A Prefeitura de São Paulo está prevendo uma programação de quatro dias de carnaval, sem máscaras ou restrições a aglomerações, para 2022. A alegação é de que os números da Covid-19 estarão em baixa até lá, permitindo a repetição do público de 2020, de 15 milhões de pessoas.
Prefeitura de São Paulo pode liberar carnaval sem restrições em 2022 – Foto: Reprodução/InstagramO anúncio foi feito nesta terça-feira (5), com a abertura das inscrições dos blocos e outros detalhes do carnaval de rua de 2022.
Ainda que a pandemia esteja em curso, a gestão Ricardo Nunes (MDB) projeta que os números da Covid-19 estarão em baixa daqui a quatro meses e que será possível voltar a ter a programação nos quatro dias de carnaval e em outros dois fins de semana (o anterior e o posterior à data comemorativa), totalizando oito dias.
SeguirOs desfiles das escolas de samba estão previstos de 25 a 28 de fevereiro, com o retorno das campeãs ao sambódromo em 5 de março. Também nesta terça, foi publicado o edital de chamamento público para exploração comercial dos camarotes nas edições de 2022, 2023 e 2024.
Parte das agremiações tem retomado aos poucos o ritmo de trabalho, com seleção de integrantes para comissão de frente, apresentação de fantasias e ensaios fechados.
Outras cidades com os maiores carnavais do País, como Salvador, Rio e Recife, têm sinalizado na mesma direção.
Entretanto, o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, afirmou que a realização do evento dependerá da situação da pandemia no início de 2022. Para ele, o maior risco seria o surgimento de uma variante de preocupação que pudesse gerar um “impacto sanitário grande”, como foi com o avanço da P.1, originalmente identificada em Manaus.
Aparecido disse que, embora já tenham começado o planejamento do evento (com a publicação de editais e uma comissão que planeja o evento desde julho), a realização dependerá do quadro sanitário do ano que vem.
Controle da pandemia
Durante a coletiva de imprensa nesta quinta, Edson Aparecido e outros secretários admitiram ser inviável manter um controle sanitário da Covid-19 em um evento deste tamanho.
Questionado sobre o assunto, Aparecido destacou a redução nos números de óbitos e internações, além de estimar que 90% da população paulistana estará com o esquema vacinal completo (duas doses ou a vacina de dose única) até 15 de outubro, número que chegaria perto de 100% até o fim do mês. “A cidade está muito próxima do controle da pandemia”, afirmou.
Ele admitiu que seria inviável haver um controle de vacinados entre o público. “Em um evento desta natureza, de grande participação popular, é evidente que fica muito difícil ter controle de apresentação de comprovação vacinal”, comentou.
A expectativa é de avanço da cobertura vacinal em todo o País até o ano que vem.
Dados do carnaval paulistano
O carnaval paulistano vem crescendo e tem atraído foliões de outros locais. Segundo pesquisa do Observatório do Turismo, da Prefeitura, 73,6% dos foliões moram na cidade e 50,4% vai a mais de um desfile.
Entre os visitantes, 59,3% vivem na Grande São Paulo, 20,7% no interior paulista, 19,4% em outros Estados e 0,6% fora do País.
Outro dado apontado no levantamento é que o público majoritariamente utiliza transporte coletivo para ir aos desfiles, principalmente ônibus ou trem (51,4%) e ônibus (31,6%). Durante a programação, são frequentes casos de estações e veículos com altíssima lotação.
Atualmente, a média móvel brasileira é de 498 mortes diárias por Covid-19, calculada com base nos dados dos últimos sete dias. Ao todo, apenas 44,2% da população brasileira está com o esquema vacinal completo e a estabilização desses números preocupa parte dos especialistas.
Megablocos
Na coletiva, a Prefeitura mostrou ter desenvolvido um cálculo para estimar a capacidade e quantidade de públicos dos desfiles, com a classificação da aglomeração em cinco níveis (o mais alto é de 6 pessoas por metro quadrado).
Os dados,no entanto, serão utilizados exclusivamente para o planejamento de infraestrutura, e não para conter aglomerações.
Segundo dados apresentados pelo secretário municipal das Subprefeituras, Alexandre Modonezi, 85% do público frequenta cerca de 10% dos blocos, de médio e grande porte. Os chamados megablocos geralmente são liderados por agremiações populares (como o Acadêmicos do Baixo Augusta, por exemplo) e artistas famosos, como a cantora Daniela Mercury e outros.
Em 2020, o carnaval paulistano teve 570 blocos e 670 desfiles. A maioria dos desfiles fica concentrada especialmente na região central (240) e zona oeste (224), majoritariamente nas subprefeituras Sé, Pinheiros e Lapa.
O período de inscrições de blocos estará aberto de 15 de outubro a 5 de novembro, com divulgação do resultado em 28 de novembro. O edital de patrocínio do evento será publicado em 18 de outubro. Os percursos dos blocos não serão alterados, com os desfiles de maior porte concentrados na Rua da Consolação, na Avenida Tiradentes, no Parque do Ibirapuera e em outros sete pontos.
Deverão ser instaladas tendas temáticas contra a violência contra a mulher, o assédio, o racismo e a LGBTfobia, além de uma voltada ao cuidado infantil. Também serão distribuídas pulseiras para a identificação de crianças e adolescentes, além de camisinhas.
Em 23 de setembro, a Prefeitura abriu um pregão para contratar empresa para oferecer banheiros químicos nos desfiles.
Também para o ano que vem, produtoras preparam festivais com a temática carnavalesca para janeiro, com apresentações de blocos e artistas, em locais como o Canindé e o Memorial da América Latina. A venda de ingressos já está aberta.