também, nessa fase importante que estamos passando, vencer esse desafio que está sendo posto em relação ao coronavírus. Acredito muito nessa condição de cidade, de que juntos, através da nossa conscientização e do nosso entendimento, possamos também unir esforços para manter o vírus em nível aceitável de atendimento da nossa rede hospitalar.

A prefeitura anunciou em 12 de maio a contratação de leitos de hotéis para isolamento de pessoas infectadas com baixa renda e também para quem estava furando o isolamento. Como está esse processo? Ele já está acontecendo?

Essa é uma situação complexa que está sendo feito processo de registro de preço para contratação do hotel. Ela não é tão simples assim, então por isso a gente está tomando mais cuidado, mas é uma medida que ainda está no nosso radar para implantação. Está em vias de contratação.

Qual a perspectiva para as próximas semanas?

A perspectiva é de que haja uma estabilização e até queda de número de casos dentro do cenário atual que nós estamos conseguindo assistir e sentir nas nossas unidades de atendimento, nos nossos hospitais e nos bairros.

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