A pressão social é um fator psicológico determinante para que as pessoas adotem o distanciamento social, de acordo com um estudo de quatro pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
A parceria entre profissionais dos programas de pós-graduação em Psicologia e Administração da universidade resultou em um instrumento capaz de mensurar quais são os principais motivos que influenciam as pessoas a adotar a medida de distanciamento social durante a pandemia de Covid-19.
Pesquisadores da UFSC desenvolveram instrumento capaz de mensurar os principais fatores psicológicos que influenciam as pessoas a adotar o distanciamento social durante a pandemia – Foto: Anderson Coelho/NDO estudo intitulado “Preditores da Intenção de Permanecer em Distanciamento Social ” é assinado por Gabriel Horn Iwaya, Janaína Gularte Cardoso, João Henriques de Sousa Júnior e Andrea Valéria Steil.
SeguirO instrumento foi nomeado “Escala de Intenção de Permanecer em Distanciamento Social”.
“Quanto mais uma pessoa percebe que outras pessoas (que ela considera importantes) pensam que ela deveria permanecer em isolamento social, mais disposição essa pessoa apresentará para adotar a medida de distanciamento”, explica Gabriel Horn Iwaya.
As crenças investigadas estão associadas às vantagens percebidas em adotar o distanciamento social, como por exemplo o bem-estar e a segurança.
Além disso, foram estudados os fatores relacionados com a percepção de pressão social, controle comportamental, recursos financeiros e autoeficácia.
Participantes
Conforme explica a psicóloga e uma das responsáveis pelo estudo, Andreia Valéria Steil, foram 786 participantes da pesquisa, sendo 80% deles catarinenses.
“Nós solicitamos a participação de pessoas que cumprissem dois critérios: ter idade superior a 18 anos e ser do grupo de pessoas que podem escolher permanecer em isolamento social. Então, em vez de selecionar as pessoas, nós lançamos a pesquisa em redes sociais, no período de 31 de março até 6 de abril, e as pessoas que cumpriram esse critério e responderam a pesquisa, foram consideradas.”
Dessa forma, a pesquisa foi composta por participantes de 17 estados do Brasil, distribuídos entre 109 municípios.
A maioria dos participantes reside na região Sul do país (88%), com a seguinte distribuição: 80% de Santa Catarina, 6% do Rio Grande do Sul e 2% do Paraná.
“Não indexamos por família, ou seja, os participantes não respondiam pelas suas famílias, mas por si próprios”, ressalta a psicóloga.
Ajudando a salvar vidas
De acordo com a psicóloga, a pesquisa tem o poder de influenciar no número de mortes em decorrência da Covid-19.
“A partir do conhecimento do que realmente prediz o comportamento das pessoas em manter o distanciamento social, podem-se desenvolver estratégias de comunicação persuasivas voltadas à disseminação dessa prática de distanciamento no Brasil. Com isso, é possível diminuir o grau de disseminação do novo coronavírus e o alto número de mortes associado a essa pandemia. Ou seja, o estudo pode ajudar a salvar vidas no Brasil. É uma contribuição da psicologia para o combate à pandemia no país” diz a psicóloga.
Segundo o pesquisador Gabriel Horn Iwaya, os resultados da pesquisa também são úteis para organizações públicas que buscam subsídios teóricos e evidências científicas para justificar o desenvolvimento de mensagens voltadas à promoção do distanciamento social.
“As evidências da pesquisa indicam que identificar quem são as figuras-chave influenciadoras (líderes religiosos, políticos, comunitários, digitais) é uma estratégia eficaz na disseminação de mensagens persuasivas em campanhas de saúde pública durante a pandemia”, ressalta.
Próximos passos
A primeira etapa do estudo concluiu que a pressão social exercida sobre as pessoas foi o que mais influenciou a intenção de adotar o distanciamento social. Esses resultados são úteis para a elaboração de estratégias que promovam a permanência em distanciamento, afirma Andreia Valéria Steil.
No entanto, a pesquisa caminha para uma segunda etapa, explica a psicóloga. “Estamos agora realizando uma segunda etapa da pesquisa. Com o objetivo de comparar os resultados do levantamento realizado no início de abril com agora, para verificar se as crenças que predizem o comportamento de manter o distanciamento social se mantêm ou não.”
A coleta de dados desta segunda fase da pesquisa está aberta. As pessoas com pelo menos 18 anos e que podem escolher permanecer isoladas, tendo já participado da primeira etapa da pesquisa ou não, podem responder a pesquisa, que está disponível neste link.