Depois de passar por análise e adequações, o protocolo para a volta das atividades presenciais em Florianópolis foi aprovado pelo Comitê Estratégico de Retorno às Aulas.
Escola Adotiva Liberato Valentim, na Costeira. Unidades educativas devem elaborar plano de contingência – Foto: Flávio Tin/Arquivo/NDA minuta do protocolo foi apresentada na primeira reunião do comitê, realizada no dia 29 de setembro. Desde então, o teor do documento vinha sendo discutido durante os encontros do grupo.
No último fim de semana, o protocolo passou por adequações até chegar à versão final, divulgada pela Secretaria Municipal de Educação nesta terça-feira (13).
SeguirO comitê conta com a participação das secretarias municipais de Educação, Saúde, Assistência Social e Administração. Também fazem parte representantes dos professores, estudantes, e escolas da redes estadual e privada.
Critérios para o retorno
A SES (Secretaria de Estado da Saúde) confirmou a volta às aulas presenciais em Santa Catarina a partir desta terça-feira. De acordo com a portaria que regulamenta o retorno, publicada no dia 6 de outubro, está autorizado o ensino presencial somente nas regiões com risco moderado ou alto no mapeamento estadual.
Conforme a última atualização do mapa de risco, as únicas regiões em nível alto são Xanxerê, Oeste, Serra Catarinense e Médio Vale do Itajaí, o que as torna aptas para a retomada presencial do ensino.
Já as demais regiões permanecem consideradas como de risco grave para Covid-19, entre elas a Grande Florianópolis.
Sendo assim, ainda que o protocolo tenha sido aprovado, a região permanece impedida de retomar as aulas presenciais. As unidades escolares de Florianópolis somente poderão decidir se reabrem as portas ou não, quando o mapa de risco estiver na cor amarela.
Além disso, cada escola precisa também elaborar e encaminhar o seu próprio plano de contingência ao Comitê Estratégico de Retorno às Aulas.
Por fim, as unidades educativas terão autonomia para decidirem
sobre o retorno às aulas presenciais. A decisão se dará de forma compartilhada por meio de consulta aberta a todos os segmentos da instituição (pais/responsáveis, estudantes, professores, trabalhadores).
O retorno opcional contempla todas as etapas da educação
básica: educação infantil, ensino fundamental e EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Por dentro do protocolo
O protocolo organizado pelo comitê da Capital está constituído em sete partes que compõem as ações e medidas propostas:
- Protocolo de prevenção;
- Protocolo geral sobre organização do ambiente escolar;
- Protocolo administrativo;
- Protocolo distribuição e manipulação dos alimentos nas unidades de educação;
- Protocolo organização pedagógica/retorno opcional;
- Protocolo de identificação de casos de Covid-19;
- Protocolo de avaliação e monitoramento.
Todas as escolas e instituições de ensino do município, tanto da rede particular, quanto da pública, precisam se adequar aos itens.
Protocolo de prevenção
- Estudantes e trabalhadores deverão ser orientados a evitarem tocar os olhos, nariz e boca e higienizarem as mãos após utilizar o transporte coletivo, assim que entrar na instituição e ao utilizar o banheiro;
- Toda comunidade escolar deve fazer uso frequente de álcool gel 70% na higienização das mãos. Crianças devem lavar as mãos com água e sabão líquido ao chegar e sair da instituição. Caso não seja possível, usar álcool gel espuma ou spray;
- Professores da educação infantil e em contato com estudantes com deficiência deverão usar escudo facial, máscara cirúrgica e aventa descartável;
- Trabalhadores devem manter unhas curtas ou aparadas, cabelos presos e evitar acessórios (brincos, anéis, etc.);
- Recomendar que os trabalhadores não retornem as suas casas com as roupas de trabalho (uniforme);
- Respeitar distanciamento social de 1,5 metros entre as pessoas durante todo o período de permanência dentro da escola. Evitar comportamentos sociais como beijos e abraços.
Organização do ambiente escolar
- Aferir temperatura de todas as pessoas na entrada da escola com termômetro digital infravermelho. Se a temperatura for igual ou superior 37,8 ºC, não poderão acessar a unidade;
- Evitar aceso de pais/responsáveis, cuidadores ou visitantes;
- Definir um único ponto de entrada na escola. Identificar a entrada e a saída da unidade;
- Cancelar uso de catracas de acesso ou registros de ponto por biometria digital;
- Ampliada a frequência de limpeza e higienização dos banheiros, bem como acessórios das instalações sanitárias;
- Após cada uso deverão ser higienizados materiais de uso comum, como tatames, colchonetes, materiais pedagógicos.
Escolas deverão seguir protocolo aprovado pelo comitê estratégico do município – Foto: Leonardo Sousa/Divulgação/PMF/NDProtocolo administrativo
- Avaliar possibilidade de retorno letivo de forma gradativa com intervalos de sete dias entre os grupos que regressam;
- Avaliar possibilidade de retorno das atividades educativas em dias alternados e em turmas alternadas;
- Elaborar espelho de sala para que o mesmo estudante utilize sempre a mesma mesa e cadeira;
- Suspender excursões e passeios e atividades que possam causar aglomerações;
- Evitar reuniões presenciais e priorizar videoconferência;
- Suspender o uso do elevador, salvo para pessoas com dificuldades de acesso e locomoção.
