Mais de 160 vacinas estão sendo pesquisadas como potenciais protetoras contra a covid-19. Destas, 34 já estão sendo testadas em humanos de acordo com atualização feita pela OMS (Organização Mundial da Saúde) na quinta-feira (3).
Primeira vacina contra Covid-19 que for aprovada pode não ser a mais eficaz – Foto: Arquivo/NDIsso significa que elas estão mais próximas de uma possível aprovação por órgãos reguladores para uma possível distribuição. Mas não garante que elas serão as mais eficazes para proteger contra a doença.
O fato de o mundo estar passando por uma pandemia acelera a corrida e, com isso, influencia na qualidade de um imunizante.
Seguir“Quando você tem um problema muito grande as primeiras opções podem não ser as melhores. A OMS falou que uma vacina precisará ter eficiência de 50% [para ser recomendada]. Em condições normais você espera mais de 70%” afirma Luciana Cerqueira Leite, pesquisadora do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Instituto Butantan.
Gesmar Segundo, coordenador do Departamento Científico de Imunodeficiências da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia) afirma que esse ofrouxamento de exigências e a ânsia por aprovar uma vacina em tempo recorde traz desvantagens.
“Pode ser que a gente gaste muito dinheiro para vacinar e daqui 6 meses tenha que fazer tudo de novo. Temos que abrir o leque [para diversas pesquisas] como estamos fazendo, mas precisa de tempo. A pressão das indústrias e dos governos só atrapalha o desenvolvimento de uma vacina adequada”, analisa.
Contudo, Luciana pondera que imunizantes com eficácia mínima de 50% já será um bom avanço. “Às vezes você pode ter uma vacina com 70% de eficácia, mas ela é muito cara. Então, com uma proteção de 50% a gente já ajuda bastante. Podemos aprimorar e ter a primeira, segunda e terceira geração dessas vacinas”.
Ela cita como exemplo as vacinas tríplices bacterianas (DTP) contra difteria, tétano e coqueluche. Foi desenvolvida uma vacina acelular (contém partes específicas da bactéria) com a expectativa de que ela tivesse a mesma eficácia e fosse mais segura que a vacina celular (feita com a bactéria inteira e morta).
“A acelular só produz anticorpos e foi visto que ela protege, mas não tão bem como a celular e é mais cara. Por isso já se discute uma terceira geração que combine as duas coisas”, explica.