Distribuição e manipulação de alimentos
- Ao manipular e distribuir os alimentos os trabalhadores devem obrigatoriamente evitar tocar o rosto e a máscara;
- Uniforme do trabalhador deve ser trocado diariamente e usado exclusivamente no local de armazenamento, preparo e distribuição de alimentos;
- Sistemas de bufê devem ser obrigatoriamente substituídos por porções individuais e entregues por funcionários específicos que entreguem apenas o alimento e utensílios;
- Mesas e cadeiras devem ser dispostas garantindo o distanciamento de 1,5 m (um metro e meio) entre as pessoas;
- Mesas, cadeiras e bancos devem ser higienizados frequentemente com álcool 70% ou produto de efeito similar;
- Não permitir que sejam trazidos alimentos externos, salvo exceção, os mesmos devem vir de casa higienizados e 07 devidamente embalados.
Protocolo de organização pedagógica
- A vontade das famílias deverá ser respeitada, desta forma as famílias que optarem pela não adesão às aulas/atendimentos presenciais deverão continuar a realizar as atividades escolares de forma remota sem prejuízo a frequência ou rendimento;
- Estudantes que fizerem parte do grupo de risco deverão ser mantidos exclusivamente em atividades não presenciais;
- Equipe deverá definir junto dos professores e trabalhadores os que desejam aderir ao retorno presencial, os que estão em grupo de risco e os que permanecerão em trabalho remoto por meio da aplicação de questionários de
identificação; - Estudantes e suas famílias podem decidir retornar a qualquer tempo desde que respeitem os protocolos de retorno;
- Unidades que funcionam em período integral poderão ofertar atividades escolares presenciais por um período máximo de cinco horas diárias por estudantes;
- Construir um programa de recuperação de conteúdos caso seja necessário.
Educação infantil
- Na educação infantil sugere-se a volta às atividades de forma escalonada, com início pelas crianças de pré-escola (4, 5 e 6 anos). Só depois às de creche (0 a 3 anos);
- Priorizar as famílias em vulnerabilidade social;
- Sugere-se até oito pessoas por sala, incluindo os profissionais.
Primeiros anos
- Prever um processo de adaptação em relação ao processo de alfabetização;
- Entender se existem dificuldades que persistem para que não avancem nos estudos com dificuldades e minimizem prejuízos relacionados ao processo de aprendizagem;
- A avaliação diagnóstica dos primeiros anos deve focar na alfabetização (leitura e escrita) e na matemática.
EJA (Educação de Jovens e Adultos)
- Organizar o horário de atendimento aos estudantes da EJA, com retorno gradativo por faixa etária, de modo que os idosos e pessoas do grupo de risco estejam no último grupo a retornar;
- Respeitar, sempre, o sistema de rodízio semanal (no máximo 30% de cada turma por semana respeitando o distanciamento social mínimo de 1,5 m (um metro e meio) entre os estudantes.
Ensino Fundamental
- Priorizar o atendimento presencial dos estudantes do 9º ano nas duas semanas iniciais;
- Na terceira semana organizar o horário de aulas para os estudantes do 6º, 7º e 8º anos;
- Na quarta semana os estudantes dos Anos Iniciais. Respeitando, sempre, o sistema de rodízio semanal (no máximo 30% de cada turma por semana/ por sala, respeitando o distanciamento social mínimo de 1,5 m entre os estudantes.
Avaliação diagnóstica
- Realizar avaliação diagnóstica individual no retorno das aulas presenciais após o período inicial de acolhimento dos estudantes do Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos;
- Atentar para as especificidades individuais de cada aluno para não incorrer o risco de reforçar as desigualdades educacionais;
- O formato de avaliação diagnóstica ficará a critério de cada professor;
- A avaliação diagnóstica não deverá servir como instrumento gerador de nota, e sim com a finalidade de identificar e observar as aprendizagens e entendimentos de conteúdos durante o período de isolamento;
- As avaliações diagnósticas deverão ser arquivadas na respectiva instituição de ensino para comprovação do processo.
Acompanhamento de atividades e registros
- Os registros das aulas não presenciais e avaliação desse período deverão constar no sistema para atestar a excepcionalidade do momento de pandemia sob forma de registro afim de evitar prejuízos nas frequências dos alunos e possíveis reprovações;
- As atividades de aprendizagens não presenciais deverão compor um portfólio que terá dupla função: validação da carga horária e avaliação diagnóstica e formativa dos estudantes;
- As equipes de assessoramento estarão incumbidas de promover formações para esclarecimentos relativos a dúvidas na implementação e uso deste protocolo de volta às aulas/atendimento das instituições de ensino.
Protocolo de Identificação de casos Covid-19
- Trabalhadores e estudantes devem ser orientados a informar imediatamente a equipe diretiva da instituição de ensino caso apresentem sintomas gripais, suspeitas ou que convivem com pessoas portadoras da doença;
- Um monitoramento diário de trabalhadores e estudantes com sintomas gripais deverá ser realizado na instituição de ensino;
- Estabelecer uma sala da instituição para possível isolamento de caso suspeito;
- Equipe diretiva deve notificar imediatamente os casos suspeitos para a Vigilância Epidemiológica local para encaminhamentos e orientações;
- Reforçar a limpeza total (superfícies e objetos utilizados pelo caso suspeito) do ambiente utilizado para esses momentos de isolamento;
- Acompanhar os estudantes após a alta médica com o intuito de evitar a evasão escolar.